Frequentadores da Cracolândia estão em situação de rua há mais de 5 anos

Perfil predominante na região é do sexo masculino, solteiro e com ensino fundamental incompleto

Cracolândia após ação policial em janeiro de 2020 - Maria Teresa Cruz/Ponte Jornalismo

do Brasil de Fato

Frequentadores da Cracolândia estão em situação de rua há mais de 5 anos

Caroline Oliveira
Brasil de Fato | São Paulo

O rosto que forma a Cracolândia, na região central de São Paulo, é masculino, solteiro, pardo, com ensino fundamental incompleto e está em situação de rua há mais de cinco anos. Esse é o perfil do frequentador da região traçado por uma pesquisa da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em dezembro de 2019,  divulgado nesta segunda-feira (3).

De acordo com o estudo, coordenado pelo médico psiquiatra Ronaldo Laranjeira, 65,3% dos usuários de drogas entrevistados na região passam a maior parte do tempo ali mesmo na Cracolândia, sendo que 41,7% estão em situação de rua há cinco anos ou mais e 77,5% não possuem atividade remunerada no mesmo período.

Gênero

Quanto ao gênero, 68,7% se identificam com o masculino, 23,7% com o feminino e 7,5% se dizem transgênero. Já em relação à raça, 45,8% se identificaram como pardo, 30,8% como negro e apenas 22,2% como branco. A idade é de 35,2 anos, sendo que 77,5% está solteiro, 49,6% é de São Paulo ou da Grande São Paulo e 36,1% não completou o Ensino Fundamental – apenas 0,8% completou o Ensino Superior.

Drogas

Cerca de 31% dos entrevistados afirmou que começou a frequentar a Cracolândia devido à alta disponibilidade de drogas na região. A idade média de início de consumo de crack na região é de 21,1 anos, que vai diminuindo de acordo com o ilícito utilizado: 17,1 para cocaína, 14,9 para a maconha e 11,4 para o álcool.

Saúde mental

No que diz respeito à saúde, 50,3% apresentam algum nível de quadro psicótico; 48,4 já praticaram automutilação e 38,2% já tentaram suicídio. A doença que mais se manifesta entre os frequentadores é a sífilis, atingindo 63% da população local.

Tráfico

Ainda de acordo com a pesquisa, o tráfico de drogas da Cracolândia movimenta em média R$ 9,7 milhões por mês – cada usuário gasta, em média, R$ 192,5 por dia com crack. O valor é maior do que o aplicado pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) na subprefeitura da Sé (na qual a Cracolândia está localizada), por mês, em 2019: cerca de R$ 7,3 milhões, em média.

Edição: Leandro Melito

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