Paulo Guedes deve ser liberal com “obrigações com os pobres”, defende professora dos Chicago Boys

 
Jornal GGN – A economista Deirdre McCloskey, professora da Universidade de Chicago, onde estudou Paulo Guedes, defendeu a implementação de uma economia totalmente liberal no Brasil, mas com “obrigações com os pobres”. 
 
Em entrevista à Gazeta do Povo, divulgada na semana passada, Deirdre afirmou que é “uma liberal cristã, anglicana, e acredito que nós temos obrigações para com os pobres. A obrigação principal é deixar que os pobres tenham um trabalho digno, mas, em casos de emergência, de necessidade premente, eu deveria ser taxada para ajudá-los.  Mas o imposto seria pequeno. Veja: com 10% da renda sendo taxada no Brasil, já não haveria mais pobres – você não precisa de 40% de taxação para ajudar os pobres.”
 
Questionada sobre qual seria as reformas que Paulo Guedes, um Chicago Boy, deveria buscar enquanto ministro da Economia do governo Bolsonaro, Deirdre respondeu: “Elas são bem óbvias: permitir que as pessoas comprem onde queiram comprar e vendam onde queiram vender. Permitir que as pessoas façam as coisas que querem.”
 
“Comecem os negócios que queiram e se ocupem do que queiram – e comprar onde se queira comprar inclui o comércio exterior. Essa deveria ser a regra de uma economia, porque é assim que conseguimos inovar, e é o livre comércio que melhora a qualidade dos produtos.”
 
Deirdre também foi incitada a comentar o que acha da experiência dos Chicago Boys no Chile, agora com “um pouco de distanciamento histórico”.
 
Ela disse: “Eu não os ensinei a colocar as pessoas em estádios de futebol e atirar nelas”, em referência ao Estádio Nacional do Chile, onde militares chilenos prenderam, torturam e mataram opositores durante a ditadura do general Augusto Pinochet. 
 
“Os liberais chilenos ainda são assombrados pelo fato de que o liberalismo no Chile foi posto em prática à força e com base na violência. Agora, vocês têm uma oportunidade no Brasil de pô-lo em prática democraticamente. Elogio vocês por isso. É muito sábio e mostra certa maturidade política.”
 
Leia a entrevista completa aqui.

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9 comentários

  1. Onde existe liberalismo no

    Onde existe liberalismo no Brasil?

    Poderá existir liberalismo no abatedouro da PEC do teto dos gastos?

    Conseguirá sobreviver o liberalismo aos juros cobrados pelos bancos?

    Certamente não contaram isso para ela…

    Nem contaram o “como e o motivo” pelo qual estão sendo feitas as reformas da previdência, trabalhistas e muitas outras reformas sem partido…

    Ela deve pensar que no resto do mundo é como os EUA onde as leis funcionam melhores do que aqui, sem a necessidade de penduricalhos….

    Ai não tem jeito…

    Em 2019 vão usar partes das reservas e vendas de estatais para ter como fazer alguma obra esperando que os empresários invistam e voltem a contratar…

    O governo temer ensinou empresários a sonegar por que sempre poderá haver um refis no fim do túnel antes de uma votação importante ou como conseguir um subsidio de pai para filho em negociações com o parlamento…

    E 2020 vão vender o quê?

  2. Esta professora deve ter sido

    Esta professora deve ter sido formada na escola sem partdo, porque é totalemnte sem noção. Alguém tem que informá-la que liberalismo e obrigação com pobre não se mistura. Totalmente dããããããr!!!

  3. chocado mas não surpreso.

    Realmente não dá para levar esses “liberais” a sério. Nem vou ler a reportagem toda…

    Ela realmente acredita que as reformas liberais vão ser implantadas “democraticamente” no Brasil.

    Nenhuma palavra sobre o golpe, a trapaça das eleições, com o supremo com tudo, a opressão contra os momvimentos sociais, as esquerdas, etc.

    Nem vou comentar o assunto Chile, pois é domingo, e merecemos um pouco de sossego.

     

    • Não está perdendo nada, caro

      Não está perdendo nada, caro Jose Antonio. sabe aquela analogia entre economia de uma país e economia doméstica? Pois é, essa senhora comete o despautério de dizer que iniciativas socialistas são coisas de criança dependente dos pais, por exemplo. Diz ela textualmente:

      “Um dia já fomos crianças, tínhamos uma mãe e um pai, e isso era muito bom: é ótimo ter uma família. Mas agora somos adultos e não deveríamos ter mães e pais ‘governamentais’.”

      Considerando seu acesso aos saberes e falando francamente tenho dificuldade em supor que ela não sabe o que está falando. Acredito mais é que seja cara-de-pau, mesmo, que está explorando o nicho de mercado que é engambelar a turma “corporativa” para ganhar dinheiro – desonestidade com a qual essa turma é complacente e cúmplice ativa.

      Uma pobreza e primariedade típicas de Luciano Hang, Flávio Rocha, João Dória, José Serra, Geraldo Alckmin, Pastor Everaldo e que-tais.

  4. Ela foi desonesta e fugiu da
    Ela foi desonesta e fugiu da pergunta do jornalista que estava interessado em sua opinião sobre os resultados econômicos e sociais das políticas ultra liberais implementadas por indicação direta de Milton Friedman.

  5. O Mefistófeles vai diminuir a
    O Mefistófeles vai diminuir a pobreza…

    eliminando os pobres……. é matemático….quanto menos pobres, menor a pobreza, oras……. primeiro, sentando o dedo nos meliantes, segundo, matando de fome os trabalhadores intermitentes e quem escapar não se salvará de uma velhice sem aposentadoria…. ……a pobreza está com os dias contados….

  6. Tempo sobrios, de mentiras,

    Tempo sobrios, de mentiras, cinismo, cara-de-pau, truculencia e ignorância.

    Parafraseando o Pedro Aleixo, o problema não é “apenas” (como se fosse pouco) no guarda da esquina, está no nosso dia-a-dia, infiltrado em todas as nossas relações, formais, ou não. Essa senhora é apenas um dos milhões de exemplos de desonestidade que podemos esperar durante essa onda liberal. Pensam, os liberais, que “danem-se os mais vulneráveis” esquecendo-se de que a vulnerbilidade é relativa: numa situação você é poderoso, em outra, vulnerável. Não é um jeito de viver que leva a bons resultados, a História está coalhada de lições…

    Mas vamos à economista:

    “A obrigação principal é deixar que os pobres tenham um trabalho digno…”

    Trabalho é direito humano. Atravessar esse direito através do abuso dos poderes econômico e político é imoral, indecente e leva, a médio prazo, a enormes perdas tanto econômica quanto politicamente falando. Se se pensar em cidadania e civlidade, então, monopolizar e agenciar, repito, direito ao trabalho é verdadeiro crime de lesa-humanidade.

    …”permitir que as pessoas comprem onde queiram comprar e vendam onde queiram vender. Permitir que as pessoas façam as coisas que querem.”…

    Mentira deslavada. Desde quando fazer o que quer é comprar e vender? Isso não é liberdade. Liberdade é, por exemplo, as pessoas se organizarem em sindicatos sem temor de serem atacados ou por aliciamento e corrupção de dirigentes sindicais, por armas de fogo ou embargo econômico ou político. Fazer o que quer não é liberdade, isso é libertinagem, que sempre põe a perder os marcos civilizatórios.

    “Eu não os ensinei a colocar as pessoas em estádios de futebol e atirar nelas.”

    Mas também não achou nada ruim que seu preposto, Pinochet, fizesse isso. Também não ensinou ninguém a dizimar povos árabes, também não ensinou ninguém a fazer guerra fria, “lawfare” ou “soft poewer”. Pelo jeito uma lição bem aprendida pelos liberais – mas não se sabe se essa mulher ensinou – é a desfaçatez, a cara-de-pau, o cinismo… Os liberais correm sério risco ante a possibiliadde das forças armadas desobrirem que, afinal, são apenas bucha de canhão do dólar.

    “Agora, vocês têm uma oportunidade no Brasil de pô-lo [ao liberalismo] em prática democraticamente.”

    Não. Bolsonaro está eleito, Lula está preso, o STF intimidado, a Justiça, a Medicina, a Educação e quase todas as áreas profissionais, salva raras exceções, estão com seus operadores aliciados, entorpecidos e aleijados de parte fundamental da humanidade, a cidadania, e nada disso ocorreu democraticamente e sim por ações de força, agressão e hostilidade.

    “Elogio vocês por isso.”

    Pegue esse elogio, junte à sua desfaçatez, à sua ignorância e à sua cara-de-pau e vá para o inferno.

  7. Permissões

    “…permitir que as pessoas comprem onde queiram comprar e vendam onde queiram vender. Permitir que as pessoas façam as coisas que querem.”

    Em que mundo esse pessoal vive?

    Tente comprar um computador em uma loja virtual da Apple situada nos EUA para que seja entregue no Brasil, para ver o que os algoritimos da “liberdade” corporativa estadunidense irão indicar para você.

    Ou então, tente pegar algum passaporte hondurenho e entrar nos EUA via fronteira mexicana…

    O grau de hipocrisia, o nível de demagogia dessa gente não tem limites.

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