Instituto nega, mas jornais vendem um Lula “furioso” com Dilma após Zelotes

Jornal GGN – A reportagem “não tem qualquer fundamento” e as “informações nela contida são completamente falsas”, disse o Instituto Lula, ainda na segunda-feira (26). Ainda assim, um dia depois, Estadão e Folha vendem em suas edições impressas a versão de que o ex-presidente da República está “furioso” com a sucessora, Dilma Rousseff (PT), em função da ação de busca e apreensão da Operação Zelotes em duas empresas de seu filho, Luís Cláudio Lula da Silva.

Leia mais: Zelotes sai do encalço do poder econômico para atingir Lula

Folha afirma que ouviu de “três interlocutores” que não quiseram se identificar o “desabafo” de Lula sobre a atuação da Polícia Federal e do Ministério da Justiça de José Eduardo Cardozo – que, supostamente, deveria chefiar a corporação. O Estadão seguiu a mesma linha do uso da fonte em off.

Segundo a Folha, Lula vê duas hipóteses para o último “ataque” que sofreu da PF: ou é um sinal de total “desgoverno” por parte de Dilma e de Cardozo, que não têm controle sobre os agentes federais para, no mínimo, impedir vazamentos de inquéritos em andamento. Ou Dilma aceitou uma recomendação para deixar a PF trabalhar, ainda que atacando Lula e o PT, porque, dessa maneira, a presidente sai do radar das páginas policiais.

“Diante das reclamações do ex-presidente (…), assessores presidenciais, reservadamente, comentaram que o petista não tem razão em suas queixas porque não foi a Polícia Federal que pediu autorização. Segundo auxiliares, a operação, inclusive, não constava do pedido da PF e foi incluída por solicitação do Ministério Público Federal”, escreveu a Folha.

Lula já é alvo do MPF em outras frentes, como no caso BNDES, em que se tornou suspeito de tráfico de influência internacional e, mais recentemente, em uma investida de procuradores que querem saber se o petista, ao deixar o Palácio do Planalto, em 2010, levou para casa artigos presidenciais que deveriam ficar retidos em Brasília.

Leia também:

Por operação Delenda Lula, MPF vai atrás de Collor, FHC e Itamar

Na época, o alto custo da politização do MPF

O suposto balanço na relação de Dilma e Lula ainda ocupou espaço no Painel e na coluna da jornalista Mônica Bergamo. No primeiro caso, saiu a informação de que, “Apesar da indignação em alta no Instituto Lula, o ex-presidente da República deu sinais de que se cansou de defender a demissão do ministro da Justiça” e que a Zelotes adicionou um “componente emocional” às queixas de Lula acerca de perseguição com o PT. “Ao atingir o filho, a polícia ‘simbolicamente entrou na casa de Lula’.”

Bergamo escreveu, também nesta terça-feira (27), que Lula tem sido aconselhado por juristas ligados ao PT, marqueteiros e aliados a montar uma frente ampla de defesa jurídica em Brasília e Curitiba, onde corre a Operação Lava Jato. A ideia é fazer com que o ex-presidente não fique a reboque das informações que são vazadas na imprensa contra ele. Além disso, o ideal seria que ele assumisse a candidatura à Presidência em 2018, para tentar colher frutos positivos da relação com o eleitorado.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora