Não podemos permitir que estas tragédias se repitam em nosso país, diz Fisenge

Jornal GGN – A Fisenge – Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros soltou nota em solidariedade às vítimas do crime ambiental de Brumadinho. A entidade alerta o governo federal para a necessidade de rigor na fiscalização e cumprimento da legislação e protocolos de segurança. E, diante de tal negligência, alerta para a necessidade de maior controle social desses empreendimentos.

A Fisenge alerta para a equivocada intenção de flexibilizar o licenciamento ambiental e consequente desmonte do Ibama e pede maiores garantias aos atingidos, tanto dos que foram atingidos como do meio ambiente. Outro ponto colocado é para a necessidade de quadros com a necessária formação profissional e experiência comprovada.

Leia a nota a seguir.

Nota da Fisenge sobre o rompimento da barragem em Brumadinho

A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) presta solidariedade às vítimas e familiares de mortos e desaparecidos, entre eles profissionais de engenharia também vítimas, após o rompimento da barragem em Brumadinho. Alertamos o governo federal para o necessário rigor na fiscalização e no cumprimento da legislação ambiental e de respectivos protocolos de segurança. A tragédia, resultante de negligências diante de alertas da sociedade civil organizada, impõe ao Brasil a urgente tarefa de controle social desses empreendimentos. Reivindicamos, ainda, o fortalecimento das instituições públicas de fiscalização, auditoria e monitoramento, bem como responsabilização, punição rigorosa aos envolvidos e reparação às famílias e à população atingida.

A soberania nacional depende de uma política pública de infraestrutura comprometida com o meio ambiente, o bem-viver da população e a engenharia brasileira. Desta forma, compreendemos como equivocada a intenção do governo federal em flexibilizar o licenciamento ambiental e em desmantelar o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Ainda defendemos a participação das pessoas atingidas por barragens no Comitê de Gestão e Avaliação de Respostas, como forma de cobrança social e garantia da necessária reparação dos danos. Importante destacar que engenheiros experientes com anos de qualificação e trabalho são descartados pelo mercado de trabalho e projetos de tamanha magnitude exigem formação profissional e larga experiência, bem como a ocupação dos cargos de gestão e decisão por engenheiros.

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Em 2015, após o rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), projetos de leis que pretendiam enrijecer a Política de Segurança de Barragens foram arquivados. Essa legislatura, que inicia este ano, tem o dever de avançar e aprovar os projetos de leis comprometidos com a segurança das barragens e o cumprimento da legislação ambiental.

Enaltecemos a competência, a inteligência e a capacidade técnica da engenharia brasileira e de especialistas das universidades públicas em proporcionar soluções para contenção de danos, logística e reconstrução da região. Nós, engenheiros e engenheiras, nos colocamos à disposição para contribuição técnica e controle social. Não podemos permitir que estas tragédias se repitam em nosso país.

Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros

Janeiro de 2019

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