Ministros e políticos reagem contra agressões de bolsonaristas a jornalistas

Agressões e violências de bolsonaristas contra jornalistas do Estadão, durante a manifestação deste domingo, foram criticadas

Fotógrafo Dida Sampaio, do Estadão, é agredido por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro - Foto: Reuters

Jornal GGN – Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), presidente da Câmara e outras lideranças políticas criticaram, na manhã desta segunda-feira (04) as agressões e violências de bolsonaristas contra jornalistas do Estadão, durante a manifestação deste domingo, que contou com a presença e incitação do próprio presidente Jair Bolsonaro. Confira, abaixo, algumas reações manifestadas:

Ministros do STF

“Quem transgride e ofende a liberdade de imprensa ofende a Constituição, a democracia e a cidadania brasileira”, disse a ministra Cármen Lúcia. “É inaceitável, é inexplicável que ainda tenhamos cidadãos que não entenderam que o papel de um profissional da imprensa é o papel que garante, a cada um de nós, poder ser livre”, continuou.

Para o ministro Gilmar Mendes, “é de se lamentar esses episódios”. “A agressão a cada jornalista é agressão à liberdade de expressão e à própria democracia e isso precisa ficar bem claro e ser repudiado”, afirmou.

O ministro do Supremo Luiz Fux, que já se posicionou favorável ao mandatário em algumas manifestações, também repudiou os atos deste domingo. “A dignidade da imprensa se exterioriza pela sua liberdade crítica, de investigação e de denúncia de atitudes anti-republicanas”, disse.

Alexandre de Moraes, também da Suprema Corte, disse que as agressões contra os jornalistas do Estado de S. Paulo “devem ser repudiadas pela covardia do ato e pelo ferimento à Democracia e ao Estado de Direito”.

Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também fez questão de criticar as violências visualizadas neste domingo. E defendeu que as instituições democráticas devem impor “a ordem legal a ess grupo que confunde fazer política com tocar o terror”.

E lembrou dos enfermeiros agredidos no dia 1º de Maio, última sexta-feira, durante o ato em frente ao Palácio do Planalto, em que se manifestavam a favor dos funcionários da saúde e pelo reconhecimento da seriedade do coronavírus no país pelo mandatário.

“Ontem enfermeiras ameaçadas. Hoje jornalistas agredidos. Amanhã qualquer um que se opõe à visão de mundo deles”, completou Maia.

Governadores

Governadores que inicialmente se posicionavam favoráveis ao governo de Jair Bolsonaro, hoje repudiam veemente os atos do mandatário. O governador de São Paulo, João Dória, também foi um dos primeiros a se manifestar nas redes sociais, na manhã desta segunda.

“Milicianos ideológicos agridem covardemente profissionais de saúde num dia. Agridem profissionais de imprensa no outro”, escreveu Doria no Twitter, defendendo que a Justiça deve punir os agressores.

O governador do Rio, Wilson Witzel, também criticou Jair Bolsonaro por não ter respondido imediatamente às reações dos bolsonaristas agredindo os jornalistas e disse que o mandatário “alimenta o caos”.

Bolsonaro

Em uma publicação no Facebook, Bolsonaro respondeu que condena a violência contra os jornalistas, mas imeditamente trangisversou, disse que “não viu tal ato” e que haveria “possíveis infiltrados” entre os manifestantes. Na resposta que deveria ser um ‘mea-culpa’ à imprensa, ainda atacou outro veículo, a TV Globo.

“A TV Globo no Fantástico de ontem se dedicou a ataques ao Presidente Jair Bolsonaro, pelo fato de um fotógrafo do Jornal O Estado de SP ter sido agredido por alguns possíveis infiltrados na pacífica manifestação”, escreveu.

Saindo em defesa do ato que envolveu nova aglomeração, em meio à maior pandemia sanitária dos últimos tempos, continuou: “Também condenamos a violência. Contudo, não vi tal ato, pois estava nos limites do Palácio do Planalto e apenas assisti a alegria de um povo que, espontaneamente, defendia um Governo eleito, a democracia e a liberdade.”

https://www.facebook.com/jairmessias.bolsonaro/posts/1907213729427604

Momentos antes, o mandatário havia compartilhado uma publicação de um economista que falava sobre o coronavírus, com uma imagem escrita “Imprensa suja” e um laço de forca.

Imagem de vídeo compartilhado por Bolsonaro - Reprodução/Facebook

 

 

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