Com Moreira Franco no alvo, Cunha diz que dificilmente Temer conclui mandato

Jornal GGN – Prometendo um livro com os bastidores do impeachment e detalhes sobre a participação de Moreira Franco nas operações do Porto Maravilha, Eduardo Cunha diz que não tem por quê defender um governo que ajudou a cassar seu mandato de deputado federal. 

Na mira da Lava Jato, Cunha tenta passar a imagem de despreocupado com qualquer prisão e centrar esforços em desgastar Temer, afirmando que o hoje presidente não tem “legitimidade” para impor um programa de governo que não foi aprovado nas urnas.

Para Cunha, Temer dificilmente chegará ao final do mandato, embora consturído um caminho para que essa situação de instabilidade política seja “empurrada com a barriga” até 2018.

 

Abaixo, alguns trechos da entrevista à jornalista Vera Rosa, do Estadão.

E o que ele [Temer] deve fazer [para ter alguma popularidade]?
Acho que tem de ser uma coisa mais light, tentando recuperar aquilo que a Dilma descumpriu, sem movimentos radicais. Uma vez o próprio Michel disse o seguinte: “A presidente não vai conseguir se aguentar com esses índices de popularidade”. Só que ele está (em situação) semelhante. Dilma precisava recuperar popularidade. Ele precisa ganhar, porque não tem. O Michel tem de tomar cuidado porque, no fundo, o PSDB quer jogar a impopularidade no colo dele para depois nadar de braçada. Mas quem manda no governo é o Moreira Franco.

Por que o sr. chamou Moreira Franco de eminência parda?
Ele é muito mais do que eminência parda. Moreira Franco, que se diz sociólogo, é o cérebro do governo. Foi ele que articulou a candidatura do genro, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para ser presidente da Câmara, atropelando a base aliada.

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Dilma dizia que o sr. era quem mandava no governo interino.
Fica claro hoje que não era. O Moreira Franco era vice-presidente (de Fundos e Loterias) da Caixa, antes do Fábio Cleto, que fez a delação falando de mim. Quem criou o FI-FGTS na Caixa foi o Moreira Franco. Toda a operação no Porto Maravilha foi montada por ele. No programa de privatização, dos R$ 30 bilhões anunciados, R$ 12 bilhões vêm de onde? Do Fundo de Investimento da Caixa. Ele sabe de onde tirar dinheiro. Esse programa de privatização começa com risco de escândalo. Nasce sob suspeição.

Delatores dizem que o sr. recebeu propina na obra do Porto Maravilha. E Fábio Cleto era ligado ao sr., seu braço-direito na Caixa.
Fábio Cleto era ligado à bancada do PMDB e eu desminto qualquer recebimento de vantagem indevida. Acho engraçado quando você pega e fala de delação, citando Porto Maravilha, quando quem conduziu toda a negociação e abertura de financiamento, em conjunto com o prefeito do Rio (Eduardo Paes), foi o Moreira. E agora aparece uma denúncia e é contra mim? Isso é surreal. Quem comandava e ainda comanda o FI (Fundo de Investimento) chama-se Moreira Franco. E lá tem muitos financiamentos concedidos que foram perdas da Caixa. Na hora em que as investigações avançarem, vai ficar muito difícil a permanência do Moreira no governo.

De que perdas o sr. fala?
Uma de que me lembro foi da Rede Energia. Outra foi da Nova Cibe. O uso de energia, na época, teve escândalo grande.

O sr. tem provas em relação a Moreira Franco?
Estou levantando suspeição, em minha defesa, por uma razão muito simples. Há um inquérito instaurado com uma delação do Fábio Cleto em cima de uma operação que foi feita quando Moreira era vice-presidente da Caixa.

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Na sua avaliação, o presidente termina o mandato?
Espero que termine. Desejo sucesso a ele, mas vejo muita dificuldade. Há ainda o risco do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral, que pode cassar a chapa. Se levar a julgamento, vai cassar. As provas são irrefutáveis. Pergunto: por que o PSDB não desistiu da ação? Para deixar uma faca no pescoço.

Então o sr. avalia que o PSDB teria de deixar o governo?
Não acho que tenha de colocar o PSDB e o DEM para fora, mas esses dois partidos não podem querer tomar conta do governo na mão grande. É isso que solidifica o discurso do golpe. O País ainda não entrou numa estabilidade política.

E vai entrar?
Acho que vamos nessa situação de empurrar com a barriga até a eleição de 2018.

O que o sr. não faria novamente, se pudesse voltar atrás?
Talvez eu devesse ter sido mais Renan (Calheiros, presidente do Senado) e menos Eduardo Cunha. Renan é jogador, é falso, é dissimulado. Eu meço menos o que vou fazer. Outro erro do qual me arrependo foi ter anunciado o rompimento com o governo Dilma. Eu deveria ter rompido na prática, mas não no verbo.

O sr. vai sair do PMDB?
Por que vou sair do PMDB? Minha guerra não está perdida. Ainda está só começando.

Leia a entrevista completa aqui.

2 comentários

  1. Cunha falastrão

     

    Veja só o blog do Esmael Morais:- é possível ? desanimador.

     

    A delação de Cunha, segundo O Antagonista, tem alcance internacional. Ele teria aberto canal com o Departamento de Justiça americano.

    Se Cunha procurou a Justiça estrangeira é porque, possivelmente, não confie na Justiça brasileira.

    Temer e o PMDB têm frouxos intestinais porque teme que a delação chegue a um fundo clandestino peemedebista, em Londres, de US$ 500 milhões — cerca de R$ 1,6 bilhão na cotação de hoje.

  2. A Justiça Brasileira defende

    A Justiça Brasileira defende o interesse americano, e o golpe faz parte de uma política de estado americana. Duvido que a justiça americana irá desmontar o golpe, e se derrubar Temer, será para algo mais pró-Estados Unidos ainda… como uma eleição indireta com PSDB.

    Duvido que isso traga algo de bom… simplesmente Cunha deverá trazer a justiça Americana para a caça ao Lula, uma vez que a Brasileira já está desmoralizada…

     

     

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