Institutos Federais têm maior nota no Enem, mesmo sofrendo cortes

Mesmo sofrendo contingenciamento, elite das escolas públicas continua apresentando alunos mais competitivos no Exame Nacional 

Resultado do Enem Foto da Agência Brasil

 
Jornal GGN – Apesar de se destacarem entre as melhores instituições de ensino médio, os institutos federais sofreram queda de orçamento no governo Temer. O modelo de ensino com foco nem educação técnica e profissional, com cursos de ensino médio e superior, foi uma das bandeiras na área de educação do governo Lula e Dilma.
 
Segundo um levantamento da Folha, mesmo com o contingenciamento, os institutos federais lideraram a nota do Enem em 2016 em 14 Estados. A rede é composta por 644 campi e 878 mil alunos (64% de ensino médio) e entre 2015 e 2017 o recebimento de verbas caiu 14%. A redução no volume resultou no cancelamento de projetos e sucateamento da infraestrutura, apontaram representantes das instituições ao jornal. 
 
Para obras e compra de equipamentos, por exemplo, os recursos recuaram 61% no período. Apesar desse cenário, a tabulação de dados do MEC realizada pela Folha revelam que os institutos federais tiveram média 564,93 no Exame Nacional do Ensino Médio de 2016 – apenas 3% abaixo da rede privada (580,93). A média do campos Vitória do Ifes, por exemplo, foi 651,83 em 2016, a mais alta entre os institutos, colocando a escola em 171º lugar entre todas as escolas públicas e privadas do país (8.857 unidades).
 
“Trabalhamos a ideia de teoria e prática, e alia isso com nossos excelentes alunos (…) Com a mesma fatia de orçamento, estamos no teto das possibilidades”, comentou o reitor do Ifes, Jadir Pela, ao jornal. 
 
Para o Wilson Conciani, do Conif (Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica) o governo Temer proporcionou perdas ao ensino nacional ao não consultar representantes dessas instituições para debater a reforma do ensino médio, aprovada em fevereiro do ano passado após tramitação acelerada no Congresso, criticando a falta de diálogo que poderia replicar o know how dessas instituições em todo o país.
 
“Uma vez que os institutos federais têm um trabalho de qualidade, comparado às experiências internacionais, esperávamos ter participação mais ativa. Isso até agora não aconteceu”.
 

3 comentários

  1. Notas altas devido às cotas inúteis + ensino de qualidade

    Eu acho que é uma injusiça social conceder cotas para alunos dos intitutos Federais. Isso é um erro e deveria ser corrigido.

    A qualidade do ensino público nesses Institutos é alta e dispensa a necessidade de cota. 

    Atualmente a melhor estratégia para entrar em uma faculdade via Enem seria primeiro conseguir vaga nesses Institutos e depois fazer Enem utilizando as cotas. 

    Com uma alta qualidade de ensino e ainda dando acesso à cotas não me espanta que as notas dessas instituições seja maior que as demais. 

    O objetivo inicial das cotas é inserir pessoas com maiores dificuldades nas universidades… porém, nesse caso as cotas são apenas um privilégio.

    Sugiro uma reportagem sobre a origem dos alunos dos Institutos Federais… desconfio que a elite do país já deve ter encontrado esse atalho… conseguir uma vaga nesses colégios deve estar tão difícil quanto arrumar vaga em faculdade.

    Gostaria também de mencionar que a “máquina dos cursinhos” já está totalmente adaptada à realidade das cotas. Um aluno negro e de instituição pública tem acesso à bolsas de até 100% em cursinhos caríssimos. Esses alunos são usados como “marketing de aprovados” pelos cursos pré-vestibular. As cotas, que eram uma ótima iniciativa, devem estar sempre se renovando para acompanhar o mercado. 

    A lei das cotas deve ser corrigida: APENAS ALUNOS DO ENSINO PÚBLICO QUE NÃO TIVERAM ACESSO A CURSOS PARTICULARES.

     

    PS: sou 100% favorável às cotas para alunos da rede pública estadual e municipal, negros e indígenas. 

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