Cunha dirá que não possui contas, mas empresas que controlam dinheiro na Suíça

Jornal GGN – Aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), já vazaram para a imprensa parte da defesa que o peemedebista pretende apresentar ao Conselho de Ética da Casa para fugir de um processo de cassação. Segundo informações da Folha e do Estadão, Cunha vai dizer que não mentiu sobre possuir contas na Suíça. Ele dirá que o dinheiro que mantém no exterior está em posse de duas empresas que ele abriu lá fora para administrar a venda de carne enlatada e aplicações no mercado financeiro.

Segundo a Folha, a defesa de Cunha pode até garantir ao deputado uma sobrevida na Câmara, pois os aliados e aqueles que dependem do peemedebista para derrubar a presidente Dilma Rousseff (PT) do poder agora ganharam um roteiro de justificativas para as denúncias feitas contra Cunha pela Procuradoria Geral da República, no âmbito da Lava Jato. 

Porém, segundo informações do jornalista Kennedy Alencar, membros do Ministério Público Federal já apontaram que a defesa de Cunha é “frágil” diante dos indícios levantados pela PGR e pelo Ministério Público da Suíça contra o parlamentar. Eles teriam citado, por exemplo, a identificação de datas de inúmeros depósitos que coincidem com o pagamento de propina relatado por delatores da Lava Jato. Cunha diz que em suas contas não entravam depósitos de origem duvidosa, apenas saiam os rendimentos de suas aplicações financeiras e do trabalho de mascate, iniciado há mais de 20 anos.

Ao Conselho de Ética, Cunha vai alegar que desconhecia a origem do depósito de 1,3 milhão de francos suíços feito em 2011 em uma de suas contas, conforme relatado na Lava Jato pelo lobista João Henriques, réu delator ligado ao PMDB e preso na operação.

Para explicar o fato de ter ficado com o dinheiro, ele vai dizer que suspeita que era referente a um pagamento de um empréstimo de 1 milhão de dólares que fez, em meados de 2007, ao ex-deputado Fernando Diniz (PMDB), morto em 2009. À época, Diniz teria perdido muito dinheiro em negócios no exterior e recorreu a Cunha, segundo a versão do presidente da Câmara. O delator disse à Lava Jato que enviou o dinheiro a Cunha a pedido do filho de Fernando Diniz, mas que não sabia que a conta na Suíça pertencia ao presidente da Câmara.

Para justificar o restante do dinheiro nas quatro contas ligadas pela PGR a Cunha, ele dirá que parte é fruto da venda de carne enlatada para a África e de operações no mercado financeiro, que datam das décadas de 1980 e 1990, e que seus negócios nada têm a ver com empresas da administração pública. O Estadão escreveu que antes de virar político, Cunha descobriu um “filão de mercado: a venda de carne processada e enlatada em consignação para países africanos. Como o negócio cresceu, ele decidiu abrir uma conta fora do Brasil”.

Na Câmara, para escapar da cassação de mandato, Cunha dirá ainda que não faltou com a verdade na sessão da CPI da Petrobras na qual ele afirmou que não possui contas no exterior em seu nome. Ele vai dizer que as contas confirmadas pela PGR são de dois trustes que pertencem ao deputado, mas são controlados por terceiros – logo, não são simplesmente contas bancárias em paraísos fiscais.

“Como mostram os documentos enviados ao Brasil pela Suíça, as contas de Cunha são administradas por empresas e trustes controlados por ele, e que têm ele e seus familiares como beneficiários. O deputado disse aos colegas que foi questionado na CPI se era titular de contas e diz que isso ele não é, porque elas foram registradas por empresas que abriu fora do país”, escreveu a Folha. “O Código de Ética diz que ocultar parte relevante do patrimônio é quebra do decoro parlamentar e, portanto, motivo para cassação”, acrescentou.

Cunha pretende, por fim, reconhecer que seu único erro foi o de não declarar sua fortuna aos órgãos competentes. De acordo com os relatos, ele dirá que nunca deixou na conta valor que atingisse o valor mínimo obrigatório para declaração de renda. Porém, vai negar a denúncia da PGR, de que o dinheiro que chegou a irrigar seus fundos na Suíça teriam circulado por ao menos 23 contas bancárias numa aparente tentativa de encobrir a origem criminosa dos recursos. Ele também vai negar que sua família tenha gastado 59 mil dólares com cursos de tênis. “O dinheiro teria sido usado para pagar a escola e o alojamento de um dos seus filhos naquele país.”

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