Manifesto de ex-dirigentes da Andifes em defesa das universidades federais

Os ex-dirigentes alertam que, caso mantido, o contingenciamento irá comprometer os campi em todo o extenso território brasileiro, além de unidades de ensino, pesquisa e extensão.

Jornal GGN – Ex-presidentes da Associação Nacional dos Dirigentes da Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) assinam documento alertando que mais de 300 unidades universitárias serão afetadas, caso o bloqueio de recursos feito pelo governo Bolsonaro não for revertido. São 23 assinaturas no documento. O manifesto foi lançado neste 17 de setembro.

Tais instituições são responsáveis por mais de 90% da produção científica do país e estão ameaçadas de morte por tal bloqueio de recursos. Os ex-dirigentes alertam que, caso mantido, o contingenciamento irá comprometer os campi em todo o extenso território brasileiro, além de unidades de ensino, pesquisa e extensão. Clamam pela união da sociedade em defesa das universidades, uma causa de todos.

Leia o manifesto a seguir.

Nós, ex-presidentes da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, Andifes, ao longo de sua existência, desde sua fundação em 1989, nos pronunciamos sobre a urgente necessidade de diálogo direto e responsável entre o Governo Federal e a Andifes, assim como com os dirigentes das instituições federais de ensino superior do País.

Hoje presentes em todas as unidades da Federação, as Universidades Federais são responsáveis pela formação de profissionais, docentes, pesquisadores e cidadãos em todo o Brasil, desde a instituição da primeira universidade federal pelo Governo, há cerca de um século.

A sociedade brasileira tem manifestado sua preocupação em relação ao bloqueio orçamentário das Universidades Federais em, pelo menos, 30%, atingindo, em alguns casos, mais de 50% das despesas discricionárias. Se mantido, o contingenciamento poderá comprometer o funcionamento de mais de 300 campi instalados em todos os rincões do extenso território brasileiro, além de milhares de unidades de ensino, pesquisa e extensão.

As Universidades Federais, somadas a outras instituições de formação e pesquisa públicas, concentram mais de 90% de toda a produção científica do País, levando o Brasil a ocupar a 14a posição na produção cientifica mundial, das humanidades às engenharias, passando por todas as áreas do conhecimento humano. Preservar e expandir este patrimônio nacional é dever do Estado brasileiro.

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O Parlamento tem se manifestado e se comprometido com a busca do diálogo e caminhos para evitar o corte no orçamento das Universidades Federais. Há que se reconhecer e estimular o esforço de deputados e senadores e, sobretudo, da Frente Parlamentar pela Valorização das Universidades Federais. O diálogo é a palavra-chave desses caminhos demandados pelos brasileiros.

A educação em geral e a educação superior se constituem em direitos legitimamente aspirados pela sociedade brasileira, principalmente a educação de qualidade, socialmente referenciada, pertinente às demandas do desenvolvimento do Brasil, como bem público, direito da sociedade e dever do Estado.

A Conferência Regional de Educação Superior (CRES) da América Latina e Caribe, reafirmou, em 2018, o papel da universidade e da educação superior para a construção de sociedades mais justas, equânimes e solidárias, de acordo com as Conferências Mundiais de Educação Superior (CMES) da Unesco, reunidas em Paris em 1998 e 2009.

Ao longo de seus 30 anos, a Andifes sempre se pautou pelo diálogo direto com as autoridades governamentais. Não será distinto agora no que se refere à proposta do MEC, denominada “Future-se”. O diálogo é imperativo e absolutamente necessário, mas é inadmissível a transferência da gestão acadêmica, administrativa e financeira das Universidades Federais para Organizações Sociais, afrontando o princípio constitucional da Autonomia Universitária, nos termos do Artigo 207 da Constituição Federal. Há que se preservar, igualmente o papel das Reitorias e dos Conselhos Superiores. O debate maior certamente se dará com a sociedade brasileira através do Parlamento brasileiro.

Hanna Arendt nos ensinou que a história mostra que, em momentos de crise, a opção pela educação e pelo conhecimento sempre frutificou.

Ao diálogo, pois, com a construção de soluções concretas e priorização da educação e do conhecimento. As Universidades Federais sao patrimônio inalienável da sociedade brasileira, preservemo-lo.

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Assinam:

Alan Kardec Martins Barbiero (UFT) 2009-2010

Amaro Henrique Pessoa Lins (UFPE) 2008-2009

Ana Lucia Almeida Gazzola (UFMG) 2004-2005

Angela Maria Paiva Cruz (UFRN) 2016-2017

Antonio Diomário de Queiroz (UFSC) 1995-1996

Arquimedes Diogenes Ciloni (UFU) 2007-2008

Carlos Edilson de Almeida Maneschy (UFPA) 2012-2013

Emidio Cantidio de Oliveira Filho (UFRPE) 2000-2001

Emmanuel Zagury Tourinho (UFPA) 2017-2018

Jesualdo Pereira Farias (UFC) 2013-2014

Joao Luiz Martins (UFOP) 2011-2012

José Ivonildo do Rego (UFRN) 1998-1999

Maria Lucia Cavalli Neder (UFMT) 2015-2016

Nelson Maculan Filho (UFRJ) 1992-1993

Newton Lima Neto (UFSCAR) 1994-1995

Odilon Antonio Marcuzzo do Canto (UFSC) 1996-1997

Osvaldo Baptista Duarte Filho (UFSCAR) 2005-2006

Paulo Speller (UFmt)2006-2007

Reinaldo Centuducatte (UFES) 2018-2019

Rodolpho Joaquim Pinto da Luz (UFSC) 1999-2000

Targino de Araujo Filho (UFSCAR) 2014-2015

Tomás Aroldo da Mora Santos (UFMG) 1997-1998

Wrana Maria Panizzi (UFRGS) 2003-2004

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1 comentário

  1. Num evento ontem à noite na Sorbonne com a presença da presidenta Dilma, o diretor de Estudos Internacionais da Sorbonne disse que era com muito orgulho que a casa oferece o curso de Historia do Brasil, praticamente o unico na França, e disse que os brasileiros devem lutar para que suas universidades não sejam desmanteladas e que esse terrivel momento passe.

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