Após críticas, MEC recua e exonera defensor do Escola Sem Partido

Nomeação de Adolfo Sachsida durou menos de 24 horas. Economista defendeu Jair Bolsonaro e criticou duramente o que chama de ideologia de gênero

Por Caio Zinet

Do Centro de Referências em Educação Integral

Nem 24 horas. Esse foi o tempo que durou a nomeação do pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Adolfo Sachsida, como assessor especial do Ministério da Educação (MEC). A nomeação foi publicada ontem (11/7) e a exoneração hoje (12/7) no Diário Oficial da União (DOU).

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Como mostrou ontem (11/07) a reportagem o Centro de Referências em Educação Integral, Sachsida mantêm um blog no qual defende o movimento Escola sem Partido, além de declarar apoio ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSC/RJ). Também combatia o que definia como “ideologia de gênero nas escolas” e era crítico, entre outras coisas, à decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que definiu que a palavra da vítima vale como prova em casos de estupro e assédio sexual.

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Oficialmente, a nova gestão do MEC não se posicionou sobre o movimento Escola sem Partido, mas essa não é a primeira vez na gestão de Mendonça Filho que pessoas que apoiam o movimento tem espaço dentro da pasta. Em maio, poucos dias depois de tomar posse, o novo ministro do governo interno recebeu em seu gabinete o ator Alexandre Frota e o líder do Revoltados OnLine, Marcelo Reis.

Em vídeo gravado depois do encontro, eles afirmam que entre as propostas que levaram ao ministro estavam as do Escola sem Partido.

Saiba + Após repercussão negativa, MEC defende encontro de Frota com Mendonça Filho.

O movimento Escola sem Partido nasceu em 2004 a partir da iniciativa do procurador de São Paulo, Miguel Nagib, e especialistas afirmam que propostas não tem sustentação pedagógica e caso aprovadas representarão uma forma de censura do trabalho docente. Figuras como Renato Janine RibeiroJosé Arthur GianottiLeandro Karnal e diversos educadores rebateram as propostas do movimento.

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Saiba + A falácia do Escola sem Partido
Escola sem Partido e a desconstrução da educação plural

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11 comentários

  1. Estupidez
    Não ter partido já é ter partido. Não ter ideologia já é ter ideologia.

    Ontem li um artigo ótimo sobre a escola sem partido e o ensino da matemática. O governo golpista deverá incluir no currículo das escolas o ensino da Matemática Meritocrática. A divisão será suprimida do ensino das operações básicas , porque dividir em partes iguais é uma ideia comunista e esquerdizante. O certo é o 1 que fica com 99 partes, por mérito, enquanto os 99, por indolência, dividem o 1 restante.

    • Essa palavrinha maldita

      A piada foi engraçadinha, mas observei mais uma vez uma vez aqui uma ação que vem se repetindo: a tentativa de subverter o adjetivo meritocrático.

      Subverter significa trocar o sentido de uma palavra no senso comum. O adjetivo meritocrático, originalmente elogioso, deve tornar-se uma ignomínia. Para isso o termo é usado vezes sem conta em contextos depreciativos, irônicos e misturado com outros xingamentos, até que se estabeleça no senso comum que a meritocracia é uma coisa ruim.

      Só que isso tem que funcionar. Pois do contrário, é como cuspir para o céu. E eu tenho a impressão de que não vai funcionar, pois o sentido elogioso do mérito é muito cristalino. Repetindo essa lenga-lenga, vocês podem acabar grudando na própria testa que são um bando de invejosos e recalcados.

      • Meritocracia é um câncer

        Um cancro, o demônio, o capeta, o capiroto. O mal a ser extirpado.

        Entendo que é algo que agrada aos que se auto denominam liberais de classe média. Mas, é uma ideia tosca, mal costurada, que foi apropriada de perversa e que justifica a perpetuação das iniquidades sociais.

        O assunto foi exautivamente debatido aqui no blog do Nassif em 2013, nos dois posts abaixo do professor Renato Santos de Souza (UFSM/RS):

        Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira
        Desvendando a espuma II: de volta ao enigma da classe média

        Leia-os. Leia também e principalmente os 820 comentários que ambos os textos receberam e que questionam e/ou aprofundam o tema de uma forma que nunca vi aqui no blog, nem fora dele.

        • A meritocracia não é justa. Mas é racional

          Sua resposta confirma o que eu disse. Colocando a meritocracia em meio a vários adjetivos desairosos, e repetindo vezes sem conta, você quer estabelecer no senso comum que a meritocracia é uma coisa ruim. Já o Nassif é mais elaborado e quer demonstrar que a meritocracia é um truque usado pelas classes mais ricas para manter seu status quo.

          Discutir a justiça da meritocracia é inútil desde o princípio, porque a meritocracia jamais foi um valor moral, mas simplesmente um método de gestão. Como tal, seu propósito não é fazer justiça, mas produzir um resultado. O próprio conceito de mérito é subjetivo: uns se acham meritórios, outros discordam. Mas há uma logicidade autoevidente na meritocracia: é o que eu chamo o Axioma do Time de Futebol. Em uma equipe de futebol, todos evidentemente querem ser os titulares, mas se não puderem sê-lo, preferem que os titulares sejam os melhores entre eles, pois é melhor ser reserva de um time vencedor do que de um time perdedor.

          Em qualquer ramo de atividade de interesse geral para o país inteiro – por exemplo, na seleção de alunos para uma universidade ou para vagas de um emprego – a dita atividade será melhor desempenhada se forem favorecidos aqueles que têm melhor condição de desempenhá-la, independente de sua raça ou classe social. Se a atividade for desempenhada por indivíduos menos qualificados, o resultado será mais fraco, e isso, em algum grau, prejudicará a população como um todo, independente de raça ou classe social. Difícil é dizer em que grau isso ocorrerá, mas que haverá um resultado pior, isso haverá. É líquido e certo, independente de ideologias ou do juízo moral que você faça da meritocracia. É justo? Não, não é. Também não é justo que o fogo queime e a água molhe, mas o caso é que o fogo queima e a água molha.

          O destino inevitável de todos os países que desprezam a meritocracia é afundar na mediocridade e na pobreza – dizer isso chega a ser um pleonasmo, porque a mediocridade sempre se traduz em pobreza. Os únicos exemplos de países que saltaram do terceiro mundo para o primeiro mundo são os países do sudeste asiático, que conseguiram esse resultado graças a uma rígida meritocracia que começa na escola e segue pela vida profissional afora. Esses países, 40 anos atrás, eram mais pobres do que nós, e graças à meritocracia conseguiram o progresso que elevou a um nível digno milhões de seus cidadãos, mesmo aqueles que não eram tão merecedores…

  2. mais uma vez o mec mostra sua

    mais uma vez o mec mostra sua esquisofrenia. O cara não é pesquisador do  Ipea atoa, não gosta das opniões dele, ok , cada um defende sua ideolgia, ok mas pra que ficar nomeando e exonerando em menos de um dia. O que custa fazer um planejamento de pessoal ?

    • Escola sem partido

      Fabio, a proposta  do MEC é de Ensaio X Erro. Se ninguém reclarmar , o sujeito fica ….

       

  3. + comentários

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