Defender a democracia exige esforços da esquerda e direita, analisa Octavio Amorim Neto

Esquerda deve entender que a atualidade exige "retificação de postura e estratégia" e a direita que o populismo é a hostilidade a partidos e instituições democráticas.

Foto: Marcos Correa/PR/Divulgação

Jornal GGN – A defesa da democracia em tempos de crise do governo de Jair Bolsonaro e a possível ameaça com medidas autoritárias precisa ser enfrentada em duas frentes: o entendimento, por parte da esquerda, de que a atualidade exige “retificação de postura e estratégia” e, pela direita, compreender o populismo em sua natureza de hostilidade a partidos e instituições democráticas.

A opinião é do professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas, da FGV-Rio, Octavio Amorim Neto, em coluna para a Folha de S.Paulo. “O tempo político exige retificação de postura e estratégia”, analisou, ao confrontar as posturas que devem ser tomadas pelos partidos de esquerda.

É nesse sentido que ele avalia não ser “hora de armar o tabuleiro para 2022”, mas de garantir a manutenção do sistema democrático, por meio do diálogo nacional. “Cabe às lideranças do PT contribuir —com seu peso político e interlocução com diversos setores da sociedade— para viabilizar o diálogo nacional em torno de uma solução institucional para a crise atual. A ausência do partido poderá ser fatal para o êxito dessa solução.”

Já por parte da direita, Octavio Amorim Neto analisa a necessidade de não se generalizar o conceito de populismo e entendé-lo como fenômeno político e não econômico, não relacionado necessariamente a uma ou outra posição.

“O núcleo duro do populismo reside na ausência de intermediação institucional ou partidária entre o líder populista e as massas” e, neste contexto, sobretudo o da América Latina, a essência do populismo “é a hostilidade a partidos e instituições legislativas”, ocupando, com esta característica, uma variedade de posturas econômicas.

“É imprescindível que se compreenda que o populismo não tem a ver com a política econômica, sob pena de se cometerem sérios erros de avaliação. Nesse sentido, Lula não é um populista precisamente porque chegou ao poder e o exerceu por meio do PT”, exemplificou.

Por isso, para o autor, “é fundamental que liberais e a centro-direita democrática compreendam que Lula e Bolsonaro não são expressão do mesmo fenômeno político. São radicalmente distintos”.

“Lula cometeu erros, assim como FHC, mas jamais deixou de jogar o jogo institucional. Essa constatação é um tijolo importante na construção de uma frente democrática, tão importante quanto o abandono de ressentimentos pela esquerda petista”, concluiu.

 

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