Nos bastidores da Polícia Federal, por Alexandre Santana Sally

Foto divulgação – modificada
 
Jornal GGN – Alexandre Santana Sally, presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Estado de São Paulo, agente de Polícia Federal e professor de Direito, em artigo fala sobre a situação na Polícia Federal. Situação de bastidores. Apresenta como base para seu artigo dados de um estudo que mostra um corpo de servidores desmotivado, depressivo, desvalorizado, indignado, raivoso e com medo. O estudo é preocupante.
 
E na esteira da preocupação vem o espanto: como tanto glamour envolvendo grandes operações pode conviver com uma instituição com tantos problemas internos? Para ela, tais dados ensejam uma maior atenção, tanto por parte dos responsáveis pela corporação quanto da sociedade civil.

 
O artigo foi publicado no Estadão. Leia a seguir.
 
no Estadão
 
 
 
por Alexandre Santana Sally
 
Há poucos dias, a sociedade se surpreendeu com a divulgação dos resultados de uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB), a pedido do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal, sobre a saúde emocional de agentes, escrivães e papiloscopistas. O estudo revelou que 50% dos entrevistados apresentaram sintomas de quadro depressivo; 43% de ‘desesperança quanto ao futuro’; 83% têm sentimento de desvalorização na profissão, 74% expressaram indignação; 46% admitiram ’emoções de raiva’; 39% de inutilidade e 18% de medo.
 
O espanto decorre da ideia de glamour gerado em grandes operações, como a Lava Jato e tantas outras, por uma instituição que convive com a credibilidade merecidamente conquistada, mas que também enfrenta problemas internos relacionados às situações de hierarquias autoritárias, assédios morais e disciplinar, falta de perspectivas, dentre outros fatores negativos tornando os dados da UnB uma realidade em todo o país. Esse quadro poderá ser revertido com vontade política dos gestores.
 
Emoções de raiva, medo e indignação, apontados na pesquisa chamam atenção para o regime disciplinar arcaico, instituído na Ditadura Militar pela Lei 4.878/1965 – ainda em vigor. Um dos incisos do artigo 43 da lei que dispõe sobre as transgressões disciplinares, por exemplo, define como infração sujeita à pena de suspensão, a conduta de quem ‘trabalhar mal, intencionalmente ou por negligência’.
 
O texto dá margem para todo tipo de interpretação tanto da chefia como dos responsáveis pela apuração e julgamento dos processos administrativos disciplinares, algumas vezes podendo ser instaurados sem critérios objetivos de causa e efeito. Uma punição disciplinar de suspensão é prejudicial para o policial, pois interrompe a contagem de tempo necessária para a progressão funcional da carreira, causando-lhe prejuízos financeiros e até psicológicos.
 
Os 43% de policiais com ‘desesperança quanto ao futuro’, 83% com sentimento de desvalorização na profissão e os 39% com sensação de inutilidade, identificados na pesquisa refletem a falta de perspectiva e de um plano de carreira que motive o efetivo policial. Atualmente, mesmo os servidores com anos de experiência profissional, com cursos de treinamento, mestrado e até doutorado, em áreas mais sensíveis e especializadas de investigação, permanecem estagnados na carreira até a aposentadoria.
 
Se a capacidade e as habilidades do policial fossem bem aproveitadas, com valorização de suas experiências, técnicas e de sua formação acadêmica, com incentivo por meio de um plano de carreira, certamente teríamos uma polícia mais eficaz, com capacidade de investigação comparável às melhores agências do mundo. Afinal, policiais motivados representam mais segurança e qualidade de atendimento.
 
Para tanto, bastaria mudanças na legislação interna da própria PF, não somente com reflexos salariais, mas com alterações na estrutura e na carreira que resultaria em crescimento profissional e pessoal.
 
Mantidas as atuais condições, outras pesquisas certamente não só confirmarão esse quadro desolador de desmotivação, como também o aumento de aposentadorias precoces, afastamentos por doenças psicoemocionais e migração de muitos policiais federais para outras profissões mais atraentes do serviço público.
 
Alexandre Santana Sally é presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Estado de São Paulo, agente de Polícia Federal e professor de Direito

9 comentários

  1. A informação que tinha que

    A informação que tinha que eram bem pagos e bem próximos do FBI!

    Por que nossos juízes estão brigando pelos maiores salários do mundo e trazendo cabeça a cabeça o Ministérios público federal…

    E olha que aqui é brasil…

    Onde as pessoas usam pouquíssimo a memória…

    Por que se usassem Alckmin, Meireles, Alvaro Dias, Marina Silva não passariam sequer na pesquisa qualitativa de nenhum instituto de pesquisa…

  2. Nassif;
    Na lista de

    Nassif;

    Na lista de carcterísticas da policia federal elencadas na pesquisa acima tenho a certeza que existem outras, que possívelmente sejam também as causas das relacionadas nesta matéria. 

    Para mim a PF está partidarizada, midiatica, não republicana, não isenta, corporativa, preconceituosa, elitista, omissa quando interessa, manipulada e ingrata, pois quem mais fez e se esforçou para reverter a condição da PF pós ditadura foi justamente quem mais foi perseguido.

    A PF não tem a mínima confiabilidade junto a população, principalmente a mais sofrida.

    Enfim, infelizmente é um órgão do estado que está podre. E não existe nenhuma instância que possa por ordem na casa.

    Deve ser refundada.

    Genaro

  3. Faz todo sentido.

    Nos que a olhamos pela visibilidade dada por seus feitos pelo pig conhecemos só a cara  de ” igormarena ” como típica desta instituição. Verdadeiramente disfuncional e deprimente, lamento.

  4. a pf

    de uns tempos para cá tucanou 

    e hoje de ressaca com a politica tucana de estado minimo esses pulhas cairam na real da merda que estão por culpa deles mesmos

    Fodam-se ou votem PT

  5. Tudo bem que o dito assuma

    Tudo bem que o dito assuma sua posição de representante “sindical”, mas, com certeza, a pesquisa não retrata efetivamente o que os poliças federais distribuem pelo país: aí está a dita delegada, agora superintendenta, que processa professores universitárias porque os mesmos atribuem a ela atos discricionários que levaram ao suicídio do então reitor. De mais a mais, outros tantos federais se “ajaponezaram” o (in)suficiente na partidarização de suas ações. Portanto, nadica a reclamar, não?

  6. Na Receita Federal a situação

    Na Receita Federal a situação não é muito diferente. Aliás, eu apostaria até dinheiro que é pior.

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