Fifagate: Defesa de Del Nero joga culpa para Marin

Foto Nilton Fukuda/Estadão
 
Jornal GGN – Defesa de Marco Polo Del Nero quer manter o cartola na direção da Fifa, e joga toda a culpa das evidências em seu ex-aliado, José Maria Marin. A Fifa deu prazo até quinta-feira para que Del Nero apresente sua defesa, e esta vai ser a tônica. A defesa sustenta que as evidências se limitam a Marin, que já está em uma prisão de segurança máxima nos EUA aguradando sentença. A reportagem é de Jamil Chade, correspondente do Estadão em Genebra.
 
Del Nero foi suspenso pela Federação por 90 dias com base no processo que julgou e condenou Marin que fazem referência ao cartola. Segundo a procuradoria americana, Del Nero teria recebido US$ 6,5 milhões em propinas por contratos de TV e de torneios. No processo, os advogados de Marin tentaram jogar a culpa em Del Nero. Agora a defesa de Del Nero faz o caminho inverso.

 
Leia a matéria a seguir.
 
do Estadão
 
 
Advogados tentam evitar banimento do cartola do futebol em Zurique e garantir seu retorno à presidência da CBF
         
Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo
 
A defesa do presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Marco Polo Del Nero, alega que não existem provas da suposta corrupção do dirigente afastado e que as evidências se limitam a José Maria Marin, seu ex-aliado e que aguarda sentença em uma prisão de segurança máxima nos EUA. O argumento será utilizado pelos advogados do cartola diante da Fifa. 
 
A entidade máxima do futebol deu até quinta-feira para Del Nero apresentar sua defesa em Zurique. Nos documentos, eles argumentam que não existem, nas 1,3 mil páginas do processo contra o brasileiro, provas concretas de que o cartola tenha recebido recursos ilícitos, diferentemente do que teria sido produzido pelos procuradores americanos contra Marin. 
 
A Fifa suspendeu o presidente da CBF por 90 dias diante das referências à corrupção que foram feitas ao brasileiro durante o processo que julgou e condenou Marin. Del Nero, segundo a procuradoria americana, teria recebido US$ 6,5 milhões (R$ 21 milhões) em propinas por contratos de TV e de torneios.
 
Durante o julgamento, os advogados de Marin tentaram jogar a culpa em Del Nero, argumentando que era ele o real presidente da CBF. Agora, as posições se invertem. 
 
Os advogados de Del Nero insistem que os documentos do processo não trazem provas que vinculem ou provem pagamentos diretos ou indiretos para o seu cliente. 
 
Ao longo de meses, a procuradoria americana reuniu gravações telefônicas, grampos, planilhas e outros documentos que sustentaram a condenação de Marin. Várias testemunhas, porém, citaram textualmente a presença de Del Nero em reuniões que se estabeleceu o pagamento de propinas, assim como anotações e dados sobre as transferências ao brasileiro. 
 
Numa primeira etapa, a investigadora da Fifa, Maria Claudia Rojas, considerou que existem indícios suficientes para justificar um afastamento temporário de Del Nero. Mas uma decisão final fica por conta da Comissão de Ética da Fifa. 
 
Uma audiência ainda terá de ser marcada nas próximas semanas para ouvir a defesa de Del Nero em Zurique, já que o brasileiro não tem condições de viajar sob o risco de ser preso e extraditado aos EUA. 
 
Para os advogados, esse mesmo órgão, em dois anos e meio de supostas investigações contra Del Nero, não produziu uma só linha de provas contra o brasileiro. Tudo o que existe foi ‘importado’ de Nova York, o que para a defesa invalidaria uma decisão da Fifa, que precisaria produzir suas próprias evidências. 
 
POLÊMICAS
 
O órgão que julgará o brasileiro foi criado na primeira grande reforma da entidade, realizada pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino. Mas sua autoridade é alvo de controvérsias depois que vários executivos e delegados da entidade abandonaram a Fifa acusando a gestão do novo presidente de impedir qualquer tipo de atuação independente. 
 
Cornel Borbely, o ex-investigador, e o juiz Hans Eckert foram afastados pela Fifa em maio, apesar de seus cargos terem um caráter independente da presidência. Nos meses que se seguiram, outros também deixaram a entidade. Numa carta aberta, três deles denunciaram o que de fato ocorria dentro da entidade: uma “interferência política endêmica”. 
 
 
 

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