Planalto quer distância das denúncias de Cunha e foco em ajuste fiscal

 
Jornal GGN – A orientação do Palácio do Planalto de manter o distanciamento e evitar se posicionar sobre as denúncias contra Eduardo Cunha, presidente da Câmara, referente às contas secretas no exterior é pautada na meta de alcançar o prazo deste ano para o Congresso aprovar as medidas de ajuste fiscal. A prioridade absoluta fará com que, mais uma vez, a coordenação política tente reatar apoio de líderes da Câmara e Senado.
 
“A presidenta respeita as bandeiras partidárias. As divergências partidárias são naturais da democracia, mas nesse momento é fundamental que o Congresso Nacional coloque em primeiro plano os interesses do país”, afirmou publicamente o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva. 
 
De acordo com o ministro, o esforço político é necessário para que se “aprove as medidas que garantam a estabilidade fiscal ao nosso país e possamos criar as condições de retomada do crescimento econômico, da geração de empregos”.
 
A declaração ocorreu após uma reunião entre os ministros, convocada pela presidente Dilma, juntamente com líderes do governo. Dentre as pautas consideradas mais urgentes pelo governo é a aprovação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). “O governo gostaria muito que essa medida fosse aprovada ainda este ano”, afirmou Edinho, sobre a intenção do Planalto. E prometeu a continuidade do diálogo: “nós esperamos que se abra o debate”.
 
Um dos cuidados que devem ser tomados pela presidente é a orientação de não se posicionar sobre as denúncias de que Cunha manteve quantias em contas secretas no exterior, apontadas pelo MPF brasileiro e suíço, que indicam ser provenientes do esquema de corrupção da Petrobras. Os membros do governo devem afirmar que o tema é “um problema do Legislativo”. O recado foi passado também à cúpula do PT e líderes na Câmara, para não alvejarem Eduardo Cunha, o que pode estimular ações imprevisíveis do deputado contra Dilma, como deferir o processo de impeachment, além de travar o avanço dos ajustes fiscais.
 
Outras tentativas de apoio de segmentos do Congresso pelo Planalto é o projeto repatriação de recursos de brasileiros mantidos no exterior e não declarados à Receita Federal, e a prorrogação da Desvinculação das Receitas da União (DRU). O projeto sobre a repatriação, que cria um regime especial de regularização desses recursos, taxando um tributo único para sua legalização, pode ser votado nesta semana pelo Plenário da Câmara. 
 
Depois de quatro meses para avançar na Câmara e a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovar na semana passada, a prorrogação da DRU até 2023 ainda deverá ser discutida na penúltima semana de novembro por uma Comissão Especial da Casa. 
 

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