Estou disposto a ser candidato para defender um projeto, diz Lula

Durante entrevista, o ex-presidente também afirmou que não tem medo de ser preso em investigações da PF e disse que Fernando Henrique Cardoso sofre com seu sucesso
 
 
Jornal GGN – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, se houver necessidade, está disposto a ser candidato ao Palácio do Planalto em 2018, e que a decisão não depende de sua vontade pessoal. Lula disse também que não teme ser preso nas investigações da Lava Jato ou da Zelotes, porque tem a “consciência tranquila” e retrucou os ataques de Fernando Henrique Cardoso: “FHC, toda vez que ele tiver que falar de corrupção, ele tem que lembrar da sua reeleição”. As declarações foram dadas em entrevista ao repórter Kennedy Alencar, na noite desta quinta-feira (05).
 
“Não se trata de ter vontade. Eu não tinha vontade em 89, eu não tinha vontade em 1994. Você vai porque há uma necessidade partidária, de um agrupamento de pessoas”, disse, completando que a candidatura não ocorrerá “apenas para evitar a oposição”, mas para “defender um projeto político”. Lula alertou que ainda é cedo para definir a disputa pela presidência: “não se pode é discutir com três anos de antecedência”.
 
“Se houver necessidade de defender um projeto que fez com que os pobres fossem vistos no país, que incluiu milhões e milhões de pessoas, para defender esse projeto, se eu perceber que ele vai correr risco, você não tenha dúvida que eu estou disposto a ser candidato. Mas eu trabalho com a certeza que esse país produz tantas lideranças, que ainda podem surgir. (…) Mas eu estarei na campanha de qualquer jeito. Estou bem de saúde, motivado”, afirmou.
 
Dilma tem que fazer a roda girar
 
Como erros de gestão, Lula disse que no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff “houve um equívoco quando não se aumentou, em 2012, o preço da gasolina” e que “acumulamos uma inflação que só foi acontecer no segundo mandato”. O ex-presidente também acredita que Dilma não deveria ter feito “tanta desoneração”, referente à redução de impostos para empresas: “foi um equívoco desonerar. Eu não vejo uma propaganda na televisão agradecendo ao governo pela desoneração. Eu vejo propaganda contra a CPMF”, afirmou.
 
Para ele, atualmente há duas saídas para solucionar a crise econômica: “ou fazemos um aumento de impostos, como a Dilma está propondo agora a CPMF, ou você faz uma forte política de crédito”. O ex-presidente optaria pelo segundo caminho. “Eu acho que a presidenta Dilma tem que saber que a roda-gigante da economia tem que voltar a girar”, completou.
 
Assista à primeira parte da entrevista:
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Lava Jato e Zelotes
 
Sobre as investigações da Polícia Federal nas duas principais operações que ocorrem hoje: a Lava Jato e a Zelotes, Lula disse os efeitos são consequências da política que os petistas criaram, fornecendo “todos os instrumentos de transparência neste país”, responsáveis pelo atual combate à corrupção. O fato de o andamento das investigações afetá-lo direta ou indiretamente, Lula apenas afirmou que as miras voltadas a ele “são coisas normais de um país democrático”.
 
Nesse momento da entrevista, o ex-presidente disse que não tem medo de ser preso. “Eu não temo ser preso porque eu duvido que tenha alguém neste país, do pior inimigo meu ao melhor amigo meu, qualquer empresário, pequeno ou grande, que diga que um dia teve uma conversa comigo ilícita. Duvido”, criticou, contrariando, ainda, as afirmações do ex-ministro Gilberto Carvalho que disse que Lula seria alvo dos investigadores com o intuito de ser desmoralizado e preso para não poder concorrer ao Planalto em 2018. “Tenho a consciência tranquila”, completou.
 
FHC
 
Lula rebateu os ataques do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, afirmando que Lula era o pai da crise por ter nomeado diretores da Petrobras que hoje estão presos. “O FHC, toda vez que ele tiver que falar de corrupção, ele tem que lembrar da sua reeleição. (…) Ele tem que lembrar que o único mensalão criado, reconhecido inclusive por deputados do DEM, que disseram que receberam, foi por ele. Ele tem que lembrar que nenhum processo dele era investigado. Cadê a pasta cor de rosa, que não foi investigada? O Ministério Público dele se chamava engavetador”, questionou Lula.
 
Ainda que considerando que deveria ter uma boa relação com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Lula disse que FHC sofre com seu sucesso. “Eu acho que o FHC tem um problema comigo, que é um problema de soberba. O FHC, ele sofre com o meu sucesso. Ele sofre”, disse.
 
Assista à segunda parte da entrevista:
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