Brizola, herança trabalhista, Globo, Legalidade e o atual golpe, por Rafael Machado Madeira

Por Rafael Machado Madeira

via Facebook

Há 55 anos, o Rio Grande do Sul se levantava contra uma clara tentativa de golpe institucional.

Capitaneado pelo então Governador Leonel de Moura Brizola, que aliou coragem, habilidade política e senso histórico ao conquistar o apoio do comandante do Terceiro Exército e mobilizar a Brigada Militar e os setores democráticos da sociedade civil sul-rio-grandense em defesa da democracia e da manutenção do Estado Democrático de Direito.

Nunca fui e não sou brizolista, mas reconheço naquele ato uma das mais belas páginas da nossa história.

Na morte do ex-governador, fui ao Palácio Piratini prestar homenagem e me marcaram muito as diversas fotos do Brizola coordenando a campanha da legalidade.

Fico pensando o que Brizola diria se visse aqui no RS deputados federais que “se criaram” e se elegeram sob a legenda que ele fundou votando a favor de um processo de impeachment que não possui argumentação jurídica consistente (para dizer o mínimo), capitaneado por figuras como Eduardo Cunha, sustentado pelos grandes veículos da mídia e atendendo aos interesses das organizações Globo, que tanto perseguiram Brizola ao longo da sua vida.

Prezados deputados do PDT, é o seu lugar no legado do trabalhismo que está em jogo.

(Prezado Nassif. Meu nome é Rafael Machado Madeira, sou cientista político e professor do PPG em Ciências Sociais da PUC/RS. Tomo a liberdade de lhe enviar pequena reflexão acerca da incompatibilidade do posicionamento de alguns deputados do PDT com a história deste partido e do seu fundador e grande lider.)

3 comentários

  1. Brizola foi

    Brizola foi inegualável..estava sempre na frente ..Cometeu seus erros….MAs teve muitos mais acertos em sua vida….O ESPÍRITO DELE AINDA VIVER…

  2. Brizola foi um injustiçado

    Brizola foi um injustiçado pelo povo brasileiro. Sei que vou mexer num vespeiro, mas afirmo sem receio das ferroadas: mereceria muito mais ser presidente que o Lula. Não levou em 1989 porque sua rejeição(na realidade medo) pelas elites, à frente o aparato midiático capitaneado pela Globo(Roberto Marinho), atingia níveis que deixava Lula como um reles cordeirinho. Aliás, Lula nessa época longe estava da posição referencial que possuiria após 2002. 

    Brizola era homem de posições. Jamais admitiria, em nome de qualquer governabilidade, abdicar dos seus ideais. 

    Para o término da conversa: só por ter enfrentado, e vencido, a Globo(na realidade o patriarcado midiático) já poderia ter seus erros perdoados. 

  3. A campanha da Legalidade foi

    A campanha da Legalidade foi um momento importante e bonito de Brizola, mas destacar apenas isso é reduzir sua luta pela democracia. Brizola resistiu a deixar o pais em 1964, na esperanca de montar uma resistência; sequer esperou o fim da ditadura para dar início a retomada do trabalhismo. Brizola chegou a se posicionar contrário ao golpe de Collor, tamanha era sua fidelidade à democracia. Sua importância vai muito alèm de 1961 e não é preciso ser brizolista para admitir isso. 

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