Defesa diz que Cunha é um bom investidor, para justificar patrimônio de US$ 16 milhões

Jornal GGN – Para justificar um patrimônio da ordem de 16 milhões de dólares, os advogados contratados por Eduardo Cunha (PMDB) para defender a esposa Cláudia Cruz na operação Lava Jato alegou que o deputado é um “investidor com profundo conhecimento do mercado”.

Segundo cartas anexadas à defesa solicitada pelo juiz Sergio Moro, Cunha é um “investidor muito entendido” no ramo imobiliário, acumulando, nos últimos 20 anos, bons negócios com a compra e venda de imóveis na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Quem apontou as qualidades de Cunha foi um gerente do banco Merrill Lynch, em documentos que servem para justificar as contas de Cunha no exterior.

Segundo essas cartas, Cunha, enquanto presidente da Telerj (antiga estatal de telecomunicações do Rio), nos anos de FHC no poder, demonstrou-se um executivo muito bem-sucedido, sendo um dos responsáveis pela entrada do telefone celular no país.

Reportagens sobre o período em que Cunha presidiu a Telerj, no entanto, contradizem a tese de que ele era um excelente gestor. O GGN resgatou, no Dossiê Eduardo Cunha (leia aqui), que o peemedebista foi citado em fraudes na gestão da Telerj, entre outros escândalos da década de 1990.

Acusações

Cláudia Cruz é acusada de lavar dinheiro para o marido e suspeita de se beneficiar do pagamento de propina de 1,5 milhão de dólares para Cunha, a partir de um contrato da Petrobras. Na defesa apresentada à Justiça Federal do Paraná, ela listou 26 testemunhas, incluindo vários políticos e até ministros de Michel Temer.

Ameaças a deputados

Segundo analistas, Cunha pretende alegar que o caso da esposa está entrelaçado ao seu e, por isso, deve tramitar no Supremo Tribunal Federal. Se Cunha perder o mandato no plenário da Câmara, os processos devem retornar à primeira instância, mas o deputado vai alegar que eles são de competência da Justiça Federal no Rio de Janeiro, e não do Paraná, de onde despacha Sergio Moro.

Na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Cunha já apresentou sua defesa contra a cassação, alegando não ter sido questionado especificamente sobre contas na Suíça durante a CPI da Petrobras.

O deputado teceu comentários entendidos como ameaças a deputados que pretendem votar a favor da cassação em plenário. Segundo Cunha, mais de 20% da Câmara (117 deputados) têm ações penais em andamento, o que significa que todos eles correm o risco de cassação caso a de Cunha abra esse precedente. “Hoje sou eu. É o efeito Orloff. Vocês, amanhã.”

 

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