“Ministério da Saúde a quem cabia toda a centralização da vacinação”, culpa Araújo

Ao falar sobre a Covax à CPI, o ex-chanceler disse que foi a pasta quem não aceitou receber doses que imunizariam 40% da população, oferecido pelo acordo da OMS. Sobre Pfizer e missão à Israel, Araújo disse que decisões eram do Ministério da Saúde e do presidente Jair Bolsonaro

Ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Jornal GGN – O ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afastou de si a responsabilidade nas negociações internacionais para a aquisição de vacinas contra a Covid-19 e afirmou ter sido “do Ministério da Saúde a quem cabia toda a centralização da vacinação”, durante a CPI da Covid no Senado, nesta terça (18).

As falas foram feitas em resposta ao relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), que em sua abertura questionou por que o Brasil optou por uma imunização de 10% da população do acordo com o consórcio Covax Facility, e não 50% como poderia ter escolhido.

“Quem foi responsável pela escolha de 10% ao aderir ao consórcio?”, perguntou Renan. “[Essa decisão] foi tomada em coordenação, teve uma reunião na Casa Civil”, respondeu Araújo. “Qual foi o fundamento para a recusa dos outros 40% [para imunizar a população?”, questionou o senador. “Essa decisão eu não conheço o fundamento técnico, foi uma decisão tomada pelo Ministério da Saúde”, respondeu.

O acordo é coordenador pela Organização Mundial da Saúde (OMS), criado com o objetivo de fazer chegar a países em desenvolvimento ou em sub-desenvolvimento o acesso e distribuição das vacinas contra a Covid-19, envolvendo 150 países. Na ocasião, o Brasil aceitou receber 42 milhões de doses para imunizar 10% da população brasileira, e não 50% como também havia sido oferecido.

A referida reunião para decidir se o Brasil iria aderir ou não ao Consórcio, narrada à Comissão por Ernesto Araújo, ocorreu em junho de 2020, no gabinete da Casa Civil, com a presença do ex-chanceler; do chefe da Casa Civil; do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, de um representante do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Segundo ele, o “presidente certamente não participou” deste encontro. “Mas quem deu a ordem sobre os 10% e não 50% [de quantidade de brasileiros que iria ser imunizado com a parceria internaciona]?”, perguntou novamente Renan. Na sequência de “lavar as mãos” sobre o acordo internacional assinado pelo Brasil, insistiu: “Não sei, entendo que a responsabilidade é do Ministério da Saúde.”

Araújo também saiu em defesa do governo ao afirmar que “a prorrogação” das assinaturas dos contratos junto à Covax não necessariamente influenciou na demora da chegada dos imunizantes e que era preciso o Brasil “terminar análise de diferentes aspectos do contrato, exigia a adaptação da legislação brasileira”.

Carta da Pfizer à Embaixada dos EUA

Ao tratar de outro tema polêmico, o ex-chefe do Itamaraty novamente responsabilizou o Ministério da Saúde pela atuação do Brasil ao ignorar as ofertas da Pfizer de doses para vacinas. No ano passado, a Pfizer enviou uma cópia da carta ao embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Fortes, segundo informações entregues pelo ex-chefe da Secom, também durante depoimento na CPI da semana passada, Fabio Wajngarten.

Ao ser questionado se ele sabia da cópia da carta enviada ao embaixador do Brasil nos EUA, Araújo confirmou e disse ter tomado conhecimento do caso imediatamente após o documento ser enviado ao embaixador.

Perguntado se ele, então, tomou alguma iniciativa para acelerar o processo de aquisição das vacinas, o ex-chanceler respondeu: “O telegrama já mencionava que tinha sido dado conhecimento direto ao Ministério da Saúde, a quem cabia toda a centralização da campanha de vacinações”.

“O Itamaraty sempre agiu a partir de coordenação com o Ministério da Saúde”, destacou Ernesto, negando também que o governo de Jair Bolsonaro o tenha procurado para acelerar essa negociação junto à Pfizer.

Spray Nasal de Israel

Araújo falou, na CPI, que partiu de Jair Bolsonaro a ideia sobre a missão à Israel, com o gasto de recursos públicos do governo federal para possivelmente investir em um medicamento sem comprovação de eficácia contra a Covid-19, o spray nasal.

Ainda que responsabilizando o mandatário, saiu em defesa do governo ao afirmar que “a missão nasceu de um telefonema entre o presidente Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que falou, com muito entusiasmo, de dois medicamentos com pontencial de cura da Covid que estavam sendo desenvolvidos e o presidente pediu que eu liderasse essa missão”.

Questionado sobre qual era a “relevância” do spray nasal, para o envio de uma missão internacional, Araújo disse que “os dois medicamentos que motivaram a formação da viagem são que tiveram fase de testes muito promissoras” e defendeu que “o tratamento da Covid [por remédios] tem sido tratado também pelas autoridades sanitárias de todo o mundo tão importante como as vacinas”.

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