Ideologia e nomeação de amigos avançam sobre “indicações técnicas” de Bolsonaro

Foto: Agência Brasil
 
Jornal GGN – Eleito prometendo apenas nomeações técnicas para a máquina pública e estatais, Jair Bolsonaro chegou ao décimo primeiro dia de governo cercado de indicações que causaram polêmica. Só nesta semana, o filho do vice-presidente foi promovido no Banco do Brasil e mais que triplicou o salário, e outro amigo “particular” do capitão da reserva, há mais de 20 anos, deve multiplicar os rendimentos por cinco, caso a Petrobras aceite sua indicação para um dos cargos de gerência.
 
Aos questionamentos que vem recebendo, Bolsonaro decidiu responder com um deboche: “Peço desculpas à grande parte da imprensa por não estar indicando inimigos para postos em meu governo!”
 
Antes disso, quando a nomeação de seu amigo particular para a Gerência Executiva de Inteligência e Segunraça da Petrobras foi divulgada, o presidente escreveu nas redes sociais. “A era do indicado sem capacitação técnica acabou, mesmo que muitos não gostem.” Depois, quando críticas se avolumaram, ele apagou a mensagem sobre o critério técnico e escreveu: 
 
“A seguir o curriculo do novo Gerente Executivo de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras, mesmo que muitos não gostem, estamos no caminho certo!”
 
Carlos Victor Guerra Nagem ainda passará pelo crivo da direção da Petrobras. Ele é funcionário da estatal há 11 anos, sendo 6 lotado na área de segurança. É mestre em Administração, professor universitário e capitão-tenente da reserva da Marinha. Ganhava cerca de R$ 11 mil e agora, com a promoção, poderá passar para quase R$ 50 mil.
 
A mesma ascensão meteórica que Nagem também foi conquistada pelo filho do vice-presidente da República, Antonio Hamilton Rossel Mourão, que após a posse de Bolsonaro foi nomeado para o cargo de assessor especial da Presidência do Banco do Brasil, elevando seu salário de R$ 14 mil para R$ 36,5 mil.
 
A notícia chocou funcionários do banco, que afirmam que há pessoas mais qualificadas que não foram cogitadas para o posto. 
 
A imprensa chegou a divulgar que Mourão teve de explicar a nomeação para Bolsonaro. O vice, em matéria de O Globo desta sexta (11), nega. “Não teve necessidade (de falar com o presidente). É uma coisa interna da instituição, que é uma S.A. (sociedade anônima)”.
 
Há ainda o caso do chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Mesmo com o PT fora do poder há quase 3 anos, em decorrência do impeachment de Dilma Rousseff, Onyx anunciou uma “despetização” na pasta e promoveu demissões em massa. Passou a comprometer a estrutura do Ministério e teve de recontratar os mesmos funcionários.
 
A primeira-dama Michelle Bolsonaro também emplacou nomes na Esplanada como Priscila Gaspar na Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência, subordinada ao Ministério dos Direitos Humanos. A titular é ativista e amiga pessoal de Michelle, além de ter atuado na campanha de Bolsonaro. 
 
Quem também teve influência sobre Bolsonaro foi Olavo de Carvalho. Ele emplacou o ministro da Educação, Ricardo Veléz. Este, por sua vez, nomeou para o setor que cuida do Enem um economista militante da Escola Sem Partido, vendedor de curso sobre o olavismo e combatente do “marxismo cultural”.

5 comentários

  1. O filho do general Mourão não

    O filho do general Mourão não foi “promovido”, e sim, ganhou uma sinecura. Compõe o escalão intermediário da carreira administrativa, muita longe ainda dos primeiros escalões. Trata-se de uma clara e talvez inédita agressão ao que no Banco do Brasil sempre foi cultuado como um Valor: a supremacia do mérito. 

    Como ex-funcionário, ora aposentado, com mais de doze anos como administrador(gerente de agências), funcionário desde 1979, ainda na ditadura, JAMAIS vi, assisti, soube, de ato tão afrontoso a uma empresa bi-centenária que sempre se destacou pelo irrestrito apego a uma governança balizada em padrões éticos rígidos e inegociáveis. 

    E vem mais por aí. Atentem para as justificativas do novo presidente do banco, senhor Rubens Novaes: 

    “Antônio é de minha absoluta confiança e foi escolhido para minha assessoria, e nela continuará, em função de sua competência. O que é de se estranhar é que não tenha, no passado, alcançado postos mais destacados no Banco”, destacou o novo presidente do BB”.

    Ora, o currículo funcional e acadêmico do rapaz não é condizente para o cargo. Aliás, é se for na categoria ASPONE-Assessor para P…Nenhuma. O que efetivamente contou foi ser, coincidentemente, filho do vice-presidência da República. Nesse sentido, o sr. Rubens Novaes faltou com a verdade. Inclusive quanto a insinuação de que foi preterido em governos passados. 

    Ele mesmo, Rubens Novaes, foi uma escolha desastrosa(como a maioria feita pelo atual governo) para a chefia do BB. Será,isso é certo, uma INGRATA surpresa. Temo pelo destino dessa instituição.

    Quem viver, verá? Verá, sim. 

  2. pelo menos isso…

    não podemos dizer que é fuga total da realidade, pois a mamata continua firme e forte e com salários em torno de 50 mil só para amigos e poiadores que tentaram se eleger e não conseguiram

  3. Nomeações e indicações segundo a “lógica bolsonarica”

    Não se pode esquecer do Caso APEX, onde segundo se divulgou, o “meritocrata” indicado teria, por conta de sua “posição” na empresa, participado de importante reunião onde todos os partícipes dominavam outro idioma que não o português, enquanto ao distindo “chefe”, aquinhoado com o bem remunerado posto, restava nada entender do que ali se falava…..logo ele, “amigo da família imperial”!!!!!

    A este exemplo, somado aos já citados pela mídia sempre tida como inimiga, blogs e sites incluídos “et pour cause”, há que se acrescentar a plêiade de “oriundos da caserna”, como aliás pululam exemplos no mito-ministério, todos salvo raras exceções, raríssimas talvez, escolhidos com base na data de inclusão ou exclusão das FFAA, a exemplo do “mito”, ou mais ainda, pela data de adesão ao ideário de Messias & filhos.

    Não ficarei surpreso, se passadas as primeiras semanas, com a decisiva e notória ajuda do ex-juizeco de Curitiba, até mesmo o Motorista Fabrício Queiróz ainda acabar pilotando o Rolisroice Presidenciale em alguma inovadora solenidade na Praça dos Três Poderes ou no Eixão Monumental, enquanto sua prole coloca suas “encantadoras habilidades” a serviço de parlamentares ou néo-burocratas, estes últimos escolhidos após exame perfunctório de cada “currículum vitae” nos recônditos do Palácio da Alvorada ou nos momentos de lazer presidencial na Granja do Torto, aquela mesma aprazível “quinta” onde um tal General Figueiredo dizia “preferir o cheiro de seus cavalos ao cheiro de povo”, enquanto se recordava dos nomes de “inimigos do regime” que escolhia, sob ordens do Chefe Ernesto, quem morreria ou quem viveria.

    Por oportuno, desejo aos que me dão momentos de sua atenção, um Feliz 1964!   

  4. Novos verbetes da língua

    Novos verbetes da língua Portuguesa:

    MOURALIZAÇÃO: ato de pregar a moralização das práticas na administração pública para os filhos dos outros.

    MOROLIZAÇÃO: ato de fechar os olhos à corrupção de familiares do chefe.

     

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