Sérgio Reis: é possível tirar mais 106 bilhões de litros do Jaguari-Jacareí?

Crise da Água: Será que dá para tirar mais 106 bilhões de litros do Jaguari-Jacareí?

Conforme verificamos que vai se tornando inevitável o uso da segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira – o qual depende, ainda, de uma autorização da ANA para que venha a ser utilizado –, surgem algumas questões sobre a viabilidade de sua extração. O mapa editado abaixo (trabalhado a partir do Google Maps) apresenta um conjunto de questões relevantes, do ponto de vista da transparência, que o cidadão paulista deveria ter fácil acesso para compreender o que está ocorrendo – são informações encontradas em documentos esparsos sobre o Sistema. Seria um esforço didático, de esclarecimento, que a SABESP deveria fornecer – e que não o faz. Arrisco-me aqui a dar uma contribuição nesse sentido:

Esquema Interpretativo: Represas Jaguari e Jacareí

Conforme apontado no mapa, a represa Jaguari-Jacareí, coração do Cantareira, é de fato formada por dois reservatórios: o Jaguari, menor, identificado por meio de um círculo; e o Jacareí, maior, a partir de onde a água é enviada para a represa Cachoeira. Uma grande dificuldade é encontrar os dados desagregados para esses dois reservatórios, o que foi possível por meio de relatórios antigos de monitoramento do Sistema e de artigos de revistas científicas da época do lançamento da chamada “etapa III” do Cantareira (em 1982, a partir do enchimento desses dois reservatórios).

Até 2004, o mínimo operacional dessas represas estava na cota 829 m. Depois da renovação da outorga, ele caiu para o parâmetro 820,8 m. Abaixo disso, temos o volume morto. Cada represa tem o seu. No mapa, notamos que o Jacareí possui 188,1 hm³, ao passo em que o Jaguari possui 41,4 hm³. Próximo do ponto em que identifico o túnel T7 (que envia a água desse reservatório para o Cachoeira) estão as comportas que realizam essa transferência do líquido. A última soleira se encontra no nível 818 m, mas desde o “zero operacional” a gravidade não age mais para enviar naturalmente as águas, daí, então, a necessidade do uso das bombas.

Do outro lado, a vários quilômetros de distância, está o canal de interligação entre as represas. Do lado do Jaguari, inicia-se na cota 817,5 m, e chega no Jacareí na cota 813,5 m. Isso significa, em outras palavras, que quando as represas atingem um nível inferior ao valor mais alto especificado, elas deixam de se “comunicar”. É o que está acontecendo no momento (estamos, hoje, na cota 817 m). Para além de todos os outros problemas em procedimentos do tipo (como os empoçamentos de partes da represa que são mais baixos e que demandam, então, os canais que a SABESP tem feito), aí se encontra uma dificuldade considerável para a SABESP.

Explicando melhor, sabemos que a 1ª cota do volume morto representava uma quantidade de água a ser extraída dessas represas da ordem de 104,33 hm³ (hoje temos cerca de 30 hm³ remanescentes). Já a segunda cota foi especificada pela SABESP em 106 hm³. O volume morto total a ser retirado, então, é de 210,33 hm³, e o que sobraria de água, depois disso, seria inferior a 20 hm³ – o que configuraria, efetivamente, o fim da represa, já que ela restaria com menos de 2% de sua capacidade total, e uma área molhada de menos de 10% do que seria a totalidade dos reservatórios – uma situação ainda pior do que a do paradigmático caso do Mar de Aral (no Casaquistão).

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O que agrava a situação, como vimos, é que uma parte do volume morto do Jaguari se encontra abaixo da cota em que esse reservatório perde contato com o Jacareí. Ao final da primeira cota, a represa maior sobrará com aproximadamente 92,65 hm³. Como a segunda cota é de 106 hm³, para utilizá-la completamente a SABESP precisaria bombear o volume morto do Jaguari – restariam cerca de 33 hm³ abaixo da cota 817,5 m (cálculo a partir de uma regressão polinomial) – para o canal de interligação que une as represas. Mas não é só isso: seria preciso fazer com que essa água percorresse uma enorme distância até chegar ao T7 (nas estimativas grosseiras feitas com o Google Maps, seriam mais de 16 km de canais).

Haveria, enfim, um agravante final: a própria entrada desse túnel se situa na cota 809,6 m. Como o final da segunda parcela do volume morto é estimado para a cota 806 m, então seria necessário conectar diretamente as bombas ali situadas nessa estrutura, para que seja, ainda, possível a transferência de água. Não sabemos se isso é efetivamente possível, nem se seria viável realizá-lo com as bombas em funcionamento. O provável é que a retirada de água tivesse de ser temporariamente suspensa para o término de mais um improviso – e então a SABESP dependeria de algum volume de água remanescente em outras represas que, hoje, ela não possui.

O que quero dizer com isso é que é consideravelmente improvável que todos os 106 bilhões de litros de água sejam efetivamente retiráveis dessas represas, algo que, é claro, não tem sido comentado pela imprensa – que traz a informação sobre a extração dessa nova fatia de volume morto como um sinal de alívio e de “preparo”, e não de alerta máximo. Os quase 14 bilhões de litros a menos, de acordo com a previsão apresentada (os 106 hm³ previstos subtraídos dos 92,65 hm³ eventualmente possíveis), significariam algo como 20 dias a menos de sobrevida do sistema – o que pode fazer toda a diferença no cenário crítico em que nos encontramos.

Há, portanto, todo um conjunto de dificuldades expressivas que precisam ser endereçadas para que a segunda cota do volume morto possa vir a ser, de fato utilizada. Há até outras questões, como o caráter acidentado do terreno da represa e o fato de que a dragagem para a construção dos canais que unem as poças precisar ser feito o tempo todo, sob o risco de a terra retirada retornar e assorear a represa. De certa forma, é uma espécie de realização do mito de Sísifo.

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Essas são algumas das questões operacionais da ordem do dia. Em qualquer contexto, serviria como um caso de extrema curiosidade e interesse para a imprensa (visto ser tratar de um fenômeno excepcional). São muito escassas, no entanto, as abordagens nesse sentido, como venho tratando em outros artigos. É diante desse desapego midiático e da falta de transparência da gestão Alckmin – um sinal evidente de desrespeito para com os cidadãos em qualquer nação civilizada – é que realizamos essas tentativas de explicação.

Há, contudo, quem perceba alertas como os que têm sido feitos como meras tentativas de partidarização da questão, como se não fosse possível ser absolutamente crítico à forma com que a crise tem sido conduzida pela gestão Alckmin sem que se possa ter uma preocupação genuína e republicana com a situação. Há quem consiga ver a gestação de uma tragédia com os olhos de quem assiste a um ato heroico do Governador. Há heroísmo, sim, mas definitivamente não é de Alckmin, mas sim dos operários da empresa, responsáveis operacionais, até agora, pela viabilização de um imenso improviso. Não há o que elogiar a respeito de uma gestão que se encontra há 20 anos no poder e que não foi capaz de preparar o Estado para lidar com situações que fossem diferentes da média histórica. Conforme já mostrei em outros artigos, essa não foi a primeira vez. Houve a escassez em 2000, em 2001, em 2004 e agora. Houve as cheias em 2010 e 2011 (que causaram enormes enchentes e prejuízos). A cada ocasião, um discurso de inimputabilidade – “é a maior seca em x anos”; “é a maior estiagem em x + y anos”; “é a maior precipitação pluviométrica em z anos”.

Num mundo em que apenas a natureza é culpada, não há espaço, definitivamente, para a genialidade humana – domínio, por excelência, da gestão pública. Apenas cabe, com efeito, o improviso e o “jeitinho”, que custarão, agora, o fim da maior represa de abastecimento da América Latina. É esse o feito de Alckmin, que subestimou a crise desde o primeiro instante – e o faz até hoje. Rejeitou o racionamento, quando ainda fazia sentido adotá-lo. Rejeitou reduzir as vazões de saída, mesmo com as pressões da ANA. Rejeitou fazer estimativas com as mínimas históricas, mesmo com os dados claramente apontando para uma realidade ainda pior do que essa. Rejeitou aplicar multas ao desperdício, depois de dizer que as utilizaria. Rejeitou declarar estado de emergência, mesmo diante da disseminação dos problemas de abastecimento por todo o Estado. Rejeitou admitir a necessidade de utilizar a segunda cota do volume morto. Rejeitou equilibrar as vazões de saída do Alto Tietê, sistema produtor de água que se encontra em situação quase tão lastimável quando a do Cantareira mesmo com níveis de chuva e vazões afluentes próximas à média – uma comprovação de sua gestão desastrosa. Merece aplauso?

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Existe um lugar comum na gestão pública de que “as instituições aprendem”. Ou seja, o contexto empírico  as experiências as levam a incrementarem os padrões de qualidade da sua atuação. O Governo de São Paulo é um case em sentido contrário. Não aprendeu com as crises, seja de estiagem, seja de cheias. Toda a corrida contra o tempo atabalhoada que é empreendida agora poderia ter sido evitada a partir de medidas simples, como a redução das vazões de saída da ordem de 20% desde meados de 2012 (quando, ininterruptamente, nos deparamos com vazões de entrada abaixo das médias históricas). O Governo de São Paulo teve tempo, mas não agiu. Teve anos para planejar, mas praticamente nada saiu do papel nos últimos 10 anos. Teve anos para adotar medidas alternativas, mas o respiro só virá, acreditem, em 2018, quando ficará pronto o São Lourenço (ficará? Ele seria inaugurado em 2012, provavelmente junto com a linha laranja do Metrô). Teve vários meses para nos apresentar (sim, para nós, cidadãos, e não para os acionistas da Bolsa de Valores) um plano de contingência a ser adotado a partir de Março de 2015, caso ainda teremos água até lá. Alguém viu esse documento?

É um tanto irrelevante, a essa altura, que modalidade de estelionato eleitoral estaria em curso. O problema já é tão grande que, de fato, não há muito o que escamotear. O completo desabastecimento está aí, à nossa frente. Os dados que apresentamos acima dão uma dimensão da insustentabilidade (hídrica, gerencial e ambiental) de se continuar explorando o Cantareira dessa forma. As represas irão secar. Pode ser que o paulista não se indigne, que prefira colocar a culpa em si mesmo ou, melhor ainda, na natureza, aceitando o sumério discurso de Alckmin. O legado material, real e fático, contudo, estará aí. Milhões de pessoas ficarão sem água. Creches, escolas, hospitais. Diante de uma postura tão conivente, frágil e quase inimputável de uma administração, que faremos? Agiremos cada um por conta própria, abrindo poços, comprando caminhões-pipa? Como lidaremos com o “day after” da seca? Concorde você ou não com a tecnologia administrativa de Alckmin, esta tenderá a ser, quase inevitavelmente, uma pergunta que cada um fará cada vez mais, mesmo que nos deparemos com a alegria dos dilúvios ocasionais de verão.

25 comentários

  1. Algumas questões

    1. A Sabesp nunca teve administradores, mas sim operadores do caixa do PSDB; 

    2. Nenhuma empresa séria distribui 60% do lucro líquido a título de dividendos, o normal não passa de 25%. Acima disso tem nome, chama-se gestão temerária. É o que vem acontecendo há 10 anos, com especial destaque para o ano de 2003, com distribuição de inacreditáveris 60% do lucro líquido, no primeiro ano de Alckmin no governo de SP;

    3. Se o Estado de São Paulo fosse administrado pelo PT, desde janeiro o Jornal Nacional seria transmitido diretamente da Cantareira, com a Patrícia poeta dentro de um barquinho, com uma régua, medindo o nível da represa;

    4. A tragédia da falta de água em SP só virá a público, de fato, após o dia 5 de outubro. 

    http://csbbrasil.org.br/sabesp-distribui-ate-60-dos-lucros-aos-acionistas-durante-governo-alckmin/

     

     

     

     

    • Se o pós-eleitoral houver

      Se o pós-eleitoral houver QUALQUER DESVIO DO QUE ATUALMENTE FALA O GOVERNADOR, será entendido, não pelos grupos de mídia, mas pelos eleitores como ESTELIONATO ELEITORAL e aí será o FIM DO psdb em são paulo!

      Assim, ainda que o 8% perca, poderá sair ganhando….

      • Qual e a ideia dos tucanos?

         

        Com a vitoria de Alckimin no primeiro turno, a ideia e revelar a crise hidrica logo apos as eleicoes a tempo de acusar a Presidenta Dilma como a responsavel pela falta de agua em Sao Paulo.

        • “a ideia e revelar a crise

          “a ideia e revelar a crise hidrica logo apos as eleicoes”:

          !!!!!!!!!!  Eh por razao ELEITORAL que nenhum jornal de Sao Paulo passou de helicoptero ou teco teco em cima pra tirar fotos!

  2. Viva os liberais

    liberal é silogismo para privatização dos lucros e socialização dos prejuízos. Viva para os tucanos alquimista!

  3. dentes, na política da terra arrasada

    Resumo da ópera:

    Já amanhã, vai faltar água até para escovar os dentes!

    Junto com a água desaparecerão os empregos, a produção industrial, o PIB, a paz social.

    Ensinou Maria Antonieta: -O povo quer água? que bebam chuchu!

  4. é claro  que essa mórbida

    é claro  que essa mórbida colusão

    de interesses entre tucanos e  a grande mídia

    um diase revelaria de form espantosa, como agora

    se revela nesta seca.

    secarão juntos ou

    cada um tem seu tempo

    certo

    para definhar?

  5. “A turminha dos 8%”

    O Cantareira está perdendo 0,2% em dias úteis e 0,1% em sábados e domingos: 

    18/09 – 8,6%   –   19/09 – 8,4%    –   20/09 – 8,2%    –   21/09 – 8,1%   –   22/09 – 8,0%    –   23/09 – 7,8%    – 24/09 – 7,6%    – 25/09 – 7,4% (hoje)

    projeção para 05.10, considerando 0,2% em dias úteis e 0,1% finais de semana: 5,8%

    Previsão de chuvas entre 25/09 e 04/10 (Climatempo) – 57 mm (média de 5,7 mm/dia), ou seja, nada. Milhares de paulistanos só vão descobrir quando abrirem a torneira. “Ué, o que será que está acontecendo? Será manutenção da rede?”

    • ou melhor

      “paulistanos só vão descobrir quando abrirem a torneira.”

      ou melhor:  QUANDO ABRIREM AS URNAS!

  6. Correção

    O Jaguari-Jacareí não é o maior represamento de água para o consumo humano da América Latina. O Açude Castanhão, em Jaguaribe (CE), é quatro vezes maior que todo o Sistema Cantareira (e mesmo com toda a seca do nordeste, ainda está com 30% do volume armazenado).

    • Marco Aurélio, agradeço pelo

      Marco Aurélio, agradeço pelo comentário. Não fui, de fato, preciso o bastante na minha afirmação. Realmente, o Cantareira não é o maior represamento de água da América Latina do ponto de vista de sua capacidade de armazenagem. Ele o é, sim, da perspectiva do número de beneficiários (cerca de 14 milhões de pessoas, incluindo-se os cidadãos do PCJ), que era o que estava querendo dizer. Saudações.

  7. Aguardemos o irreversível !

    Há dois dias atrás, comentando um outro artigo do Sergio, eu pedí o envolvimento de quem tivesse maiores conhecimentos a respeito deste fato que ameaça o nosso sistema de abastecimento de água, porem não esperava, que a “coisa” estivesse nesse patamar de irreversibilidade.

    O último parágrafo da sua exposição hoje, é descrita com uma racionalidade aterradora, e remete-nos a pensarmos em soluções paliativas, pois o “sonho” de que “dilúvios ocasionais” ocorram, é pura utopia. Vão ser preciso, muitos períodos de chuvas torrenciais sobre as cebeceiras dos rios que abastecem o nosso sistema de captação, e “outros”governadores com vontade política, para que daqui a alguns anos, voltemos á normalidade, no abastecimento de água, e o livramento desta agonia iminente.

    • Pois é, Raí. Relendo agora o

      Pois é, Raí. Relendo agora o artigo até percebi que não completei o meu raciocínio, porque pretendia questionar sobre o que fará a (imensa maioria da) população que não terá condições financeiras de se virar dessa forma quando o desabastecimento ocorrer. Naturalmente, teremos uma incrível inflação de preços dos poços e dos caminhões-pipa, os quais poderão ser adquidos/construídos, possivelmente, apenas pelos grandes hospitais, escolas, hoteis e condomínios. Como sempre, sabemos quem serão os maiores atingidos pelo problema, ainda que, no final das contas, toda a sociedade será direta ou indiretamente afetada, dado o imenso impacto que ocorrerá na indústria e no setor de serviços. 

      • Sérgio, você deve saber,

        Sérgio, você deve saber, melhor que eu, por conta de sua dedicação a este problema que cavar poços artesianos também não é solução para muitos, porque estruturas subterrâneas, sem a pressão exercida pela água que foi retirada, desabarão. Teríamos, então, o surgimento de enormes crateras na cidade engolindo prédios e o que estiver acima destas. Meu Deus, me apavora pensar no possa acontecer em nossa maior cidade! Mesmo detestando os métodos  do PSDB na política e não sendo morador de São Paulo espero sinceramente que chova bastante nas cabeceiras dos rios que alimentam o Cantareira.

        Depois dessa lição também espero, que com o PSDB no poder ou fora dele (pois não acredito nas pesquisas em São Paulo), os paulistanos pressionem insuportavelmente seu governador para resolver definitivamente este problema. Não dá para o resto do Brasil ficar rezando eternamente pela intercessão de São Pedro e os governantes em São Paulo fazendo m#@&*.

  8. Sociedade de cegoS, mudos, surdos e…BURROS

    Fico impressionado com a nossa sociedade atual! Incapaz de ler, pensar, avaliar, votar correto, entender as mentiras do poder e da mídia, acreditando que as coisas não poder ficar muito, mas muuuiiito pior do que estão. Julgam-se, que o que já possuem, fossem direitos adquiridos e que não podem ser perdidos. Ter água, emprego ou renda, casa, transporte, segurança escola, justiça. etc. são “obrigações do estado” e portanto como os governantes são todos igualmente canalhas e corruptos (levados a pensar assim pelo nosso glorioso PIG), tanto faz, como tanto fez, quem nos governa. Para que pensar no assunto, não é verdade. Para que saber quais as ações que governantes da vez estão a levar a cabo? São todos iguais mesmo!

    Voltando ao assunto em pauta, a população de sampa, não consigo aceitar que, não saber ao que o sr alquimim os está levando, no caso da incrível falta de ação no que diz respeito da sabesp, já é de um burrice enorme. Não dá para dizer outra coisa! Como dizem na revista “Asterix”, por Tutatis e por Belenos (deuses gálicos), a maioria dos moradores da metrópole não percebe que a AGUA DA CIDADE DE SÃO PAULO E ENTORNOS VAI ACABAR  e com isto acaba a maior metrópole brasileira, responsável por parcela substancial do PIB brasileiro!

    Nenhum um outro orgão vai tomar nenhuma providência? Ministério público, STF (tão em moda), orgãos de representação do comercio, hotelaria, hospitais, escolas, indústrias, …. NÃO VÃO FAZER NADA?

    Só dá para ´pensar, ou estão todos cegos, surdos e mudos ou é questão de burrice coletiva!

  9. Alguem tem fotos recentes de

    Alguem tem fotos recentes de satelite ou aviao?

    Essa de Andre Bonacin eh de 2008 e ja mostrava problema alarmante.  Ninguem fez nada?!?!?!

    http://www.panoramio.com/photo/6851446

    Note se que Jacarei eh significantemente mais poluida e menos oxigenada (amarelado de plantas mortas) e que assim que a agua passa e comeca a se misturar a cor mais forte se degrada.  Mas as beiradas das represas nao deixam duvida nenhuma que ja havia possibilidade de seca, so que ninguem sabia que ia ser a pior da historia de SP.  Mesmo assim havia tempo e oportunidade pra Sabesp ser muitissimo mais cautelosa.

    Quanto dessa agua ainda resta?

     

    “Reservatórios – Jaguari (primeiro plano)/Jacareí (Sistema Cantareira), SP, Brasil”

  10. Crise de água em São Paulo

    Apresento  dois especialistas a falar sobre o possível desabastecimento que teremos, além disso nos contam a história do Sistema Cantereira, a formação da Sabesp e quais são os  responsáveis. Julio Cerqueira César (USP) e Antonio Zuffo (UNICAMP).

    Diálogos Capitais nas Livrarias, dessa vez em um debate com os estudiosos.

    Importantíssimo! Assistam.

     

    https://www.youtube.com/watch?v=Wqe6LQ5fMgo

  11. Lembrei do Quércia: “quebrei

    Lembrei do Quércia: “quebrei o banco [BANESPA] mas elegi meu sucesor, hehe”. Ou seja: não é o Alckmin; não são os tucanos: é São Paulo!

    • Muda-se as moscas, mas a merda, continua a mesma.

      O Quércia fez isso com o Banespa, e o Alckimin está fazendo o mesmo com o abastecimento de água do Estad, mas fará a sucessão para o PSDB continuar no Poder, reelegendo-se.

      E isso, no Estado mais politicamente evoluído do Brasil !

  12. Marina e a gestão
    Marina e a gestão pública Valéria Moraes, economista e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG)

     

    Já está claro para a sociedade que o programa de governo de Marina Silva não oferece fundamentos para acreditarmos que vá fazer uma “nova política”. Assim o é também nas suas propostas para a gestão pública. Compartilho neste artigo o editorial do Núcleo Celso Daniel de Administração Pública, do PT, que mostra, ponto a ponto, como a candidata e sua equipe estão perdidos sobre como atuar nessa área:

     

    “Marina e sua gestão déjà-vu

     

    Sabe aquela impressão de estar numa situação que já aconteceu, o déjà-vu? É o que sentimos ao ler a parte do programa de governo de Marina relativa à gestão pública. Ora ela reproduz as propostas da Reforma que compôs o triste período de enfraquecimento do Estado do FHC, ora ela diz que vai fazer o que os governos Lula e Dilma já fizeram, com sucesso. 

    No déjà-vu neoliberal, Marina propõe uma “reforma administrativa”, como se estivesse inventando a roda, como se não tivesse havido o Plano Diretor da Reforma do Estado do Fernando Henrique e o MARE e nem o Modo Petista de Governar e todas as melhorias de gestão promovida pelo PT e seus aliados. Entre as principais prioridades da “reforma”, a adoção de um “sistema de monitoramento e avaliação, articulando todos os órgãos com funções específicas na área a fim de que se avaliem permanentemente os serviços públicos a partir de seus resultados”, somando a isso a ideia de “sistema de metas, indicadores e bonificação por desempenho”. Uma proposta que, aos ouvidos menos acostumados, pode parecer “a” grande solução para todos os problemas da gestão federal, não fosse o fato de que essa foi uma das propostas mais emblemáticas de Fernando Henrique Cardoso, base para o que ficou conhecido depois como “choque de gestão”. 

    Essa proposta, além de  estar associada à consultorias privadas contratadas a peso de ouro, confunde os objetivos das gestões pública e privada, justiça social e o lucro, respectivamente. Ela levou à redução de serviços e servidores públicos, arrocho salarial e redução do papel do Estado: menos regulação, menos redistribuição de riqueza e renda, menos promoção de direitos e menos investimentos públicos. 

    O contraponto a essa proposta de “reforma” reside justamente na ampliação e no aprofundamento dos mecanismos de participação e controle social, essa sim uma instância legítima para avaliar resultados da ação governamental.

    O outro déjà-vu recorrente no programa de governo de Marina Silva se dá quando ela propõe o que o PT e seus aliados já vem fazendo há 12 anos. É o caso da proposta de “Priorizar os funcionários públicos concursados no preenchimento dos cargos de livre provimento.” Ora, atualmente, 75% dos cargos de livre provimento são obrigatoriamente preenchidos por servidores, fruto de Decreto do Presidente Lula de 2005. 

    O que a candidata da oposição, então está propondo? Assim como ela não fala em “nova política” se referindo a uma reforma do sistema atual, mas a sua própria eleição como messias da República, seu programa de governo ignora a legislação em vigor bradando obscuramente uma redentora fórmula para “desaparelhar” a gestão. Aliás, copia este conceito falacioso do “neoliberalismo original” do PSDB.

    Outra proposta é a de “Desenvolver o diálogo com os servidores e suas entidades representativas por meio de mesas permanentes de negociação coletiva para melhorar as condições de trabalho e remuneração.” Ocorre que, hoje, a Mesa Nacional de Negociação Permanente  completou 11 anos de funcionamento ininterrupto. Por meio dela, instituiu-se o diálogo com as entidades sindicais representativas dos servidores públicos federais para a pactuação de salários e condições de trabalho. 

    Enfim, esses são apenas alguns exemplos das inconsistências desse programa de governo que se propõe a ser uma expressão de uma tal “nova política”, mas que, na verdade, não é capaz de produzir nada de realmente novo. Podemos entender essa dificuldade. Deve ser mesmo difícil propor algo novo a partir da perspectiva de Marina, desconhecendo o funcionamento do Estado e os grandes avanços produzidos na gestão pública federal nos últimos 12  anos, uma revolução silenciosa e de grande impacto positivo na vida dos brasileiros”.

     

    Outro CTRL C + CTRL V desconhecendo o que aconteceu no Brasil é a proposta de “Profissionalizar carreiras e adotar política de promoções baseada

    em critérios de desempenho, produtividade e mérito”. Só de 2003 até abril de 2010, antes do primeiro mandato da presidenta Dilma, 133.156 novos servidores ingressaram por concurso público nos quadros federais. Os governos Lula e Dilma também criaram diversas carreiras. Marina propõe profissionalizar carreiras mas não diz nem quais e nem com que objetivo. Pelo contrário, o que diz muito claramente é que cortará ministérios, também sem citar as pastas, o que implicará menos servidores e menos concursos.

    A proposta de “Explorar a governança eletrônica para inserir a população nos ciclos de planejamento e orçamento, fornecendo informação aos cidadãos e criando canais para que participem das decisões” é uma piada tão grande quanto a de “aprofundar a transparência do setor público em todas as suas áreas”.

    O governo federal recebeu, em maio de 2014, o mais alto prêmio da ONU em gestão pública com o Fórum Interconselhos, que é o espaço de escuta à sociedade civil na elaboração e monitoramento do Plano Plurianual e leis orçamentárias. O Fórum já está em sua quarta edição e, por meio dele, o atual PPA incorporou quase 80% das sugestões da sociedade civil! Além disso, lançou a plataforma ParticipaBr para a interação cidadão-governo e a revolucionária Lei de Acesso à Informação Pública (LAI), sem contar o Portal da Transparência, que, enfim, Marina reconhece a importância.  De 1941 a 2002, apenas 41 conferências nacionais foram realizadas, já de 2003 a 2011 este número saltou para 74. De 1941 a 2002, as 41 conferências discutiram 11 temas. Por outro lado, entre 2003 e 2011, foram abordados 28. Além disso, dezenove conselhos nacionais foram criados e dezesseis reformulados, entre 2003 e 2011 e, em maio também de 2014, a presidenta Dilma instituiu o inédito Sistema Nacional de Participação Social.

    Para outras três propostas: 1) “Será objetivo do governo da coligação Unidos pelo Brasil melhorar os serviços prestados à população (…) viabilizar um forte aumento

    da produtividade do setor público”; e 2) “Mudar a prioridade da gestão pública − do controle de processos para maior foco em resultados − deverá contribuir para melhorar

    esse cenário”; a melhor resposta foi o estudo da insuspeita – de preferir o campo democrático, popular e nacionalista – consultoria Boston Consulting Group (BCG) que constatou que, entre 150 países, o Brasil foi o que mais utilizou seu crescimento econômico para garantir a elevação do padrão de vida de sua população. Segundo a BCG, os ganhos sociais obtidos foram equivalentes aos de um país que tivesse registrado expansão anual de 13%, mais do que o dobro da média registrada nos demais países. Isso é efetiva produtividade do setor público e gestão com foco em resultados. 

    O que Marina Silva oferece de fato ao país é um conjunto de generalidades, seja na sua retórica ou no que ela tentou vender como um “programa de governo”.

     

    Conheça o NCD: http://nucleocelsodanielpt.wix.com/inicial

     

  13. Otima materia , a nossa

    Otima materia , a nossa sociedade precisa acordar eles vão privatizar nossa agua vão vender a sabesp para a um país hipoteticamente a suiça e a frança que terão o dominio da nossa agua

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