O estado de exceção avança sobre as universidades, por Luis Nassif

Desde o golpe, as universidades se tornaram um dos poucos espaços de pensamento crítico. Isso gerou uma ofensiva conjunta da CGU (Controladoria Geral da União), Polícia Federal e Ministério Público contra a autonomia universitária.

No início, tentativas de proibição de atos políticos internos. Depois, a identificação de pequenas irregularidades administrativas para justificar ações bombásticas de invasões de campus e prisão de dirigentes e professores, especialmente graves nos episódios da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A burocracia pública, para repasses de verbas federais, convênios, obriga as universidades a pequenas gambiarras, remanejamento de sobras de um programa para outro, na prestação de contas. Há pouquíssimo espaço para corrupção.

No entanto, a ofensiva visou criminalizar essas pequenas irregularidades, para abrir espaço para a repressão política.

Alguns exemplos recentes do medo que passou a dominar as universidades.

  1. Um arqueólogo da USP recolheu diversos objetos não orgânicos da guerrilha do Araguaia para sua tese de doutorado. Montou um acervo de valor histórico. Agora, a USP está desesperada para se livrar do acervo. Tentou entregá-lo para a Secretaria de Direitos Humanos, que não tem estrutura para abrigá-lo. Ao mesmo tempo, participou de um evento com o Comando Militar da região de São Paulo, em função de uma bem-vinda parceria tecnológica com as Forças Armadas. Mas o evento deu a impressão de estar em busca de apoio militar para se defender da ditadura dos poderes civis.

  2. Na UFABC, a participação de docentes em um livro gerou um inquérito interno. Antes disso, tentou-se acuar a diretoria por ter providenciado um táxi para trazer do aeroporto familiares de um aluno gravemente ferido em manifestações contra o golpe.

  3. Depois da brutalidade da operação da PF de Minas sobre a UFMG, a universidade não mais teve interesse em abrigar o Memorial da Anistia, uma obra relevante para a memória nacional.

  4. A Unicamp recusou-se a batizar uma sala com nome que remetesse à repressão, por conta de um acordo firmado com o MPF. Seria a contrapartida ao descaso com que seu departamento de Medicina Legal, presidido pelo notório Badan Palhares, com as ossadas de Perus.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Leia também:  Das continuidades do estado de exceção no pós-Constituinte, por Rogério Mattos

19 comentários

  1. Parece que as administrações

    Parece que as administrações ficaram com medo de ações tipo MBL, não agiram a tempo (do impitiman) e agora procuradores e mbl agem juntos. Não falta a divulgação desse pensamento crítico e defesa dos direitos mais aguerrida?

  2. O pior é que distribuiram
    O pior é que distribuiram titiulos e mais tituos de mestre e doutor pra esses fascistinhas. Ou seja, passaram a mão nos títulos e permaneceram engolindo peça de propaganda de jornal e revista como se teoria politica fosse.

    De que adiantou?

  3. Não todo mundo, lógico, mas

    Não todo mundo, lógico, mas conheci muito professor e aluno (bolsista e não bolsista) que zurrava enlouquecidamente contra a “corrupiçãodoPetê.

    Agora que não reclamem. Era o país que queriam. E conseguiram…

     

  4. O que me

    assusta é a passividade das demais Universidades. Elas tratam como se fosse algo isolado, isto é, isso jamais acontecerá comigo. Ledo engano. Exemplos e que não faltam. A entidade que congrega as universidades e os professores tem que se posicionar firmemente contra esses fascistas imundos. O regime de exceção não trata a universidade A ou B como inimigos a serem eliminados. O regime trata a UNIVERSIDADE como inimigo a ser eliminado. Como disse Danton a Robespierre a saber que foi setenciado à guilhotina: ‘O que me conforta Robespierre, é saber que atrás de mim vem você”.

    Em tempo. Nem cito a entidade cartorial que se tornou a UNE, pois, essa entidade só pensa em confeccionar carteirinhas e os alunos e as Universidades que se danem.

  5. Acabou o pacto socialO pacto

    Acabou o pacto social

    O pacto valia na medida em que as instituições respeitavam a lei e o livre arbítrio e  não o uso da máquina pública em benefício próprio para se permanecer no poder

    O poder judiciário morreu no Brasil, o que existe agora é uma instituição falida tentando fechar os buracos de sua mediocridade tentando silenciar quem realmente pensa no Brasil

    Todos os intelectuais brasileiros e principalmente das universidades foram contra o golpe, quem apoiou o judiciário em sua sanha pelo PT foi gente do gabarito de uma Janaína Paschoal ou um Alexandre Frota

    Agora as universidades pagam pela sua falta de mobilismo e apatia pelo que se sucedeu ao país

     

     

  6. Universidades do Brasil,

    Universidades do Brasil, professores, estudantes, funcionários e comunidade universitária uní-vos. Até quando aceitareis calados, isolados, amedrontados com os podres poderes desses golpistas? Onde estão os intelectuais do nosso país? Estão envergonhados, amedrontados? É hora de gritar e denunciar e não de calar. Diz o ditado popular: quem cala consente. É hora da Universidade ouvir e juntar-se ao povo, ao que está vivendo no desemprego, no desrespeito aos seus direitos, à limitação de de tudo em sua existência. É hora de solidariedade!

  7. bom post.

    Ao próximo presidente não bastará ser legitimo, integro, nacionalista etc  mas também corajoso para enfreitar esse estado de coisas.

    O ministro da justiça que escolher dirá muito sobre o presidente.

    Ou vai para a luta desde o primeiro dia ou vai ser engolido pelas castas e midia.

     

  8. Quando o texto começa com
    Quando o texto começa com “golpe” perde toda a credibilidade, perde-se até mesmo o interesse de ler.

    • Faz o seguinte imbecilóide

      Faz o seguinte imbecilóide midiático. Vai para a veja, uol, globo. Lá você jamais verá essa palavra. Inclusive antigamente chamavam o golpe de 64 de “revolução”. Você está no lugar errado, aqui é para quem pensa, que tem a capacidade de analisar alguma coisa.

    • Governo legítimo?

      golpe é governo ilegítimo e governo ilegítimo é golpe. golpe da mala de dinheiro, e golpe contra os direitos da população.

    • Tá bom…

      Então doravante, a palavra golpe será substituido por GOLPE, já que a bruta flor do querer não quer que se chame um golpe de GOLPE.

      Tá bom assim?

  9. Evolução

    “Se nossa opção é progressista, 

      se estamos a favor da vida e não da morte, 

      da equidade e não da injustiça, 

      do direito e não do arbítrio, 

      da convivência com o diferente e não de sua negação, 

      não temos outro caminho senão o de vivermos plenamente a nossa opção.”

    NOSSAS ESCOLHAS, Paulo Freire

     

  10. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome