Bolsonaro miniza queda de 9 ministros em 1 ano e meio. Relembre casos

"Nenhum ministro saiu por corrupção ou acomodação partidária. No passado, trocava centenas de ministros por ano e a imprensa falava nada". GGN faz o balanço

Foto: REUTERS/Adriano Machado

Jornal GGN – Em menos de um mês, caíram três ministros do governo de Jair Bolsonaro. E em menos de um ano e meio de sua gestão, um total de nove ministros saíram. Mas o mandatário minimiza a alta circulação e instabilidade e afirmou, hoje, que “no passado trocava centenas de ministros por ano e a imprensa falava nada, agora trocam um aqui e eles…”.

“Nenhum ministro saiu por corrupção ou acomodação partidária. No passado, trocava centenas de ministros por ano e a imprensa falava nada. Agora trocam um aqui e eles…”, foi a declaração do mandatário, sem concluir a frase, minimizando os nove ministros que caíram em menos de 17 meses.

O GGN traz um balanço da circulação ministerial do governo Bolsonaro:

Gustavo Bebianno

O primeiro a sair foi o secretário-geral da Presidência da República e, ao contrário do que manifestou o mandatário hoje, Bebianno saiu em meio a um esquema de corrupção investigado.

Conhecido como esquema de candidaturas laranjas, o partido de Jair Bolsonaro, o PSL, foi acusado de desviar verba pública eleitoral, logo no segundo mês de governo. Para barrar que a sangria do caso recaísse contra ele próprio, Bolsonaro decidiu demitir Bebianno, que era presidente do partido de Bolsonaro durante as eleições 2018.

O ex-ministro morreu no dia 14 de março deste ano, aos 56 anos, por um infarto, de acordo com a sua família. Gustavo Bebianno vinha denunciando o governo Bolsonaro e afirmava que se sentia ameaçado e com medo (leia mais aqui).

Ricardo Vélez

O primeiro ministro da Educação de Bolsonaro também foi demitido pouco tempo depois de Bebianno. Mas a crise política que desembocou em sua saída foi provocada pela disputa entre a ala de militares e a chamada ala “olavista” do governo, que era o setor de apoiadores de Olavo de Carvalho, a quem Bolsonaro se inspirava como guru durante a campanha eleitoral e no início de seu mandato (relembre).

No seu lugar, entrou o polêmico ministro Abraham Weintraub, que mantém afinidade ideológica com Bolsonaro.

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Carlos Alberto dos Santos Cruz

Da mesma forma que saiu Vélez, dois meses depois, a saída do general Carlos Alberto dos Santos Cruz foi motivada por uma crise ideológica do governo Bolsonaro (leia aqui), mais especificamente com seu filho 02, Carlos Bolsonaro. O então secretário de Governo também havia tido embates com Olavo de Carvalho.

Floriano Peixoto

Entrando no lugar de Bebianno na Secretaria-Geral da Presidência, o general saiu no mesmo mês que Carlos Alberto, e foi motivada para atender interesses do mandatário no cargo. Floriano foi rebaixado a uma indicação na presidência dos Correios.

Gustavo Canuto

No comando do Desenvolvimento Regional, Canuto era responsável pelo programa Minha Casa, Minha Vida, e foi demitido por Jair Bolsonaro em fevereiro deste ano, a polêmica de atrasos e fila de espera no programa (entenda). Em seu lugar, entrou uma pessoa de maior afinidade com o mandatário, Rogério Marinho, que era então secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

Osmar Terra

A saída do deputado Osmar Terra foi uma das únicas não impulsionadas por mero interesse do mandatário, em trocas de cargos por aprovações de medidas junto ao Congresso, ou por compatibilidade ideológica (leia aqui). O deputado federal do MDB foi retirado no dia 13 de fevereiro do Ministério da Cidadania para, em seu lugar, entrar o então ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Onyx era ministro da Casa Civil, pasta que ficou a cargo do general Walter Souza Braga Netto, também em ação guiada pela disputa de alas idológica x militares do governo Bolsonaro.

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Luiz Henrique Mandetta

O ministro que vinha se destoando do discurso anti-OMS de Jair Bolsonaro e contra as recomendações mundiais da saúde para o combate ao coronavírus, Luiz Henrique Mandetta foi demitido em abril recente (aqui). Ao ser demitido, Mandetta admitiu que havia uma diferença de posição de Bolsonaro com a sua no combate à pandemia. Foi o segundo ministro da América Latina a cair em plena crise do coronavírus.

Nelson Teich

No lugar de Mandetta, entrou o oncologista Nelson Teich, que sem completar um mês no cargo pediu demissão na semana passada, sem explicitar as razões (relembre).

Sérgio Moro

O ex-juiz da Lava Jato que foi considerado peça-chave para a vitória de Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições 2018, Sérgio Moro abandonou o posto denunciando prática ilegal do presidente Jair Bolsonaro, de que queria interferir na Polícia Federal (reveja).

Da mesma forma como o primeiro ministro de Bolsonaro saiu em meio a um ápice de investigações ilícitas que recaiam contra o mandatário, Moro acusou Bolsonaro de cometer o abuso e ilegalidade, em processo que está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

 

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