Ao vivo: O impeachment de Dilma na Câmara dos Deputados

Jornal GGN – A votação do impeachment pela Câmara dos Deputados terá início às 14h deste domingo (17). Após mais de 9 horas de discursos de deputados, na sessão deste sábado, que se estendeu até às 4h da madrugada deste domingo, os parlamentares voltam ao Plenário para a última decisão sobre o processo contra a presidente Dilma Rousseff na Câmara.
 
Eduardo Cunha, presidente da Câmara, afirmou que a sessão começa pontualmente. Em rápida entrevista coletiva, Cunha disse que “se [a presidente Dilma] cometeu ou não [crime de responsabilidade], quem vai dizer é o Senado, se a Câmara autorizar” e que ele não poderia afirmar que sim, porque estaria “antecipando o resultado”. O peemedebista criticou o “processo político complicado” que o Brasil vive nos últimos anos e responsabiliza Dilma Rousseff. Para ele, “não houve pacificação após a eleição de 2014”.
 
Segundo a colunista Vera Magalhães, responsável pela coluna Radar, da Veja, a pressa e pressão de Cunha está mais ligada ao medo de que nova edição do Diário Oficial percorra a casa do que qualquer outra coisa. Segundo ela, seria desastroso os indecisos verem nova leva de nomeações no DOU. Isso poderia balançar os indecisos, principalmente, na opinião dela, se o governo tivesse mais um dia para trabalhar os que não sabem como votar.
 
Acompanhe ao vivo, o minuto a minuto da sessão:
 
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Logo no início da votação, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu que os ausentes ou retardatários serão chamados após cada um dos Estados e não mais, como havia decidido antes, após o fim de todos os votos. “Quem não está aqui e está ausente, assuma a sua ausência”, disse Cunha. A medida foi vista por governistas como uma manobra de pressão aos parlamentares pró-impeachment, uma vez que a ausência poderia beneficiar a votação a favor do governo.
 
Após a decisão de Cunha, uma movimentação intensa tomou conta do Plenário nos primeiros minutos, envolvendo deputados pró e contra o impedimento de Dilma. “Será que, no final das contas, deveriam ter colocado o muro aqui dentro do plenário?”, reagiu o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). Veja os instantes de confusão:
 
 
Em seguida, o relator deputado Jovair Arantes (PTB-GO) teve 25 minutos para apresentar o seu parecer. O relatório aprovado pela Comissão Especial caracteriza crime de responsabilidade as chamadas pedaladas fiscais, quando o governo atrasou os repasses ao Banco do Brasil para o pagamento de benefícios do Plano Safra, e a edição de decretos suplementares sem autorização do Legislativo e contra um dispositivo da Lei Orçamentária, que vincula os gastos ao cumprimento da meta fiscal. 
 
O líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), declarou o voto da bancada favorável ao impeachment de Dilma. “Ontem a bancada do PMDB se reuniu para tomar uma decisão. PMDB que sempre esteve ao lado da democracia e optou pelo voto favorável ao processo de impedimento, por entender as circunstâncias políticas que levaram ao processo de impedimento. A nossa bancada irá encaminhar o voto sim”, disse. Picciani admitiu, contudo, que seu voto é contrário ao posicionamento da bancada, mostrando que os peemedebistas estão divididos.
 
Em nome do PT, o deputado Afonso Florence (BA), reafirmou que não há crime de responsabilidade e que partidos e movimentos sociais que defendem a democracia e que, inclusive, são contra a gestão da presidente Dilma, votam contra o impeachment, que o denominou de “golpe”. Lembrou que quem preside a Câmara, Eduardo Cunha, é “réu por corrupção”.
 
O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), afirmou que o partido sabia desde o começo qual seria sua posição no processo do impeachment de Dilma, e justificou o voto pró deposição apotando que a petista “mentiu à Nação” após as eleições, gerou crise econômica e desemprego, teve sua campanha financiada por dinheiro supostamente desviado da Petrobras e “nada fez” para conter o “maior escândalo de corrupção” que nasceu “bem embaixo de seu nariz”. “O PSDB irá votar pelo impeachment porque o Brasil não pode ser governado por uma presidente da República desenganada, que maculou o cargo que lhe foi confiado”, disparou.
 
“Iremos dar uma resposta ao Brasil, não iremos decepcionar o povo brasileiro. Nessa hora tão grave da cidadania. Convicção sim, firmeza, sim, mesquinhez e pequenez, jamais. É meu deve encaminhar o voto, que determinou que nossos deputados e deputadas pela admissibilidade do processo de impedimento”, disse o líder do PP Aguinaldo Ribeiro (PB), anunciando que a bancada fechou questão, ou seja, orientando que todos os deputados votem pelo impeachment, ainda que deve ter parlamentares divididos nos votos. Em coletiva de imprensa, Waldir Maranhão (PP-MA) confirmou que ele e mais 11 deputados votarão contra.
 
O PR anunciou que o partido orienta contra o impeachment. Por outro lado, liberou que cada um de seus membros vote de acordo com convicções individuais. “No PR ninguém será submetido a patrulhamento por questão de divergência. Nós garantimos a divergência em nossa bancada, patrocinamos o amplo direito à manifestação”, disse o líder Aelton Freitas (MG).
 
Já em seu discurso, Rogério Rosso (PSD-DF), a favor do impeachment, entendeu que a Câmara não é responsável pelo mérito da denúncia. “Quem julgará a presidente da república será o Senado Federal. Estamos tão somente tratando da admissibilidade da denúncia. E o relatório do deputado Jovair é cristalino, é claro, está à luz do direito. Portanto, devemos sim admitir a denúncia e encaminha-la para o Senado, onde a presidente possa se defender”, afirmou.
 
Nessa mesma linha foi o líder Fernando Coelho Filho (PSB-PE). “Que a decisão dessa casa signifique aos milhões de brasileiros uma decisão para resgatar a autoestima, a confiança, mas acima de tudo para reanimar a esperança do povo brasileiro de um país melhor”, defendeu.
 
O líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), homenageou o juiz Sergio Moro, da Vara Federal de Curitiba, que comanda a Operação Lava Jato, e a grande imprensa, lendo um trecho de editorial do Estado de S. Paulo, a favor do impedimento de Dilma. 
 
Por meio de seu líder, o deputado Márcio Marinho (BA), o PRB disse que não era subserviente ao governo Dilma. “Nós logo tomamos a decisão de desembarcar desse governo, mas de cabeça erguida. Nós fazíamos parte da base, mas não éramos subservientes a esse governo”, afirmou, anunciando que 22 de seus deputados votarão pelo impeachment.
 
“O PTB decidiu por maioria absoluta orientar todos os deputados nesta casa a dar um sim pelo impeachment”, disse o deputado Wilson Fillho (PB), em nome do partido.
 
“Nós, do PDT, sempre estivemos do lado do povo brasileiro. E nesse momento nós lembramos os verdadeiros heróis da pátria, como Leonel Brizola, que se estivesse aqui não ia admitir que essa Constituição fosse rasgada”, disse o líder Weverton Rocha (PDT-MA). “Não vai ter vencedor e não vai ter vencido. Porque todos nós já perdemos”, completou, declarando orientação contra o impeachment e adiantando Ciro Gomes à disputar a Presidência em 2018.
 
O deputado Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, entoou sua orientação pela saída de Dilma com a música: “Dilma vai embora que o Brasil não quer você. E leve o Lula junto e os vagabundos do PT”, cantou, estourando confetes.
 
“Queremos vencer com as ruas, queremos transformar toda essa indignação em mudança. Muito mais do que um impeachment, queremos ver nascer no país uma nova política”, afirmou Renata Abreu (PTN-SP), pró-impeachment.
 
Para Daniel Almeida (PcdoB-BA), o Brasil está diante “de uma situação surreal”: “uma presidenta sobre a qual não pesa qualquer denúncia, tem o seu mandato ameaçado por uma conspirata de corruptos liderada por vossa excelência Eduardo Cunha”, acusou, completando o voto da bancada contra o processo.
 
De acordo com o lídero do PSC, Andre Moura (SE), a posição da bancada é unânime pelo impedimento de Dilma e se manteve “na luta”, tando “100%” pela saída. Na mesma linha, posicionou-se o PPS: “em 1992 eu estava aqui votando sim pelo impeachment do presidente Collor. Hoje volto a essa tribuna votar sim pelo impeachment da presidente Dilma”, disse Rubens Bueno (PPS-PR). Também pelo impedimento foi o voto do PHS, com uma bancada de sete deputados.
 
“A bancada do PV não precisa de uma orientação, ela sabe o que precisa fazer, sabe que a presidente cometeu crime de responsabilidade”, disse o deputado Evandro Gussi (PV-SP). “O PV tomou uma decisão que não foi de última hora, por unanimidade a favor do impeachment”, completou Sarney Filho (PV-MA). “Depois de muito esforço, decidimos votar sim pelo impeachment da presidente da República”, disse Ronaldo Fonseca (PROS-SP).
 
“Esse espetáculo deslegitima o processo de impeachment e o Congresso Nacional. Inventaram um álibi, uma questão contábil, as pedaladas fiscais, que ninguém do povo sabe o que é”, criticou o líder do PSOL, Ivan Valente (SP), lembrando que a bancada está unânime, unida contra a saída de Dilma, considerada “golpe” à democracia. 
 
Também em discurso inflamado foi a fala de Alessandro Molon (Rede-RJ): “Eu vou dar aqui a minha opinião pessoal que é contrária ao impeachment. Um ponto que nos unifica é que seja feito um processo justo”, afirmando que a bancada está dividida.
 
O líder do PTdoB, Silvio Costa, afirmou que “95% da oposição não tem moral para agredir Dilma”, lembrando que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi denunciado em Furnas e que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como réu na Lava Jato vai ser “o maior delator” e “vai levar alguns”. Em seguida, começou a ler um papel com a lista da vitória de Dilma por, segundo ele, um voto a mais contra o impeachment. “Podem anotar. Confiram, golpistas, vocês ofereceram tudo no Jaburu, mas perderam”, disse.
 
“Contra fatos não há argumentos: a presidente cometeu crime, não zelou pelas contas, gastou sem autorização do Congresso”, disse Alfredo Kaefer (PSL-PR), afirmando o voto favorável ao impeachment. 

 
Já Junior Marreca (PEN-MA), discursou contra o impeachment de Dilma, afirmando que o relatório não mostra crime de responsabilidade nenhum. “Há só luta pelo poder”, interpretou. Pelo PMB, Weliton Prado (MG) defendeu os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas afirmou que o que a presidente Dilma fez “é indefensável”.
 
Minutos antes da votação há 505 deputados na Câmara, 504 no plenário, 8 ausentes. “O impeachment, se admitido na Câmara, será o começo de mais uma transição intransitiva na História. Não à farsa!”, disse Chico Alencar, do PSOL.
 
 
Se aprovado por pelo menos dois terços da composição da Casa, ou seja, 342 votos favoráveis, o impeachment segue para o Senado Federal, responsável por julgar os méritos da denúncia. À Câmara cabe autorizar, ou não, a abertura do processo. 
 
Começa a votação.

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