Pelas trabalhadoras de Segurança Pública do Maranhão, por Gilliam Ur Rehman

Os atos denunciados pela policial, em vídeos publicados nas redes sociais, nos levam a uma reflexão mais profunda e contextualizada do processo histórico de formação dos papéis sociais

do Comitê de Solidariedade à Palestina – Maranhão

Pelas trabalhadoras de Segurança Pública do Maranhão, por Gilliam Ur Rehman

A Aliança Palestina – Maranhão vem a público manifestar seu apoio à policial Tatiane Alves de Lima, membro da Polícia Militar do Estado do Maranhão (3ºBPM, Imperatriz) e externar todo seu repúdio e indignação às ilegalidades e vilipêndios a que a mesma tem sofrido, como assédio moral, sexual e psicológico praticados por membros da Polícia, o que parece – com pesar – já ter sido praxe no ambiente de trabalho da Polícia Militar do Maranhão contra policiais mulheres.

Nós da Aliança Palestina-Maranhão, somos radicalmente contra a supressão de qualquer direito ou forma de opressão praticada pelo autoritarismo contra gênero, etnia, cor, credo, classe social, nacionalidade ou qualquer outra categoria.

Os atos denunciados pela policial, em vídeos publicados nas redes sociais, nos levam a uma reflexão mais profunda e contextualizada do processo histórico de formação dos papéis sociais, bem como a observância da construção de uma sociedade dominada por homens, que limitaram as mulheres a certos espaços na atuação pública e à participação no mercado de trabalho, principalmente nos nichos em que determinadas funções foram concebidas historicamente como de exclusividade masculina.

É perceptível que nas últimas décadas as alterações nos papéis sociais dos homens e das mulheres tenha ocorrido e a sociedade esteja vivenciando novas interpretações culturais quanto aos modelos de comportamento e relacionamento entre os sexos, os padrões formados ao longo do tempo influenciam na construção de barreiras às novas mudanças e a ideia de objetificação da mulher a expõe às situações mais humilhantes e vexatórias em um espaço que deveria ser de equidade e respeito entre todas as diferenças.

Leia também:  Casos de Covid-19 no mundo duplicam a cada seis semanas

É preocupante e terrível saber que dentro de uma democracia, o desrespeito aos direitos humanos sejam corriqueiros dentro de uma instituição policial de nosso Estado que tem como uma de suas funções também o de combater o assédio e a violência contra as mulheres. Que paradoxo!

Como disseminado pela imprensa e mídias independentes, observamos com preocupação a indiferença e letargia das entidades que deveriam se opor a esse sistema que tolhe os próprios membros, principalmente os do sexo feminino. Não faz muito tempo que vimos repercutir o caso da policial Alessandra, hoje internada numa unidade de saúde mental – e pela qual cobraremos justiça. Não faz muito tempo, igualmente, que vimos com tristeza repercutir o suicídio da policial Suellen, e esta realidade dolorosa e trágica não é novidade entre os policiais; o adoecimento policial é uma verdade. São os profissionais que mais cometem suicídio, mais que a população em geral. As relações de poder dentro da polícia militarizada (sem razão) são dos maiores motivos e causas desse contexto. É preciso uma providência do governo quanto a isso, A humanização e democratização da segurança pública deve ser uma prioridade e temos certeza que o governador Flávio Dino é sensível a esta questão, no que buscaremos diálogo nesse ínterim. No mais, Quantas Alessandras e Tatianes ainda pedirão socorro sem que nenhum órgão tome providências com brevidade e justiça à sua causa? Quantas Suelens ainda hão desesperar de suas vidas?

Como bem enfatizou a pesquisadora Luiza Sansão, a violência de gênero, a discriminação e o assédio contra as mulheres no interior da Polícia, sobretudo na Polícia Militar, não podem ser mais ignorados pela sociedade e pelo poder público.

Inclusive, quanto ao espaço das mulheres neste segmento profissional, poderemos em breve vislumbrar com a promoção de uma mulher no Comando da Polícia de nosso Estado? O que falta? Pensamos ser um bom momento para esta vitória e também reconhecimento destas valorosas mulheres que nos guardam. O governo “de todos nós”, temos absoluta certeza, nos dará esta oportunidade e demonstrará também que a mulher tem vez e voz onde por muito tempo homens assumiram destaque. É um momento, ademais, dado as relações sexistas e misóginas, em que uma mulher deve assumir o comando da Polícia, impondo o melhor discurso de empatia e respeito entre os policiais com políticas eficazes internas e em parceria com as demais instituições do poder público do qual é parte; desfazendo de vez os restos de arcaísmos que deterioram simbólica, psicológica e fisicamente a mulher em nossa Polícia. E este dia é pra ontem!

Leia também:  Quando a Covid cedeu, Israel reabriu suas escolas. Não foi bem

Pois algo está acontecendo, de forma errada e sombria sob os auspícios da liberdade democrática. Algo que precisa ser colocado à luz do dia, deixando de ser debatido demagogicamente, como sempre se faz. Mas resolvido em definitivo.

É preciso ação! Ação urgente contra os desmandos de um sistema falido, misógino e sexista. As mulheres, mães e profissionais de segurança pública não pedem muito. Exigem somente o respeito e o direito de trabalhar com DIGNIDADE.

___________________________________

Gilliam Mellane Ur Rehman

Presidente da Aliança Palestina-Maranhão

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora