5 milhões de paulistanos passarão virada do ano sem água

Grande imprensa descobre o Alto Tietê, que chega aos seus últimos dias

A não ser que 1) tenhamos chuvas absolutamente históricas ou 2) os técnicos da SABESP apresentem uma solução mágica (indisponível até o presente momento), quase 5 milhões de pessoas passarão a virada de ano sem água na região metropolitana de São Paulo em pouco mais de 20 dias. Como nem a primeira, nem a segunda possibilidade parecem factíveis, soa a cada instante mais provável a conjectura apresentada acima, hipótese que apresentei, pela primeira vez, em um texto publicado aqui no blog ainda em 18 de Julho – Um diagnóstico sobre a dramática situação do Sistema Alto Tietê  – há praticamente 5 meses, portanto.

Se a cobertura midiática sobre a crise hídrica já pode, em si, ser classificada como sofrível, a diferença no tratamento dado à situação do Cantareira quando comparado ao Alto Tietê é praticamente inexplicável (não por acaso, as fotos utilizadas em reportagem da Folha de hoje – para ilustrar a situação do Alto Tietê são de Julho!). Hoje, pela primeira vez, os grandes veículos de comunicação destacaram, como prioridade, o momento crítico enfrentado pelo segundo mais importante sistema de abastecimento de água de São Paulo. E, pela primeira vez, também aventaram a hipótese de que ele “pode colapsar”.

Uma primeira questão interessante, ao analisarmos o comportamento da mídia, é o desencontro de informações, sem réplicas ou críticas, que são produzidas pelos jornalistas. Na notícia do G1, afirma-se que a SABESP fala sobre a existência de uma reserva técnica, sem especificar seu tamanho ou o início de seu bombeamento. Já na notícia do R7 , coloca-se no título da própria matéria que o sistema não possui o tal volume morto. Para quem estuda o tema da transparência, o fenômeno do desencontro não pode ser catalogado de outra forma: trata-se de um case clássico de opacidade governamental. A gestão Alckmin, mais uma vez, demonstra o seu absoluto desinteresse em informar o cidadão, em produzir uma estratégia adequada de comunicação em situação crítica.

A guerra pela água está apenas começando, mas tudo o que o governo estadual diz é que não haverá problemas, e que a solução do bônus pela redução do consumo está sendo uma medida eficaz. Nada mais longe da realidade. Quando combinamos esse comportamento com a práxis conservadora da mídia, produz-se uma bomba-relógio, cada vez mais perto de explodir. Essa bomba mistura desinformação, ausência de incentivos colaborativos, crescente sensação de desespero e, é claro, a proximidade do esgotamento fático dos reservatórios. E nada, absolutamente nada, está no horizonte para mitigar quaisquer desses componentes trágicos para a população paulista.

A situação no Alto Tietê é tão grave, mas tão grave, que não é mais possível calcularmos em meses, mas sim em dias, a perspectiva de seu esgotamento. Para que tenham uma ideia, a represa de Biritiba-Mirim – aquela que começou a ter o seu volume morto extraído ainda na primeira semana de Outubro (o que foi confirmado pela SABESP apenas em Novembro) – está em um nível tão baixo, mas tão baixo, que sequer o Plano da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê  é capaz de especificar o quanto de água ainda restaria nesse reservatório.

Em Julho, após analisar esse documento, produzimos uma planilha (que foi compartilhada aqui no blog e que tem sido, até mesmo, utilizada por técnicos interessados na questão) a partir de uma regressão polinomial para podermos calcular o quanto de água ainda restava disponível em cada uma das represas do Alto Tietê – considerando-se os dados atualizados a cada 10 minutos no Sistema de Alerta de Inundações, o SAISP. No Plano supramencionado, são indicados alguns pontos-chaves de cada um dos reservatórios (cotas mínimas operacionais, cotas máximas, valores intermediários e alguns valores abaixo dos mínimos, em alguns casos). Vale dizer que a precisão das informações é bem inferior ao observado para o Cantareira, já que neste caso um dos compromissos cobrados pela ANA, na Outorga de 2004, era justamente a atualização das curvas cota x volume de cada um dos reservatórios desse sistema.

No caso de Biritiba, sabemos que o mínimo operacional se encontrava na cota 752,5 metros, quando então a represa se encontraria, ainda, com 25,84 bilhões de litros. A cota mínima apresentada no Plano é a de 750 metros, quando então restariam 15,37 bilhões de litros de água. Vale dizer que, em Julho, o DAEE teria autorizado a SABESP a retirar 10 bilhões de litros desse reservatório. E, em novembro, quando observamos aquela subida repentina do nível do Alto Tietê de 6,5% para 8,9%, vimos a imprensa noticiar, sem qualquer juízo crítico, que as chuvas teriam sido responsáveis por tal elevação, em apenas um dia. Depois, contudo, o governo afirmou que 1,8 pontos percentuais dessa subida teriam se dado em razão da adição dessa nova parcela – o que configuraria, acima de tudo, uma falta informação, levando-se em conta que parte considerável dessa fatia já havia sido consumida. Mas boa parte da mídia se “esqueceu” de noticiar essa correção, ao ponto de, agora, ficar em dúvida sobre a existência, ou não, se um volume morto extraível no Alto Tietê.

E em que nível se encontra, afinal, a represa de Biritiba? Neste momento, ela se aproxima da impressionante cota 748. Para sabermos o quanto, em termos nominais, ainda resta de água, temos de voltar às equações. Descobrimos que o “zero absoluto” desse reservatório se encontra na cota 744. Pela análise dos dados, chegamos à conclusão de que sobram, neste momento, cerca de 9 bilhões de litros de água. Por dia, a represa “perde” mais de 400 milhões de litros, algo entre 15 e 20 cm. Obviamente, quanto mais fundo se vai, maior é a diminuição das cotas, já que as represas tendem a possuir o formato “funil”. E, quanto mais fundo se vai, mais difícil se é de extrair os volumes restantes. Não é um exagero, por exemplo, pensarmos que o último metro de água não possa ser retirado. E não é pessimismo, portanto, constatarmos que, na verdade, algo como apenas 7 bilhões de litros poderão ser transferidos de Biritiba. Isso dá não mais do que 18 dias. O curioso é que, portanto, a SABESP já retirou algo como 160% do volume morto autorizado para essa represa. Logo, ela não terá condições sequer de atender às especificações da outorga com relação às afluências para os rios a montante, de forma que se corre o risco premente de inviabilizar o abastecimento das cidades que captam a água dessa forma. E aí, nenhuma nota do DAEE a respeito, nenhuma cobrança pública da SABESP, nenhuma estratégia alternativa a ser implementada?

E o que acontece a partir daí? Simples. Biritiba é a “represa do meio”, unindo Ponte Nova e Paraitinga aos reservatórios de Jundiaí e Taiaçupeba. Ela é central, tanto de um ponto de vista geográfico como hidrológico. Com seu completo esvaziamento, ou é cessada a comunicação com as represas anteriores, ou, mais provável, passa-se a depender consideravelmente mais das contribuições dessas duas para que os 12 m³/s que precisam chegar até a população possam vir a ser produzidos. O problema é que a situação de todas as demais represas também é absolutamente crítica.

Paraitinga, por exemplo, está, em tese, com cerca de 22% de sua capacidade. Parece bastante, mas o seu comportamento ao longo dos últimos meses nos mostra que há dificuldades operacionais significativas para que seja possível transferir o pouco de água que resta. Pouco, sim, porque são apenas 8 bilhões de litros. Um agravante – que talvez explique a dificuldade do seu funcionamento por gravidade – é o de que ela, definitivamente, não possui volume morto. Logo, ela se encontra em uma situação de quase colapso.

Ponte Nova é o maior dos reservatórios do Sistema Alto Tietê. Em volume útil, possui 290 hm³ disponíveis, quase 58% do total da capacidade dessas 5 represas juntas. No momento, no entanto, ela está em situação incrivelmente dramática. Restam, acima do nível operacional, não mais do que 4 bilhões de litros, menos de 2% de seu nível máximo, e algo como 30 cm de água acima dos níveis mínimos. E, pelo menos desde Outubro, a SABESP vem dependendo quase que exclusivamente do volume morto de Biritiba e do volume operacional restante de Ponte Nova para manter funcional o Alto Tietê.   No Plano supracitado, é dito que, em tese, ainda existiriam cerca de 43 bilhões de litros de água situados abaixo da cota mínima (755 metros). No entanto, os estudos feitos pela SABESP, ainda em Julho deste ano, ponderavam que apenas os volumes mortos de Biritiba e da represa Jundiaí poderiam ser captados. Como Ponte Nova tem perdido cerca de 400 milhões de litros ao dia, não é pessimismo considerar, então, que em apenas 10 dias ela deixará de transferir água adequadamente. E o que ocorre a partir daí?

No final da tarde, por sinal, tivemos a notícia  de que Alckmin “já” pediu autorização para explorar o volume morto de Ponte Nova. Já? Mesmo? Quanta tempestividade. Se o DAEE autorizar amanhã, as obras ficarão prontas até que o volume útil se esgote (os 10 dias aventados acima)? Provavelmente, não, levando-se em conta que processos similares tomaram 2 meses da SABESP. E mesmo que fique, o que representam 40 bilhões de litros, se plenamente extraíveis, caso não chova? Um mês e meio, quem sabe? E depois?

Sobram, então, as represas Jundiaí e Taiaçupeba. Desde praticamente o mês de Julho, Jundiaí se encontra no mesmo nível crítico. Equilibrando-se em uma corda bamba, a SABESP tem buscado transferir a água de Biritiba até Jundiaí, e de Jundiaí até Taiaçupeba sem reduzir ainda mais o nível da segunda. E por que razão? Simples. Jundiaí não tem sequer 1 bilhão de litros de água acima do zero operacional. Sendo mais específico, são 7 cm de água, e nada mais. E, se levarmos em conta uma reportagem do G1 de Novembro, parece que a SABESP desistiu de buscar captar o volume morto dessa represa.

Talvez como parte desse contexto desesperador, a SABESP buscou preservar a represa de Taiaçupeba, a última por onde passa a água até chegar à estação de tratamento, de mesmo nome. Após ter chegado a ter menos de 6 bilhões de litros, hoje possui quase 10. Todavia, no caso de colapso total das demais represas, esse volume não duraria mais do que 12 dias. E, como vimos, o caos total, em breve, está absolutamente na ordem do dia. Se a medida mais efetiva do Governo Alckmin é o de contar com “as chuvas de Dezembro”, então logo passaremos a calcular o completo esgotamento do Alto Tietê em horas. E sem avisos governamentais com qualquer antecedência.

Alckmin parece ter tido aulas bastante tortuosas sobre o que é ser um estadista. Ou, pior, as aulas podem ter sido boas, mas ele não compreendeu o seu sentido. Em algum momento, entendeu e reproduziu a ideia de que enfrentar uma das situações mais complicadas da história paulista, a qual exigiria liderança, medidas drásticas e criatividade, na verdade seria lidada a partir de uma aparente tranquilidade – que expressa, na verdade, um terrível misto de apatia, provincianismo no tratamento do problema e pouquíssima abertura democrática. Pois essa postura de quem nega a gravidade das coisas e afirma estar no controle da situação, típica de heróis burlescos ficcionais, na realidade nos transmite a ideia de que ele possui um imenso desapreço pela cidadania diante dessa verve de que “a gestão é minha e eu só aviso o que estiver fazendo se os jornais pressionarem um pouco mais”. 

Longe de esboçar estadismo, Alckmin nos ensina sobre o que é o “populismo neoliberal”: políticas públicas com transparência débil, parcas oportunidades de controle social, foco privatista, prioridade ao lucro mesmo nas emergências, discurso chocho, com sabor de chuchu. A fórmula, apesar de asséptica, é altamente populista, já que se volta meramente à sobrevivência política do mandatário. A novidade conceitual está em seu viés neoliberal, o qual busca criar uma “cola” direta entre governante e indivíduo (e não um corpo social), o que é viabilizado a partir da mítica retórica do bônus, que retoma o homus economicus dos velhos manuais de microeconomia. Todo esse caldo pode até funcionar, de um ponto de vista eleitoral, na tão conservadora São Paulo. Mas os resultados práticos desse modelo de gestão, a cada dia, vão nos mostrando o equívoco monumental que representam, na medida em que, reiteradamente, expressam a mais primária negação a respeito da profundidade – sem trocadilho – da tragédia hídrica vivida por São Paulo.

Curva Cota-Volume do Biritiba

Cota x Volume do Volume Morto do Biritiba

Comparação Julho/Dezembro

Níveis dos Reservatórios em %

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40 comentários

  1. Apartir do outono do ano que

    Apartir do outono do ano que vem, no mais tardar junho, Cantareira e Alto Tiete estarão completamente colapsados. Terceira (?) cota do volume morto e reserva de Ponte Nova estarão esgotadas.

    Só vai sobrar o Guarapiranga, que continua caindo em pleno mes de Dezembro. 

    A promessa do governador de que não haveria racionamento até março (para os mais ricos,claro) será cumprida. Depois disso= caos total.

     

    Cantareira = 19 m/2

    Alto Tiete = 14m/2

    Guarapiranga =15m/2

     

    Todas obras contra seca juntas não alcanção 18 m/2

    – São Lourenço = 5m/2

    – Agua de Reuso (Esgoto Tratado) Guarapiranga e Cotia = 3 m/2

    – Transferencia Paraiba do Sul(???- que tb está seco!!!) = 5 m/2

  2. Com certeza a rede dos

    Com certeza a rede dos MARINHOs irá encontrar uma noticia EXTREMAMENTE NEGATIVA da prefeitura de São Paulo para eclipsar esta da falta de água.

    P.ex: Por falta de investimentos do governo Dilma São Paulo não terá reveion.

    Dilma contratou empreiteiras para secar São Paulo.

    ai ai, elegemos um xuxu e ele não deu água.

  3. Com certeza a rede dos

    Com certeza a rede dos MARINHOs irá encontrar uma noticia EXTREMAMENTE NEGATIVA da prefeitura de São Paulo para eclipsar esta da falta de água.

    P.ex: Por falta de investimentos do governo Dilma São Paulo não terá reveion.

    Dilma contratou empreiteiras para secar São Paulo.

    ai ai, elegemos um xuxu e ele não deu água.

    • Nem precisa, Waldomiro. Hoje

      Nem precisa, Waldomiro. Hoje no Bom Dia São Paulo, eles deram 30 segundos de reportagem para falar do nível das represas, depois ficaram metadde da edição falando do gravíssimo problema dos pontos de taxi da capital.

       

  4. Minha tia mora em

    Minha tia mora em Salesopolis.já faz uns 15 dias que ela fez contato,e avisou que a represa de Biritiba Mirim estava secando.Aqui em Guaianazes somos atendidos pelo Alto Tiete.Faz 20 dias que a Falta da agua estorou de vez.

    Já faz uns 3 meses que eu adotei  economia total,minha caixa de 1000 litros,já secou 2 vezes.quando chega agua a pressão é tão pouca que não sobe para a caixa.

  5. MEU DEUS!!!
    Acredito porque

    MEU DEUS!!!

    Acredito porque estou lendo.

    E o Sr. Alckmin é eleito no 1º turno!

    Vão por a culpa em quem? Dilma? Lula? Haddad?

    Acho que vai sobrar pra alguém do PT!

    Será que a mídia não carece de regulação?

  6. Se o Alkmin sobreviveu SEM

    Se o Alkmin sobreviveu SEM NENHUMA PASSEATA CONTRA A FALTA Dágua até aqui!

    Este 5 milhões ficarão ENVERGONHADOS DE TEREM GASTO TANTA ÁGUA, ENQUANTO OS OUTROS ECONOMIZAVAM!

    Será reconhecido HEROI por resolver um problema que em parte ele causou…

    Fazer o quê…

  7. Ocupem a Av Paulista. Já que

    Ocupem a Av Paulista. Já que não tem ‘recall’ para eleições. E não há como incriminar a mídia pela manipulação da situação em São PAulo durante as eleições.

     

    Vão Às ruas!!!!!

  8. O LUCRO É INTERESSA, O RESTO NÃO INTERESSA

    Pensaram que fosse a Saúde?

    Que nada! É o lucro.

    A Sabesp – em plena crise de abastecimento – terá, mais uma vez, lucro de aproximadamente dois bilhões.

    Seus acionistas agradecem e as ações da SABESP irão ficar, ainda, cada vez mais valorizadas, mesmo com investimentos pífios.

    É tudo fruto do capitalismo. 

    Para que serve a SABESP?

    Alguns ingênuos diriam: para cuidar do abastecimento de água e tratamento dos esgotos públicos.

    Ora, “in veritas”, serve para vender água.

    E como vendedora de água, haverá um lucro de aproximadamente dois bilhões de reais, tal como aconteceu nos anos anteriores.

    No sistema capitalista, o que interessa é lucro.

    O resto não tem pressa.

    Se a população ficar sem água. Não se preocupem, queridos acionistas da SABESP.

    A água escassa vale mais. Poderemos cobrar muito mais.

    Viva o lucro!

    Sem o lucro, não teria graça nenhuma.

    Ah, lucraram muito. Não tem problema. Irão gastar tudo em Miami. Dizem que lá é mais barato.

     

  9.   Isso é… ESPANTOSO.

      Isso é… ESPANTOSO. Confesso que não chego nem a ler os posts do Sergio Reis até o fim, porque esse assunto está mais pesado que filme de terror.

      Feliz estava eu quando Sérgio Reis significava apenas música sertaneja. Nada contra o mensageiro, mas estou ficando assustado demais.

  10. Penso que ainda não se tem um

    Penso que ainda não se tem um quadro completo do que acontecerá no Estado de São Paulo, quando acabar a água.

    Fico admirado que as “forças produtivas da nação” ou a “locomotiva da nação”, segundo um ex que a toda hora divulga besteiras políticas, não tenha se manifestado ao longo desse tempo que se discute o esgotamento das reservas de água da região metropolitana.

    Ninguém parou para pensar o que vai significar a falta de água para a indústria, comércio, educação, saúde e população. Manifestações populares, então, alguém sabe de alguma?

    Daí, surge uma dúvida – incompetência coletiva ou simplemente má fé? Porque o resultado disso poderá ser demissões em massa, fechamento de empresas, hospitais e escolas. E não vai ser apenas na região metropolitana, com reflexos que afetarão o resto do pais.

    A quem aproveita?

  11. Espero que a população em

    Espero que a população em peso compareça no evento de distribuição de lucros da SABESTA para cobrar a água.

    Para se ter uma ideia, cada real daqueles distribuidos representará uma criança desidratada ou outra com problemas de pele, tifo (por beber agua do esgoto) e dai adiante.

    É Srs, o débido moral esta ficando alto, muito alto, principalmente por estarmos em pleno III milenio com questões como estas ainda a serem “elucidadas”.   Tenham uma boa noite.

  12. E pensar… por causa de 20 centavos…

    É muita desinformação!  Mesmo que a mídia proteja o governador!  Aliás ” governadores”. Pois desde o governo Serra, eles foram alertados sobre esse caos que poderia acontecer, caso não tomassem as providências com as obras necessárias. E os paulistas informados?  Dizem amém a todo esse estado de tragédia?  Não foram às ruas pelos 20 centavos? Não iniciaram o incêndio, quando navegávamos em águas calmas?   Tenho muita pena dos vários colegas paulistas que aqui nesse espaço, conscientemente vêm acusando essa irresponsabilidade.  Jamais esquecerei o comentário do Zarastro, expondo seu problema. Minha solidariedade, Zarastro! Que tudo se resolva a contento!  

  13. E tome previsões…

    Se dependesse dos dados do então candidato ao governo do estado Padilha, as torneiras que dependem do Cantareira estariam secas a umas 4 semanas atrás…

  14. A IRONIA

    O irônico são os bairros mais luxuosos, que votam no PSDB em peso, com água; e os bairros mais pobres, que não votam no PSDB, sem água.

    Se o povão não espernar, e mostrar seu descontentamento, lá na frente vai engolir coisa até pior. E não tem o que questionar, o PSDB irresponsavelmente desmatou 70 % das áreas, que deriam ser preservadas:

    https://www.facebook.com/democracia.direta.brasileira/photos/a.300951956707140.1073741826.300330306769305/535066293295704/?type=3&theater

  15. Tadinhos!

    Não entendo! Privatizar não resolve tudo? Por que a Sabesp precisa pedir à Dilma o aporte de dinheiro público?

    Nós vamos ter que pagar pela farra tucana? Os gringos embolsaram os “dividendos” da Sabesp e nós vamos custear o prejuízo?

    Paulista quer mais, quer muito mais PRIVATARIA TUCANA!!!!! Bravo Belo…

  16. Pergunta se na casa do


    Pergunta se na casa do governico de sp e na mansão dos amiguinhos dele faltará água? Os paulistas de deram mal, mas parece que estão acostumados com gotinhas, migalhinhas. Eu, sinceramente, sinto muito pela falta de capacidade de gerenciamento desse estado.

  17. Algumas contas a partir dos artigos que me intrigaram

    Li seus artigos sobre o Tietê e o parabenizo. Li também este outro do G1

    http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/12/governo-avalia-uso-de-40-bilhoes-de-litros-de-volume-morto-do-alto-tiete.html

    Transcrevo o que interessa:

    “Os 40 bilhões de litros representam um acréscimo de 7,5 pontos percentuais no nível do sistema. Se a água fosse incorporada nesta quarta, o nível chegaria a 11,9%”. Hoje, dia 10/12/14, o Alto Tietê marca 4,4% no site da Sabesp.

    Concordando com você da falta de transparência e informação, fiz as contas para ver quanto de água haveria no Alto Tietê por estes dados. Deu um sisteminha simples, cujo resultado você pode conferir facilmente.

    Sendo X a quantidade de água do Tietê e T o total de água que ele pode armazenar, pela reportagem da Globo, teríamos:

    1) X/T = 0,044 (4,4%)

    2) (X + 40) / (T + 40) = 0,119 (11,9%)

    Resolvendo, encontrase T = 469,86. Mas está abaixo da capacidade do Alto Tietê inclusive nos relatórios oficiais, que você lincou. Esta seria 517,3 bilhões de litros.

    Aí me lembrei de que a Sabesp fez a mesma conta porca quando “aumentou” o nível do Cantareira somando o volume morto sem aumentar a capacidade total. Inflando artificial e erroneamente o % de água. Tão ridículo que algumas represas, como Atibainha, ficaram com 120% de água, ou seja, “transbordaram” ao menos no papel!

    Refiz:

    1) X/T = 0,044

    2) X + 40 / T = 0,119

    Neste caso, encontra-se T = 533,3 e X = 23,46 bilhões de litros.

    Você estudou mais, e talvez possa confirmar, ou não. Mas assim parece que já foram acrescentados 16 bilhões de litros (b.l.) do volume morto ao sistema. Aumentando a sua capacidade. E mais do que os 10 b.l. divulgados pela imprensa em Novembro.

    Também seria semelhante ao que fizeram no Atibainha. Gastaram mais do que a cota do 1o volume morto. Esconderam. Quando a ANA conferiu e denunciou, tiraram as réguas de medição! Este é o governo Alckmin!

    Rumo ao Saara!

    • O cálculo que você fez é o

      O cálculo que você fez é o correto, e foi o utilizado pela ANA. A SABESP, pelo contrário, mente e manipula os dados. É uma coisa aterradora. Mente porque, de fato, avança por sobre novas cotas do volume morto sem incluí-los no cálculo, e manipula porque adota uma conta ridícula de padaria para computar o volume morto. O que venho defendendo, há muito tempo, é que os valores sejam apresentados com seus números reais, sem “incorporação”. Assim, hoje estaríamos com menos 22%, e não com “mais 4,4%”. Essa estratégia de ir somando os valores do volume morto aos volumes úteis é super antipedagógica, já que sempre dá a ilusão de que a situação é menos pior do que é de fato. Afinal, se por um milagre toda a capacidade operacional do Cantareira for recuperada, quanto a SABESP irá mostrar? 130%? Não faz o menor sentido. Há “matemáticos” que já deram declarações afirmando que tanto o modelo de cômputo da ANA como o da SABESP estariam corretos, afinal, no final chegaria-se a zero da mesma forma. É uma falácia, bem mostrada por blogueiros como o Maurício Tuffani, que associaram o mandrake da SABESP. Essa analogia dele é divertida:

      “A conta

      Imaginem uma fazenda com 982 hectares disponíveis para o plantio de árvores e que recebe anualmente de uma ONG um apoio financeiro com base no percentual de área plantada. Dessa área total, apenas 80 hectares estão plantados —ou seja, 8,2% da capacidade— e que estavam diminuindo, pois o dono não plantava mais nada e ainda cortava árvores para produzir lenha e vender.

      Para melhorar esse índice, o proprietário comprou 182,5 hectares cobertos por árvores de uma fazenda vizinha, aumentando para 262,5 hectares o total a ser considerado para o apoio financeiro, correspondente a 22,5%, correspondente aos da nova área total disponível, que cresceu para 1.164,5 hectares com a incorporação.

      Mas em seu relatório para a ONG no ano seguinte, o fazendeiro apresentou um índice bem maior, de 26,9%, também baseado no novo total de 264,5 hectares cobertos por árvores, mas que desconsiderou a ampliação da área total. Ou seja, ele fez um cálculo enganador com base no dado anterior de 982 hectares.” (http://mauriciotuffani.blogfolha.uol.com.br/?s=SABESP)

      Em síntese, a SABESP simplesmente soma as novas cotas no numerador, sem aumentar, de forma correspondente, o denominador. É um acinte. E, no caso do Alto Tietê, onde a transparência ainda é muito menor, na verdade teríamos, hoje, um volume disponível de cerca de 1%, caso descontemos o VM já extraído de Biritiba. Em um outro post, em que trato da “barrigada” da mídia naquele dia em que o volume total do sistema subiu de 6,5% para 8,9%, mostro que as cotas de todos os reservatórios continuaram caindo normalmente naqueles dias, mesmo com as chuvas (por sinal, em um comportamento similar ao atual). Não haveria como, portanto, o volume subir (seja os 2,4% alegados inicialmente, seja os 0,6% informados depois, por causa das “chuvas” – sendo os 1,8% remanescentes tributários da inclusão do VM). O triste é que nossa grande imprensa é de uma conivência atroz, e o nosso controle social, muito frágil. É fácil para a SABESP deitar e rolar nesse cenário.

      • SergioLeio ocasionalmente os

        Sergio
        Leio ocasionalmente os seus comentários e compartilho sua indignação com relação à falta de transparência e manipulação de números.
        Porém, vamos esclarecer também que “volume morto” é uma mera terminologia operacional que não tem muito a ver com disponibilidade. Sua origem é do setor elétrico onde o “usuário” são turbinas, estas sim exigindo uma certa cota, abaixo da qual o volume disponível é considerado “morto”.

        Não entre nesta de manipular também, que esta não é a sua.

        Parabéns pelo constante alerta à população e pelos “puxões de orelha” a quem merece.

        [    ]´s   DG

        PS. trabalhar com porcentagens sem deixar claro com relação ao que, é bem maquiavélico; não acha ?

        • DG, não tenho intenção alguma

          DG, não tenho intenção alguma de manipular o leitor. A ideia de “volume morto” também é válida, sim, do ponto de vista dos recursos hídricos. Ela se relaciona, de um ponto de vista hidrológico, com as parcelas de água situadas abaixo do chamado “zero operacional”. Ao contrário do que diz a SABESP, abaixo do “zero operacional” não necessariamente as parcelas de água são extraíveis por meio de bombeamento. Isso depende da topografia da represa e da circunstância de ela depender, ou não, de transferência de água por gravidade. Veja, por exemplo, que até a outorga de 2004, o volume morto do Jaguari-Jacareí, no Sistema Cantareira, se iniciava na cota 829. Era possível, sim, retirar água abaixo disso sem bombas, mas o projeto da represa apontava a perda de eficiência no transporte de água (de forma que na cota mínima estabelecida após a outorga de 2004 passou a ser de 820,8 m, ponto em que a vazão máxima de saída cai de 33 m³/s para 20 m³/s), até o minimorum, na cota 818 (soleira da comporta mais baixa), quando então não há mais transporte de água por gravidade. De um ponto de vista ambiental, por outro lado, o volume morto expressa uma camada de conservação da represa, uma espécie de “espelho d’água de sobrevivência”, que não pode ser retirado sob pena de “matar” o reservatório. Em tese, então, o volume morto só deveria ser retirado como última saída, porque sua extração altera dramaticamente as condições do ecossistema da represa. Em síntese, certamente no setor elétrico a cota de início do volume morto expressa uma espécie de inviabilidade fundamental, de caráter físico, para a operação do sistema. Mas no contexto dos recursos hídricos eu diria que o conceito de volume morto também é extremamente importante, e os efeitos de sua extração são igualmente dramáticos.

          Concordo totalmente com seu PS. Como alguém que trabalha com transparência, fico absolutamente espantado com a lógica opaca e autoritária conduzida pela gestão Alckmin. Essa estratégia impede completamente o fortalecimento do controle social.

          Um abraço,

          Sérgio

           

  18. Com a reprovação das contas,

    com toda falta dágua e com tanto escândalo do trensalão, eu já tô começando a acreditar que a ópera do impeachment vai ser com o tenor Geraldino AlKmini

  19. Triste

    A zelite  tacanha e cinica da cidade de São Paulo, vai pra rua todo final de semana pedir intervenção militar. Por que não pede água nas torneiras? É muito mais coerente. De uma coisa eu tenho certeza. O povo pobre o remediado é que vai sofrer com esse descaso. Será que os apartamentos de Carlos Sampaio e de FHC ficarão sem água nos banheiros?? Quem me dera …  

  20. Nassif! uma sugestão.ontem

    Nassif! uma sugestão.ontem houve uma enchente no bairro de Itaquera aqui em São Paulo,nunca antes houve enchentem  neste local.Nesse local da enchente está sendo realizada uma Obra do GOVERNO DO ESTADO  DE SÃO PAULO! ontem já se aventou a hipotese que devido ao estreitamento de um rio por causa dessa obra seria a causa dessa tragedia.Hoje assistindo o Datena é escandaloso a tentiva da Bandeirantes tentar envolver a Prefeitura o Haddad.chegou ao ridiculo de pegar uma mulher para ser entrevitada e durante a entrevista a mulher se diz que não conhecia a area e depois que teve o seu carro destruido os comerciantes a avisaram que lá sempre teve enchente MENTIRA! oras por que não pegar moradores e comerciantes da area para fazer a cobrança?.

    Depois as falas do Datena totalmente treslocadas,envolvendo o Estadio do Corinthians ,não tem nada haver.como sempre o velho mantra que deu dinheiro! Meu Coringão vai pagar o financiamento.ele comecou a falar da falta dagua percebe-se nitidamente que ele é interrompido pelo o ponto,falaram politicos mais não falaram do governo do estado.pegaram um para entrevistar que provavelmente não era do local acusando até senadores e volta para o ITAQUERÃO dizendo “incendiaram a copa” incendiaram? Eles nem tiveram o trabalho de ensinar os seus entrevistados a fazer a pronuncia correta.Nassif começou a Campanha de 2016 ,por favor  GGN  Faça uma cobertura correta.

  21. Alto Tietê para 10.7%

    Olá Sergio,

    Qual é o melhor jeito de interpretar a notícia de hoje sobre Ponte Nova:

    http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,sabesp-comeca-a-usar-volume-morto-de-39-4-bilhoes-de-litros-do-alto-tiete,1606861

    Ganhamos realmente 40 bi de agua de vez sem nem sequer precisar fazer obras. Por que então esta agua já não estava inclusa na capacidade do Alto Tietê??? Quem decide isso? Por que agua que não pecisa ser bombadeada não é considerada parte do volume útil????

    Por favor, nos ajude a fazer sentido de tudo isso..

    Abs,

     

    Nicolas

     

     

    • Nicolas, a SABESP está só

      Nicolas, a SABESP está só tentando ganhar tempo. É possível, sim, que uma parte (possivelmente pequena) do VM de Ponte Nova seja extraível sem bombas, mas nunca todo ele (e dá pra dizer, sem soar leviano, que 40 bilhões de litros constitutem praticamente todo o VM existente, que é de 43 bilhões). O “zero operacional” expressa, em boa parte dos reservatórios, o ponto em que, na melhor das hipóteses, a captação e o transporte de água deixam de ser ótimos, ou seja, a partir daí perde-se eficiência. Em muitos casos, na verdade, o “zero operacional” indica o ponto em que não há como a gravidade agir. Usando o Sistema Cantareira como exemplo, até 2004 o 0 de Jaguari-Jacareí estava na cota 829. Abaixo disso, era possível transportar água, mas se perdia a vazão de 33 m³/s, que ia declinando consideravelmente. A cota era estabelecida aí por uma questão da segurança do sistema. Com a crise de 2004 e a renovação, logo em seguida, da outorga, desceu-se o 0 para a cota 820,8 (mais cerca de 200 bilhões de litros à disposição, mesmo que com vazão reduzida), o que deu a ilusão de que havia mais água disponível (sem a expansão, propriamente dita, do sistema produtor). Mas, na cota 820,8, a transferência tende a 0, daí a necessidade das bombas. É preciso lembrar, como sabemos, que abaixo dessa cota ainda havia algo como 240 bilhões de litros. É possível que seja o mesmo caso de Ponte Nova: alguns bilhões de litros (1 metro de cota? menos? mais? não sabemos) podem ser retirados por escoagem natural, mas é bem provável que a imensa maioria do VM não o seja. O fato é que a SABESP, inclusive, está tentando preservar Ponte Nova, de acordo com os dados mais recentes. E, para tanto, acaba de entrar no VM da represa Jundiaí. E agora?

      • Ficou mais claro

        Obrigado pelas explicações. Tirou minhas dúvidas. Estão realmente fazendo tudo para salvar as aparências e evitar que a população entre em pânico… 

  22. Multa pelo uso da água

    Sérgio, parabéns por expor a situação de forma clara! Eu vejo que falta nas mídias ditas  “convencionais” uma abordagem mais crítica e profunda sobre a situação da crise da água em São Paulo.

    O que achou dessa última medida do Governo do estado, de impor multa para quem gastar além da média de consumo? Está certo isso?

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