Eleição 2018: a do voto antissistema, por Alexandre Tambelli

Eleição 2018: a do voto antissistema, ou seja, em oposição ao Golpe fracassado de 2016

por Alexandre Tambelli

A eleição presidencial de 2018 tem por característica central ser um processo eleitoral marcado pelo voto antissistema.

O Golpe de 2016 alçou ao Poder um Governo que em poucos meses se tornou rejeitado por mais de 90% da população brasileira e seus artífices políticos, no Judiciário, na PF e nos meios de comunicação, capitaneados pela Globo, foram juntamente com o Governo do Golpe perdendo a capacidade comunicacional e a possibilidade de falar para a Nação, com a confiança dela, confiança de que Temer estava indo pelo caminho certo.

Temos que entender que o Golpe fracassou, o Brasil não virou o oásis desenhado pela Globo & velha mídia e os golpistas na Política, e nem a corrupção acabou, como se desenhou via Lava-Jato e perseguição ao PT, ela cresceu, isto sim! E exponencialmente. A economia e o social afundaram-se com o Projeto de Estado mínimo e de implantação do ultra neoliberalismo; mesmo que a população não entenda tecnicamente os termos, ela sente o desastre do Governo Temer e suas propostas privatizantes e voltadas para o “mercado”.

Do desastre do Governo do Golpe o quadro eleitoral se movimentou para um voto de oposição ao Sistema, pensemos o Sistema como os mentores do Golpe de 2016: o Imperialismo, o Grande Capital Financeiro, as grandes corporações, boa parte do empresariado brasileiro top, o agronegócio e as mídias bilionárias capitaneadas pela Globo. E representadas as vontades socioeconômicas do Sistema através brasileiros cooptados dentro dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, que passaram a agir em prol do Sistema e, totalmente, dissociados dos interesses do Brasil e da população brasileira.

Com poucos meses de Governo Temer se deu a dissociação entre Golpistas e eleitorado (população brasileira), não falam mais a mesma língua. Os anseios e as possibilidades dos brasileiros: emprego, salário, alimentação, consumo, Educação, Saúde, viagens e lazer, dentre outras coisas, foram se desfazendo rapidamente, e deteriorando a realidade social se deteriora a relação entre o Governo e a população.

Deste processo de deterioração imediata da Vida das pessoas Governo associado ao Sistema e seus porta-vozes midiáticos, mesmo que a população não compreenda as forças do Capital que nos controlam, perderam a opinião pública.

Os três candidatos mais bem posicionados nas pesquisas são antissistema: Bolsonaro tem 28%, Haddad 19% e Ciro 11%, só aqui são 58% do eleitorado brasileiro em 20 de setembro. Colocando que Haddad ainda tem mais 20% do eleitorado para receber em 1° turno, chegando ao patamar de Lula em pesquisas de 40% dos votos dos brasileiros, o que já dará 78% do eleitorado que não segue o Golpe no voto.

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Bolsonaro capitalizou o antissistema pela extrema-direita, é voto, também, de protesto: – contra tudo e todos os que estão ai! É a revolta em estado puro do antipetismo mais radical e do militarismo, do reacionarismo dos costumes, dos preconceitos e do extremismo religioso, é o desfecho da Lava-Jato e sua perseguição à Política, políticos e partidos políticos. Ciro pelo centro, é o candidato da novidade com racionalidade nas ideias, porém, impulsivo nos atos, Político afastado do Golpe de 2016. Haddad pela centro-esquerda e esquerda, é o candidato do Brasil de Lula, que dava certo, o do Bolso cheio, da maioria das esquerdas e um candidato centrado.

Observemos que Marina perdeu seu eleitorado ao adentrar no Golpe de 2016, via apoio, Golpe fracassado; por ter se associado no 2° turno de 2014 a Aécio contra Dilma, Aécio que se tornou o patinho feio nacional no tema corrupção e símbolo do Golpismo fracassado; e por não se apresentar como candidata de propostas plausíveis, mais preocupada em externar ressentimentos ao PT, Lula e Dilma, do que outra coisa.

Alckmin é o candidato do Golpe, os tucanos são Governo, têm ministérios e convenceram seus eleitores de que o Governo Temer seria a saída para o Brasil voltar a crescer e se desenvolver sem corrupção e não foi o que aconteceu. Ao ficarem no Governo até agora foram perdendo fôlego eleitoral e jogaram fora um eleitorado cativo no partido da ordem de no mínimo 30% de eleitores brasileiros, que abandonaram Temer rapidamente se tornando antissistema e anti-Temer. Hoje, Alckmin tem 1/5 do eleitorado tradicional do PSDB. PSDB que, em 2014, alcançou a marca considerável de 51 milhões de eleitores.

Juntando Alckmin + Amoedo, Álvaro Dias e Meireles, candidatos palatáveis ao Sistema, e temos menos de 15% do eleitorado brasileiro, ou seja, 85% dos brasileiros estão do outro lado do rubicão, navegando em outras águas, indo na direção oposta das candidaturas programadas para serem as apostas em 2018 do Sistema e seu Golpe fracassado de 2016.

Então, pelo exposto até agora, afirmamos que o vencedor da eleição de 2018 para Presidente será antissistema.

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Bolsonaro tem programa de Governo na economia pró-Sistema, bem explorado este dado por Haddad no 2° turno, Haddad apontam pesquisas será seu adversário, pode desinflar, porque a despeito de todas as possibilidades de votos, dados por antipetismo, por campanha anticorrupção, por moralismos e conservadorismo nos costumes, por preconceitos e Fé religiosa extremada, este voto não é maioria significativa, penso eu, e o voto que mais conta no Brasil é o voto do Bolso cheio ou vazio.

Haddad tem tudo para vencer pelo seu Programa de Governo, que no 2° turno será melhor debatido, porque lá se torna um debate entre duas propostas e se esmiúça com mais qualidade o que cada candidato tem a oferecer para o BOLSO do eleitor.

Fazendo uma conta básica, hoje, temos + ou – 40% de eleitorado pró-PT de Lula fixos, 30% de antipetismo, que se mistura com o conservadorismo/reacionarismo e 30% entre aqueles desiludidos com a Política e os que podem ser capturados pelo Bolso. Se Haddad receber destes 30% restantes uma parcela igual de Bolsonaro já venceu a Eleição em 2° turno.

Bolsonaro tem 40% de intenção de votos no 2° turno, hoje, mas não quer dizer que manterá até lá estes 40%, é retrato do hoje, dissociado da discussão do seu programa de Governo e dos debates eleitorais mais produtivos, os do 2° turno, e a discussão do programa socioeconômico, educacional, cultural etc. do candidato. É voto, no hoje, capturado contra o Sistema, ou seja, um voto, não só do antipetismo doentio, mas, contra o Governo Temer e sua política econômico-social desastrosa. E Haddad ainda não computa metade dos votos que terá se mantiver o crescimento nas pesquisas de, ao menos, 1% ao dia. Bolsonaro que já vê Haddad empatado com ele no 2° turno.

Associando Bolsonaro a um Programa socioeconômico piorado de Temer ele perderá uma parcela do eleitorado ao seu lado hoje, porque o Bolso cheio ou vazio é quem decide a Eleição no Brasil.

Lembrando, a sociedade civil está em plena organização contra o candidato fascista; lembrando, ainda, que o antibolsonarismo é maior que o antipetismo e pode haver voto útil em Haddad contra Bolsonaro até no eleitorado mais à direita e em todo o centro.

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De um voto anti-petista em 2016 chegamos ao voto antissistema e de retorno do petismo ao jogo eleitoral com chances enormes de vitória do mais forte adversário antissistema que temos, o PT de Lula, através de seu candidato Fernando Haddad e sua Vice do PCdoB, Manuela D´Ávila.

Último ponto. Seria possível um crescimento do PSDB na última semana do 1° turno dentro do eleitorado anti-petista, em um voto anti-Bolsonaro e pela possibilidade, em pesquisas, induzidas ou não, dos tucanos terem mais chances de derrotar o PT no 2° turno? Como vemos alertas de alguns estudiosos das eleições no Brasil? Do jeito que a separação tucanato e antipetismo se deu, o reencontro até pode se dar, mas, dividido: a extrema-direita ficará com Bolsonaro e a direita liberal indo na direção de Alckmin, se não acabar uma parte desta com Alckmin ou virar voto em Ciro ou branco ou nulo ou abstenções.

E Bolsonaro pode enfraquecer um pouco, não na proporção necessária para estar fora do 2°turno, afinal, a extrema-direita é mais coesa do que a direita liberal, espremida com o fortalecimento daquela. Extrema-direita que alcança, nas suas intenções de votos, partes da classe média-baixa e até dos pobres pelo conservadorismo nos costumes, na influência de programas como “Brasil Urgente” e no extremismo religioso.

P.S: Não me ative aos resultados (números) do último Datafolha, de 20 de setembro, porque me parece e li analistas eleitorais que concordam ele trabalhou os dados dentro da margem de erro por interesses eleitorais da contratante, a Rede Globo. É pouco realista tentar dizer que há empate técnico entre Haddad e Ciro.

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7 comentários

  1. Há 3 tipos de candidato e 3 tipos de eleitor

    Existem os candidatos caceteiros, isto é, os candidatos que acham kct é a solução para o Brasil. Os candidatos caceteiros são Bolsonaro, Alckmin, Amoedo, Daciolo e Eymael. Os Caceteiros perseguem aqueles que fogem da escravidão da mesma forma que os Faraós perseguiam os Hebreus. Existem os candidatos Guias, que guiam o povo pelo deserto, em direção à Terra Prometida. Haddad e Boulos seriam esse tipo de candidato. Existe, por fim, o candidato Carangueijo. Aquele que tendo fugido da escravidão e, atravessando o Mar Vermelho, chega ao deserto, em vez de avançar livremente sobre as areias rumo á Terra Prometida, recua para a segurança da escravidão. Ciro e Marina exemplificam esse tipo de candidato.

    Há também três tipos de eleitores: O eleitor do Lula é aquela pessoa que fugiu da escravidão, atravessou o mar vermelho e está atravessando o deserto em direção à Terra Prometida. O eleitor do Bolsonaro e do Alckmin é o eleitor que, a serviço do faraó, persegue os fugitivos da escravidão, tentando reescravizá-los. O eleitor Marino-Cirista é o eleitor Madalena Arrependida. Considera um erro ter fugido da escravidão, se arrependendo, e está de volta à segurança e fartura da escravidão

  2. Moro não sabe porque bate, mas Lula sabe porque apanha

    O recebimento de denúncia está condicionado à existência de prova da materialidade do fato bem como à existência de indícios suficientes de autoria ou participação.

    O Sérgio Moro é totalmente atabalhoado. Olha como o Troço atua:

    Em relação ao Beto Richa, o $érgio Moro escreveu:

    “Há, conforme análise já efetuada, prova suficiente de materialidade e autoria de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, sendo que, em relação a Deonilson Roldo e Luciano Ribeiro Pizzato [delator do esquema], também há provas de autoria em relação ao crime de fraude à licitação”.

    Veja que, antes da instrução processual e do contraditório, o Moro tem provas não só da materialidade dos fatos imputados ao Beto Richa mas prova de que ele é o autor de tais fatos.

    Em relação ao Lula, o qual está sendo processado sobre um sítio em Atibaia, o Moro escreveu:

    “Se os elementos probatórios citados são suficientes ou não para a vinculação das reformas do sítio a acertos de corrupção em contratos da Petrobras, ainda é uma questão a analisar na ação penal após o fim da instrução e das alegações finais”. – $érgio Moro

    Note que, em relação ao Lula, o Moro tem indício insuficiente de materialidade mas já tem prova da autoria delitiva antes mesmo da instrução processual.

    É como quem diz: Lula, eu não sei porque estou te batendo, mas tu sabes porque estás apanhando.

    Lula, eu não sei porque estou te condenando mas tu sabes porque estás sendo condenado.

  3. A diferença entre contribuição e imposto
    Há 3 tipos de tributos: Impostos, Contribuições e Taxas.A diferença entre imposto e contribuição é que o imposto é um tributo não se vincula a uma contra-prestação estatal específica. Já a contribuição é um tributo pago em troca de uma contra-prestação estatal específica. O CPMF, contribução provisória sobre movimentação financeira era destinada para aplicação exclusiva na área da saúde. A campanha de Bolsonaro vazou que, se eleitos, eles pretendiam reeditar a CPMF. Depois do vazamentodeclarou: ‘Livre mercado e menos impostos é o meu lema’. Não esqueçamos que contribuição não é imposto e que o lema do Bolsonaro é menos impostos, não menos tributos.

     

    • Caro Rui,

      Sua distinção está quase correta:

      Todos são tributos.

      Imposto é aqui não se vincula a uma contraprestação específica (como IPVA, apesar da mídia comercial e dos idiotas coxinhas afirmarem de pés-juntos que é um imposto que deve convergir para a conservação de vias), mas que tem como fato gerador e obrigação tributária (que são coisas distintas, o fato é aquilo que dá origem a obrigação de pagar o tributo, como comprar o veículo) um fato específico:

      Imposto sobre propriedade (só para quem tem propriedade);

      Imposto sobre serviço (para quem presta e quem adquire);

      Circulação de mercadoria (quem vende e quem compra);

      Imposto de renda (para quem tem renda em determinada faixa)

      E por aí vai.

      Já a contribuição é algo mais amplo no seu público-alvo, ou seja, pode se opor a um número maior de pessoas, ou seja, se o imposto é algo que incide, geralmente, pelo exercício de um direito (de propriedade, consumerista, renda) na contribuição o tributo (o fato gerador e sua obrigação) incidem sobre um grupo de pessoas que podem ter ou não propriedade, ter ou não renda, mas que em algum tempo entram na condição de contribuinte por adentrarem aquela cadeia específica de forma voluntária:

      – Contribuição de iluminação pública: quem tem energia fornecida por empresas concessionárias paga, mas quem gera sua própria energia, por exemplo, não paga. Nas zonas rurais, onde não há iluminação pública, não há incidência.

      Outro fator é que a contribuição exige uma contraprestação que não pode ser mensurado ou individualizado, ou, como no caso da CPMF, ou a CIDE, uma destinação específica!

      Energia pública ou iluminação pública não pode ser dividido como um serviço potencial à disposição do contribuinte, inclusive essa discussão fez com que o judiciário tornasse as taxas de iluminação públicas ilegais, exigindo-lhe a natureza da contribuição!

      Resta então, a taxa.

      Exemplo mais fácil: as taxas judiciais e cartorárias.

      Ah, e claro, favor não confundir com preço público, que são, por exemplo, as tarifas de pedágio!

  4. Sugestão
    Atualmente as pessoas vivem trancadas em suas bolhas, impedidos de ver soluções diferenciadas, pontos de vista conflitantes ao seu(que poderia fazer mais sentido) e erros ideológicos. Sugiro a todos, não importa a vertente política estudar a fundo as ideologias que discordam, mas não olhos de rejeição e sim com sabedoria.

    Imagino que todos queremos um mundo melhor para todos, e só estamos conflitando na forma de faze-lo.

    “Quem acha que sabe tudo por consequência não aprenderá mais nada”

  5. O golpe fracassou…

    Mas ainda está em andamento… E pode trazer algo muito ardiloso que escancará a perseguição até aos mais ingênuos! Algo de muito podre poderá estar sendo arquitetado! Fiquemos ligados e repassemos! Mostremos o possível crime para que não seja uma surpresa se acontecer!  Os brasileiros precisam saber do submundo que existe para desconstruir reputações! 

     

    [video:https://youtu.be/izTGLnx5MSY%5D

  6. Só o sistema pode ser antissistema!

    Algumas considerações sobre a pretensão do autor, que merece respeito, não pelo resultado, mas pela coragem em se expor dessa forma.

    Isso constrói o debate.

    Vamos às incongruências:

    – Primeiro e antes de tudo retomo as críticas que faço quando Nassif, quando ele tenta o mesmo expediente, ou seja, traçar um panorama do que vivemos, sem o distanciamento que a História proporciona e pior, sem esse distanciamento (e até com ele, eu diria) soa falsa a narrativa como se o interlocutor não fizesse parte dessa História em construção, e esteja (mesmo dizendo o contrário) tentando alterar o cenário que diz narrar com “neutralidade”.

    Ao texto em si:

    “A eleição presidencial de 2018 tem por característica central ser um processo eleitoral marcado pelo voto antissistema.(…)”

    Não existe eleição antissistema ou voto antissistema, por mais que as escolhas do eleitorado pareçam distantes do que analistas (como Tambelli e Nassif) imaginem ser a “normalidade”.

    O que está posto para escolha dos eleitores está dessa forma porque o “sistema” (aqui eu compreendo como o conjunto de forças políticas e econômicas pró-estamento, ou seja, de forma resumida e simplista, os donos do capital) assim permitiu.

    Uma breve olhada na conjuntura atual, interna e externa, revela que “o sistema” buscou adequar todos seus instrumentos (lawfare, militares, corporações policiais, mídia, etc) a estrutura de fluxo e contra-fluxo dos ciclos de acumulação rentista.

    Não há, por mais que isso doa dizer, como escapar disso.

    Toda as escolhas eleitorais são, por assim dizer, as permitidas e construídas pelo sistema, e até a não-eleição (os golpes de ruptura institucional, por assim dizer, como o de 64 e outros pela A.L.) são escolhas do “sistema” para manter de pé o estado de coisas que favorece sua conservação, tomando como base que o “sistema” nunca permitirá escolhas políticas que ameacem sua sobreviência ou uma “verdadeira alternância de poder”.

     

    Continuemos:

    “(…)Temos que entender que o Golpe fracassou, o Brasil não virou o oásis desenhado pela Globo & velha mídia e os golpistas na Política, e nem a corrupção acabou,Nomo se desenhou via Lava-Jato e perseguição ao PT, ela cresceu, isto sim! E exponencialmente. A economia e o social afundaram-se com o Projeto de Estado mínimo e de implantação do ultra neoliberalismo; mesmo que a população não entenda tecnicamente os termos, ela sente o desastre do Governo Temer e suas propostas privatizantes e voltadas para o “mercado”.

     

    Aí em cima o eixo central do erro de análise e avaliação dos setores que reinvindicam a bandeira do “centro” ou do equilíbrio democrático-progressista, algo como um tipo de social-democracia local.

    O golpe não fracassou, porque apesar de sua narrativa externa usar a melhoria de vida ou o fim da corrupção (qual o movimento político, ainda que golpe, se anuncia como portador de mais desgraça?), mas elaborou fielmente a agenda que lhe foi imposta, desmontando redes públicas de amparo social, alterando marcos legais de proteção e expondo reservas energéticas ao apetite externo.

    Fragilizou os laços sociais de convivência, encurralou a política em (falsos) becos sem saída, e trouxe uma novidade para nosso espectro político:

    – A verbalização do ódio da chamada “direita”, mas que reflete TODO país, a julgar pelas nossas tristes estatísticas sobre os grupos  chamdos minorais, emolduradas pelo discurso que mantém entre 20 e 30% do eleitorado atual.

    Nem o ódio é novidade, nem a violência, mas sua vocalização em prça pública e escala nacional, sim!

    Nova vitória do golpe!

    Por fim, o “golpe” tem que ser entendido não como um objeto monolítico e monocromático. Ele é multi-facetado, com várias forças em colisão e ajuntamento, mas que, via de regra, usou a destiuição de Dilma para rearrumar a “casa”, manter o povo calado, dando-lhe a ilusão de que sua resiliência eleitoral (a preferência por um Lula preso) representasse algum tipo de resistência!

    De fato, simbolicamente, e instintivamente até pode ser, mas na realidade, votar em um haddad que já acena que vai procurar até os golpistas do MDB para governar (e veja bem, isso não é uma censura ou juízo de valor, mas constatação) já revela o quanto de “escolha” o eleitorado tem!

    As outras contas e quiromancias do texto eu vou me abster de comentar, e fico com essa frase:

    (…)Então, pelo exposto até agora, afirmamos que o vencedor da eleição de 2018 para Presidente será antissistema.(…)”

     

    Nenhum, eu repito, nenhum dos candidatos, talvez a exceção do PSTU e do PCO (nem sei se PSTU e PCO estão no páreo, desculpem a desinformação) se apresenta como “antissistema” e nem é percebido assim pelo eleitor.

    Ao contrário, todos eles se esforçam ao máximo em se apresentar como um “centro” distante dos “radicalismos extremistas” (rs), justamente por outra ilusão vendida pelo sistema para se autorrealizar pelos seus sicários de mídia:

    Que o eleitor quer sempre alternativas de “centro”.

    Tudo isso proporcionado pela (falsa) percepção (como já mencionei lá em cima) de que há um fim do mundo adiante, que existe um sentimento cimentado anti-algum partido (nesse caso o PT), e que para esse partido “detestado” manter o governo se eleito, ele tem que desfigurar ainda mais!!!!

    Estranho não? Um partido odiado que ganha eleições presidenciais desde 2002, e em 2018, dentre os cinco primeiros na preferência do eleitor, três são crias dos governos do PT?

    Segue-se a essa lógica a pobre a noção de que vamos recuperar a “democracia” com a eleição de um moderado, que os juízes e promotores se “arrependerão” de seus atos e retornarão às “suas caixinhas”, que militares perderão o gosto pelo protagonismo como interventores de órgãos de segurança pública e fiadores de todos os governos, enfim, que um bálsamo de humanismo nos lavará a alma, e todos os conflitos se confinarão em limites “civilizados”.

    Vou tentar dar uma sequência aos fatos:

    – Disputa entre facções do capital no governo Lula-PT (2002-2006), onde os rentistas enfrentavam o crescimento da versão nacional-desenvolvimentista capenga (ancorada nas políticas monetárias e cambiais do neoliberalismo);

    – No mundo da Matrix (EUA), já rodava a versão lawfare com a confirmação da vitória fraudada de Bush Jr em 2000 contra Al Gore, a Suprema Corte de lá foi uma “mãe” com os falcões de lá;

    – A geopolítica dos EUA entendeu que por mais que o poderio bélico-militar se baseie nas guerras por petróleo, era preciso garantir reservas em áreas mais próximas e pacíficas ou dominadas;

    – Vem 2008! O momento crucial: ou as economias chamadas emergentes partem para cima e disputam a hegemonia decadente dos EUA, ou os EUA contra-atacam e mantém o eixo EUA-Europa na crista da onda, desmontando a multi-polaridade imaginada pelos BRICS;

    – A ousadia da tese de cesta de moedas, o fundo mútuo a desafiar o FMI e outros organismos dominados pelo capital, enfim, a possibilidade de questionamento do EUA como donos do mundo determinou o curso da História que vivemos!

    – Ao mesmo tempo, a tentativa de interferir via golpes clássicos deu ruim na Venezuela, que com o Brasil figura como principal reserva energética dos EUA no cone sul;

    – A América Latina parecia se insurgir, e com exceção da Colômbia, a chegada ao governo de grupos aparentemente hostis (só na aparência mesmo) acendeu a luz amarela na Matrix;

    – Dentro do governo do PT, a luta entre varejistas e atacadistas, aqueles que disputavam o arco de alianças dentre as visões de acordos pontuais e um grande acordão no “atacado” (porteira fechada) desembocaram no caso dos Correios, que depois virou a ação 470;

    – Essa disputa já trazia sintomas do esfarelemento do projeto (impossível) do PT de reformar o capitalismo brasileiro usando as ferramentas institucionais e os esquemas de financiamento disponíveis (sim, gostando ou não as freiras daqui, não existe outra forma de financiar a eleição atualmente, sem captar junto às empresas associadas aos projetos dos governos);

    – Abater e encurralar o PT dentro do lawfare foi moleza, salvo pelo fator Lula (imponderável). A “culpa” cristã do PT, embalada a doses cavalares de hipocrisia e cinismo de seus detratores, colocou-o em uma encruzilhada política: como defender que políticas sociais do “bem” têm origem no dinheiro desviado de empresas?

    Se dizemos a todos que os fins pretendidos pelo mercado nunca podem justificar seus meios, como fazemos o mesmo?

    Só em fazer essa pergunta já era mostra que no PT (ou entre nós) ninguém entendeu bem do que se tratava!

    Vejam que os EUA demoraram mais de um século para tratar desse assunto em Lincoln (sde Spielberg), onde o presidente que acabou com a escravidão, a bordo de uma guerra secessionista com 600 mil mortos, comprou votos do Congresso com favores de toda ordem!!!!

    – Em 2010, Lula acuado mas com cacife eleitoral de sobra, elege Dilma.

    Dilma é um ponto de inflexão. Recebeu a má vontade de todos os setores da política nacional (inclusive esse blog aqui) e foi talvez a primeira política brasileira atacada mais por suas virtudes que seus defeitos.

    Como mulher foi culpada por ser a vítima, assim como nos casos de abuso sexuais.

    Como não negociava (ou não deixava aparentar que o fazia) com os chamados fisiológicos, era burra e turrona;

    Como não era a imagem da mãezona (até para completar o mito do Pai Lula), levava cipoada dia sim dia não;

    Decidiu enfrentar a banca (juros mais baixos da História em 2011);

    Apontou que a Petrobrás iria disputar para valer a condição de melhor empresa da História, sem deixar de ser o motor social do governo;

    Aproximou-se com a parte tecnológica dos militares, e ajudou a Odebrecht a sofisticar seu parque industrial voltado a tecnologias militares;

     

    Nesse tempo, o lawfare enfrentou um grave problema:

    Com Lula, estava mais fácil “provar” os deslizes, com as ligações dos setores mais famintos do PMDB com Dirceu e companhia, ainda que até agora nada restasse realmente provado (veja o caso VisaNet).

    No entanto, o poder eleitoral-carismático de Lula impediu o avanço, pois temia-se uma convulsão social!

    Com Dilma, o troço se sofisticou, não por temerem seu carisma, mas justamente porque a imagem que ele construiu foi de pessoa avessa a esquemas.

    Por isso o lawfare ficou mais e mais ensandecido, e foi parar nas corporações de 1ª instância.

    Se o “mensalão” foi obra dos juízes do stf com a chancela do psicopata joaquim barbosa, no caso Dilma a coisa teve que ser deslocada para baixo, criando assim etapas de desgaste e de criação de um  ambiente surreal e sufocante para um governo que não tinha o carisma anterior, mas tinha a honestidade de sua Presidenta como capital inestimável, ainda mais se tratando de curzadas morais!!!!

    Isolada, Dilma se rende. E o resto está aí.

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