Partido sem Escola, por Janderson Lacerda

Partido sem Escola, por Janderson Lacerda

Alvo de muitas polêmicas o projeto de lei Escola sem Partido, que visa combater uma suposta doutrinação política e de gênero em sala de aula, segue vivo e com grandes chances de ser aprovado na Câmara dos Deputados.

O projeto deve, inclusive, ganhar mais força caso o candidato à presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) vença a eleição. Em seu Programa de Governo, Bolsonaro deixa claro que é favorável ao projeto e que irá implementá-lo para acabar com a doutrinação marxista em sala de aula. Partindo desta justificativa, o presidenciável, em sua proposta de governo, diz que a ideologia de Paulo Freire será “expurgada dos currículos escolares”. No entanto, as contradições iniciam-se quando o candidato afirma que irá incluir as disciplinas de “educação moral e cívica” e “organização social e política brasileira” no currículo escolar. Diante do pressuposto, fica a dúvida: essas disciplinas não são ideológicas? Eliminar uma corrente de pensamento em detrimento de outra por uma questão de afinidade política é combater a ideologização?

Aliás, o que é ideologização? É possível praticá-la em sala de aula?

O Escola sem Partido despreza a ideia de que não há neutralidade no ensino e fere a Constituição Federal, que defende o pluralismo de concepções pedagógicas e a liberdade de ensinar e aprender. Da mesma forma, o Programa de Governo de Bolsonaro (PSL) demonstra profundo desconhecimento a respeito da educação básica brasileira, sobretudo, porque a ideologia de Paulo Freire não está presente nos currículos escolares. Além disso, não é papel do governo decidir com “mão de ferro” quais teorias serão abordadas na escola. O currículo é uma construção social e deve contemplar a diversidade de saberes e culturas.

As propostas para educação de Jair Bolsonaro, associadas ao pensamento retrógrado e autoritário do Escola sem Partido, demonstram os desafios que a educação brasileira enfrentará nos próximos anos. Cercear o pluralismo de ideias que devem ser cultivados e fomentados em sala de aula é caminhar para um futuro distópico no qual não haverá espaço para a escola.

 

2 comentários

  1. Quando em 2015 ministros do

    Quando em 2015 ministros do STF em Shoppings declaravam que impeachment não era golpe, que existia como previsão constitucional, davam um duplo sentido ao golpe que estava em andamento!

    Entre aqueles que queriam o golpe por múltiplos motivos, estavam os truculentos!

    A constituição e a justiça foram ali inoculadas de um veneno que vai matar aos poucos a nossa democracia…

    Há justiça quando o mais fraco pode sair vitorioso contra um mais forte!

    O sinal claro da morte da constituição é quando os mais fortes e os mais violentos buscam o poder à força!

    É quando o poder econômico subjuga os mais fracos!

    Quando uma jornalista recebe milhares de ameaças por divulgar a verdade e a “justiça” fica na retórica  é sinal que a coisa já foi para o brejo!

  2. Bolsonaro está certíssimo em
    Bolsonaro está certíssimo em banir Paulo Freire. Você pode até falar para leigos que a pedagogia do oprimido não figura nos currículos. É claro que não figura. Você já viu comunista fazer alguma coisa às claras?
    Eu posso, com toda a certeza, afirmar que o plano de educação visa à marxização dos alunos.
    O Escola sem partido está previsto na constituição, o que o governo petista fez foi, mais uma vez, desrespeitar nossa carta magna. O que propomos no projeto é apenas que sejam trabalhados todos os pontos de vista sobre um assunto. Isto configura censura ou o oposto dela?
    Leia o projeto primeiro antes de falar.

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