Fiesp oculta quem paga o pato na campanha pelo impeachment

Jornal GGN – A Fiesp se recusa a divulgar os custos da campanha contra o aumento de impostos e a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff e também não revela de onde vieram os recursos.

A Federação, que é financiada em parte com recursos públicos do Sistema S, recebeu em 2015 R$ 15,6 milhões em Contribuição Sindical Patronal. Quem será que está pagando pelo pato?

Da Folha de S. Paulo

Fiesp não revela gasto com campanha a favor do impeachment de Dilma

Por Wálter Nunes

Financiada em parte com recursos públicos, a Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) mantém sob segredo os custos da campanha “Chega de pagar o pato”, símbolo do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O enorme pato amarelo, de 12 metros de altura, está instalado em frente ao prédio da entidade na avenida Paulista. A campanha foi veiculada nos principais veículos de imprensa, incluindo a Folha.

Nos últimos dias a reportagem questionou a entidade sobre os valores empregados nessas campanhas, mas não obteve resposta.

Em 2015, a Fiesp recebeu R$ 15,6 milhões de Contribuição Sindical Patronal, segundo o Ministério do Trabalho.

O valor é pago uma vez por ano por toda empresa à federação à qual é filiada.

A agência responsável pela criação é a carioca Prole, que tem entre seus sócios o publicitário Renato Pereira, responsável pelas últimas campanhas do PMDB ao governo e à prefeitura do Rio.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, também peemedebista, concorreu ao governo de São Paulo em 2014, o que deve se repetir em 2018.

A Prole atende também ao Sesi-SP (Serviço Social da Indústria) e ao Senai-SP (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) de São Paulo, entidades ligadas à Fiesp.

Sesi e Senai são fiscalizados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O orçamento da Fiesp vem das contribuições dos sindicatos das indústrias e não passa por análise do tribunal.

O professor de direito administrativo da USP Gustavo Justino de Oliveira diz que, apesar de a Fiesp não ser enquadrada na mesma categoria do Sesi e do Senai, tem que se ser transparente.

“A Fiesp é mantida por meio do pagamento da Contribuição Sindical Patronal. Aplica-se o mesmo raciocínio a ela, uma vez que ela é beneficiário de recursos oriundos da cobrança de tributo.”

OUTRO LADO

A Fiesp disse à Folha que “não há recursos do Sesi e do Senai gastos em quaisquer das campanhas publicitárias mencionadas (pato e impeachment)”.

A federação acrescentou que a “prestação de contas se dá nos termos da legislação, aos órgãos de controle internos e aos seus filiados e passa por auditorias internas e externas”.

A Fiesp afirma que fechou parceria com a Prole com a justificativa de que “tem por decisão contratar a vencedora do mesmo processo de seleção (do Sesi e Senai)”.

Antes da Prole, a agência que fazia a propaganda da Fiesp, Sesi e Senai era a Black Ninja, do publicitário Duda Mendonça.

A Prole disse em nota enviada à Folha que “participou de processo licitatório juntamente com diversas outras agências, em condições idênticas de competição”. 

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