O colapso de credibilidade de Michel Temer, por Glenn Greenwald

Correspondente faz uma avaliação dos 20 dias do governo interino e conclui que o Brasil não fez um bom negócio
 
 
Jornal GGN – Em sua página oficial o correspondente do jornal britânico The Gardian que vive no Rio, e ganhador do Prêmio Pulitzer, Glenn Greenwald, confirma as previsões que a imprensa internacional fez sobre o caráter e objetivos do golpe que afastou Dilma do poder.
 
Em poucos dias, o presidente interino Michel Temer avançou na agenda de políticas neoliberais de privatização e austeridade, surgiram provas contundentes de seu envolvimento com escândalos de corrupção, esforços para a obstrução da Lava Jato e, mais recentemente, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, o declarou Temer culpado e impedido de se candidatar a qualquer cargo público nos próximos oito anos por “ficha suja”. 
 
 
 
Por Glenn Greenwald
 
Desde o começo, ficou evidente que o processo de impeachment da presidente eleita, Dilma Rousseff, tinha como objetivo principal o fortalecimento dos verdadeiros ladrões de Brasília, permitindo assim que impeçam, obstruam e ponham fim às investigações da Operação Lava Jato (além de imporem uma agenda neoliberal de privatizações e austeridade extrema). Apenas 20 dias após assumir o poder, provas irrefutáveis do envolvimento do Presidente interino Michel Temer em escândalos de corrupção vieram à tona. Dois ministros interinos de seu gabinete composto apenas de homens brancos, incluindo o Ministro da Transparência, foram forçados a abandonar seus cargos depois do aparecimento de gravações secretas em que conspiram visando obstruir as investigações nas quais se encontram envolvidos, assim como 1/3 dos ministros do gabinete interino.
 
 
 
Mas os alarmantes níveis de corrupção de seus ministros têm por vezes servido para encobrir o envolvimento do próprio Temer. O interino também se encontra envolvido em diversas investigações de corrupção. Agora condenado formalmente por violações de leis eleitorais, encontra-se por oito anos impedido de se candidatar a qualquer cargo público. Ontem, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, estado do presidente interino, publicou uma certidão formal que o declara culpado e impedido de se candidatar a qualquer cargo público por ter se tornado um candidato “ficha suja”. Temer foi condenado por doações acima do limite de campanha permitido por lei.
 
Em meio a intrigas, corrupção e irregularidades no governo “interino”, as violações da lei não são a mais grave transgressão de Temer. Mas ainda assim revelam de forma evidente a fraude antidemocrática que a elite brasileira tenta perpetrar no país. Em nome da corrupção, a presidenta eleita democraticamente foi afastada e substituída por alguém que, apesar de não estar impedido por lei de assumir cargos públicos, encontra-se por oito anos impedido de se candidatar ao cargo que exerce no momento.
 
 
Apenas algumas semanas atrás, o impeachment de Dilma parecia inevitável. Até então, toda a atenção da mídia oligárquica brasileira era dirigida exclusivamente à presidenta. Mas gradualmente as atenções se voltaram para quem estava organizando o processo de impeachment, para quem se fortaleceria e para seus motivos reais.
 
Então, tudo mudou. Agora, o impeachment de Dilma, embora ainda seja provável, não parece mais ser completamente inevitável. O Globo, informou na semana passada que dois senadores anteriormente favoráveis ao afastamento da presidenta, já admitem rever seus votos por conta das gravações recentemente publicadas dos ministros de Temer. Além disso, a Folha de S.P. ontem também noticiou que diversos senadores estudam a mudança de seus votos. É importante observar que os meios de comunicação brasileiros pararam de publicar pesquisas de opinião sobre a popularidade de Temer e sobre o impeachment de Dilma.
 
Enquanto isso, a hostilidade a esse ataque à democracia cresce tanto no Brasil, quanto no exterior. Os protestos contra Temer têm crescido e se intensificado. Mais de vinte deputados britânicos revelaram queconsideram o impeachment um golpe. Mais de trinta deputados do Parlamento europeu reivindicaram o fim das negociações comerciais com o governo “interino” brasileiro por considerá-lo ilegítimo. O grupo anticorrupção Transparência Internacional anunciou que interromperia os diálogos com o novo governo até que a corrupção fosse eliminada dos novos ministérios. Em uma reportagem sobre a demissão do Ministro da Transparência nesta semana, o New York Times descreveu-a como “mais uma derrota para um governo que parece se atrapalhar em sucessivos escândalos poucas semanas depois de Temer substituir Dilma Rousseff.”
 
 
 

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10 comentários

  1. Greenwald

    Este é um ótimo jornalista e como está vivendo no Brail pode acompanhar passo a passo o golpe.Ele tem credibilidade internacional, e seus artigos são lidos por milhares de pessoas.

  2. Calcanhar de Aquiles

    Credibilidade: este parece ser o calcanhar de aquiles dos golpistas. Mesmo o mais feroz dos golpes precisa de um discurso que o legitime e que lhe dê crdibildiade. O nosferatu de são paulo e sua troupe, pelo que se vê, não conseguirá nem uma coisa nem outra. Restará a eles ou a retirada ou o uso da força bruta.

  3. Explicações

    Pelo que li neste artigo publicado no  jornal inglês,  os leitores britânicos supostamente  já conhecem e sabem o que representa a operação Lava a Jato.Se assim for está tudo bem, muito bem.

  4. E o colapso da credibilidade de Greenwald ?

    O ódio de Greenwald ao ocidente e seus governos e sua complacência com governos autoritários vem o colocando, como acontece com todos que assumem esse tipo de postura radical, e situções cada vez mais complicadas.

    Como pode alguém “condenar’ os chargistas do Hebdo depois de assassinados pelas suas charges ofensivas e ao mesmo tempo condenar o governo canadense por banir charges ofensivas ao islã ? Há uma enorme contradição aí. 

    O cara quando quer dar palpite em tudo, como o Greenwald, num mundo onde interesses totalmente antagônicos acabam se encontrado em determinado momento, acaba tendo que aceitar elogios de ninguém mais ninguém menos que David Duke.

    Pergunto eu, pode alguém preocupado com direitos humanos e democracia estar do mesmo lado de David Duke em algum momento ?

    • hahahaha…
      quem tem

      hahahaha…

      quem tem credibilidade é você né, ou é a globo?

      Bota ai “Cidadão Tucano”,

      pode ser “Coxa-Cidadão”

      ou então só então “Cidadão Velháco”.

      Ou se preferir gostamos do nome “Aliança Liberal”.

      PS: E quem esta do lado do golpe, é digno de confiança?? Vai procurar sua turma velháco, aqui você é nossa pu ti 

      nha

       

       

    • Entre o Geenwald, e a Globo…

      …eu, e o mundo civilizado inteiro, conferirão mais credibilidade ao Greenwald.

      Quanto aos capachos do Golpe, sem comentários. A lata de lixo da História os espera. Lá farão companhia aos golpistas de 64, aos escravistas brasileiros do século XIX, aos racistas americanos que assassinaram Luther King, aos partidários do Appartheid na África do Sul… a lista é longa…

       

       

       

       

      • E QUANDO DAQUI HÁ 30, 40, 50

        E QUANDO DAQUI HÁ 30, 40, 50 ANOS ESSES VERMES  MORREREM, PORQUE O QUE NÃO PRESTA DURA MUITO, TERÃO MEIA DÚZIA DE PESSOAS ESCREVENDO COMO  HOJE O FIZERAM SOBRE JARBAS PASSARINHO: ESSA TRANQUEIRA AINDA ESTA VIVO?

      • Pois é

        Você, o mundo civilizado e o David Duke.

        Engraçado você citar negros e escravistas para defender alguém elogiado por David Duke e que vêm em Cruz mais riscos que em Trump.

        Hehe

        Seria cômico, se não fosse trágico.

  5. Se “o cidadão”

    diz que Greewald não é confiável, aí temos a certeza absoluta que é exatamente ao contrário, pois já conhecemos o tipo de jogo que fazem.  É tentar rebaixar o jornalista, como sempre fizeram com o PT e seus principais líderes.

    Arrume outra  desculpa mais crível da próxima vez, tá ?

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