Não haverá repactuação no País sem eleições diretas, avalia Dilma

Jornal GGN – A ex-presidente Dilma Rousseff defendeu, durante a abertura do 6º Congresso Nacional do PT, que novas eleições diretas sejam convocadas como saída para a crise política gerada a partir das revelações da Lava Jato contra o governo Temer. Na visão de Dilma, há uma “divergência instalada entre o segmento golpista”, que não quer aceitar que a “alternativa clara e possível [para sair da crise] é a eleição direta. Não haverá repactuação no País sem eleição direta.”

“Não porque nós tenhamos o melhor candidato, mas porque eleição não é vergonha. Vergonha é querer ganhar no tapetão, eleger um candidato biônico”, disse Dilma. “É Diretas Já pela sobrevivência do País como um País sério”, acrescentou.

“O que nós queremos é que não inviabilizem Lula em qualquer processo eleitoral. Não estou dizendo que a vitória é garantida. Estou dizendo que tem que ser garantido o direito de qualquer cidadão brasileiro de competir.”

Após avaliar o estrago provocado pelas medidas encampadas por Temer nesse um ano de governo, Dilma disse que o País é “ingovernável” sem a realização das diretas, sem reforma política e sem a democratizaão dos meios de comunicação. Ela também defendeu a eleição de uma constituinte para aprovar as reformas que o País precisa com legitimidade.
 
Dilma ainda disparou contra Temer, afirmando que não era possível imaginar que ele não estivesse envolvido em esquemas de corrupção, sendo parte de um grupo político formado por figuras como Eduardo Cunha. “Ninguém pode dizer que não estava claro quem eram esses que estão no poder. Ninguém pode dizer que o que foi gravado [por Joesley Batista, da JBS] não era de conhecimento das instâncias de investigação. As tais 21 perguntas de Cunha eram um roteiro claro de investigação. Mais claro, impossível.”
 
Dilma ainda ponderou que o processo de impeachment, um golpe na Constituição, gerou um cenário imprevisível. “Quando se atroplea a Constituição e faz um impeachment sem crime de irresponsabilidade, tudo é possível. E é isso que nós estamos vendo: o Executivo briga com o Ministério Público, o Ministério Público, com Judiciário e o Judiciário, com Legislativo. Cria-se um esfacelamento institucional, um esgarçamento dos direitos.”
 
Para Dilma, o PT ainda deverá resistir à “sistemática tentativa de nos criminalizar”.
 
O Congresso deste ano é em homenagem a ex-primera-dama Marisa Letícia, morta em fevereiro passado. Dilma resgatou a memória da esposa de Lula e ainda fez um discurso voltado ao empoderamento feminino, lembrando que o PT foi o partido que elegeu a primeira mulher presidente, e que a experiência ficou marcada pelo enquadramento machista e misógino que a grande mídia fez de seu governo.

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