Água: a crise que não há e a economia que vem de longe

Jornal GGN – A grande crise em São Paulo é admitir que se tem um problema sério acontecendo com a água. Ninguém admite. Sabesp diz que não tem racionamento, população sofre com cortes de água; governador diz que não vai faltar água, corre ao governo federal pedindo verbas para obras emergenciais. Sabesp fala ao Fantástico, e descobre-se que o que acontece é uma diminuição da pressão da água que vai aos lares, e essa diminuição acaba por se transformar em economia. E que nunca mais nos livraremos disso. Fala-se muito. Leia a matéria da Folha e comprove.

da Folha

Crise da água

Economia permanente de água afetará todas as áreas de São Paulo

Segundo a Sabesp, ‘não há planos nem motivos’ para interromper redução da pressão na rede

Governo afirma que não há racionamento, mas moradores de todas as regiões relatam falta de água durante as noites

ARTUR RODRIGUES EDUARDO GERAQUE DE SÃO PAULO

Todas as regiões da cidade de São Paulo serão afetadas com a decisão do governo do Estado de tornar permanente a estratégia de reduzir a pressão na rede distribuidora de água durante as noites.

Essa medida é a principal hipótese para a constante falta de água nas residências da cidade e do restante da região metropolitana da capital.

Mas, segundo a Sabesp (estatal do governo paulista), isso não representa um racionamento, e sim uma medida que traz uma “economia fabulosa” de água ao evitar o seu desperdício –quanto maior a pressão, maior a perda de água ao longo da rede.

No último domingo, em entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo, o gerente de produção da Sabesp, Marco Antônio Lopez de Barros, afirmou que a empresa “nunca mais” abandonará a prática de reduzir a pressão da água.

A companhia admite que pessoas que moram em áreas muito altas ou distantes podem ser atingidas. Pelas contas da Sabesp, o percentual de afetados não passa de 2% da Grande São Paulo, o equivalente a 400 mil pessoas.

Pesquisa Datafolha do mês passado, no entanto, revelou que 60% dos paulistanos disseram ter sofrido com a falta de água ao menos uma vez num intervalo de 30 dias.

Moradora do Itaim Paulista (zona leste), a autônoma Débora dos Santos, 26, conta que todos os dias a água acaba às 17h e só volta de manhã. Depois, é preciso lidar com um fluxo mais baixo. “Você abre a torneira, e a água vem pulsando, meio engasgando. Depois, sai fraquinha.”

Quem não tem caixa de água vive situação ainda pior. “Preciso tomar banho antes das quatro da tarde. Depois, só com a ajuda da canequinha”, diz a dona de casa Doroti de Almeida, 65, vizinha de Débora no Itaim Paulista.

Na Vila Brasilândia, zona norte paulistana, Carlos Menezes, 23, funcionário de uma loja de paisagismo, relata o mesmo tipo de problema.

Dois condomínios da região deixaram de contratar os serviços de jardinagem. Ele diz que, se a pressão continuar baixa, não sabe o que vai fazer. “Se não tiver água, ninguém trabalha”, afirma.

Essa diminuição da pressão, apesar de ser uma prática comum em outras cidades do mundo, precisa ser bem planejada, para não deixar a população sem água, diz Pedro Cortes, professor da USP e do Programa de Mestrado em Gestão Ambiental da Universidade Nove de Julho.

A Sabesp sustenta que a população deve ter caixa de água suficiente para o abastecimento 24 horas.

“Mesmo que as pessoas utilizem reservatórios adicionais, o problema é que não há água disponível para atender a todos da mesma maneira que ocorria antes da crise”, diz o professor da USP.

“Uma pessoa pode até comprar um reservatório adicional, mas talvez não receba água suficiente”.

Outra consequência, segundo ele, pode ser a contaminação da rede. “A água do subsolo poderá infiltrar na tubulação pelas falhas responsáveis pelos vazamentos.”

A Sabesp negou pedido de entrevista feito pela Folha sobre a redução de pressão. Em nota, afirmou que a medida é adotada desde 2007. “Não há planos nem motivos para interromper essa dinâmica, já que ela reduz o desperdício”, afirma a Sabesp.

Desde o início da crise da água deste ano, quando a empresa intensificou a medida ao diminuir a pressão em até 75%, aumentaram as queixas de desabastecimento.

Colaboraram CAROLINA DANTAS e JÚLIA BARBON

 

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9 comentários

  1. Rodízio, redução de pressão,

    Rodízio, redução de pressão, corte seletivo, economia permamente… Os nomes são muitos. Podem até chamar de José Afonso ou Maria Cristina. O único nome que nunca será usado é “racionamento”.

    • Isso é o Tucanistão, nesse

      Isso é o Tucanistão, nesse lugar mágico coisas conhecidas em outras bandas por um determinado nome ganham uma nova definição, por exemplo superfaturamento e desvio de recursos passa a se chamar “formação de cartel”. 

  2. Lamento, mas faz tempo que sei que tudo,

    mas tudo mesmo, que está escrito na FSP é totalmente improprio para uso humano. Só zumbis tucanoides para consumir esse esgoto.

    Não vou nem ler, prezo minha saude mental.

  3. PIG?

    Engraçado….  temos aí Globo e FSP noticiando a crise hídrica em SP, responsabilidade do estado com governo do PSDB.

    Onde está o tal PIG que só noticia coisas contra o PT e a favor do PSDB?

    Tem algumas mídias assim, mesmo, assim como temos outras ao contrário, mas não são tantas como dizem!

    Um pouco mais de equilíbrio nessas acusações de PIG seria bom para todos!

  4. O problema não é só o Alckmin mistificar

    É ele fazer isso e a mídia não confontá-lo. Apenas “de longe”, em reportagens como essa, o que sai é que o “Governo afirma” ou “a Sabesp afirma” que não há racionamento, como se Alckmin pessoalmente não cansasse de repetir isso.

    Em 2006 o então primeiro-ministro sueco Göran Persson declarou que passava suas próprias camisas sociais, e o fazia gastando apenas um minuto por camisa. Imediatamente foi desafiado pela imprensa a comprovar o alegado, e teve que fazê-lo ao vivo, em um programa de TV, devidamente cronometrado (veja aqui: http://youtu.be/xSAgICG2QDg).

    Aqui Alckmin declara que não há falta d’água e nenhum, absolutamente nenhum repórter o desafia a ir abrir uma torneira seca na casa de um paulistano. Alckmin declara que a água da Sabesp é tão boa que ele próprio bebe água da torneira, e nenhum repórter o desafiou a beber um copo d’água colhido da torneira, ao vivo.

    A mídia brasileira é subserviente a seus aliados. Abandonar essa relação de cumpadrio seria uma revolução tão grande e útil quanto as reformas que o país tanto necessita. Ou quem sabe ainda melhor para o país do que essas reformas!

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