Rivalidade entre olavistas e militares derruba 6 no MEC

Com polêmica crise evidenciada no Ministério da Educação entre o grupo ligado a Olavo de Carvalho e os militares, demissões foram publicadas no Diário Oficial

Foto: Reprodução Redes

Jornal GGN – Em meio à polêmica crise evidenciada no Ministério da Educação entre o grupo ligado a Olavo de Carvalho e os militares, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) exonerou mais seis demissões até a noite de ontem (11). Entre os nomes dos exonerados, o coronel da reserva Ricardo Wagner Roquetti está na publicação do Diário Oficial da União (DOU).

Por outro lado, não foram apenas o grupo de militares que foi demitido pelo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez. Também foram exonerados ex-alunos de Olavo de Carvalho, os chamados “olavistas”.

A disputa interna vislumbrada na pasta do governo Bolsonaro começou quando os olavistas acusaram os militares de tentarem expurgá-los da pasta, com o suposto objetivo, entre outros, de impedir as investigações da “Lava Jato da Educação”, uma apuração sobre os contratos do Ministério em gestões anteriores, anunciada por Bolsonaro.

Após receber as acusações, Olavo usou as redes sociais, na última semana, para pedir que seus alunos, indicados por ele para ocupar cargos na pasta de Educação de Bolsonaro, abandonassem o governo. No Facebook, Olavo de Carvalho chegou a dizer que os militares induziam o coronel-aviador da reserva, Ricardo Wagner Roquetti, do programa da Secretaria Executiva, a “tomar atitudes erradas”.

Para Olavo e seu grupo, os militares estariam jogando a culpa em seus alunos e isolando o ministro Vélez Rodriguez, para o convencer a “sabotar” medidas defendidas pelo próprio mandatário Jair Bolsonaro. Tal conflito ocasionou a demissão de Roquetti. Mas junto com ele, olavistas também foram exonerados.

Na lista publicada na noite desta segunda-feira (11), dois ex-alunos do escritor foram retirados da pasta, de cargos de peso: o chefe de gabinete do MEC, Tiago Tonfelli, e o assessor especial do Ministério, Sílvio Grimaldo de Carvalho.

Grimaldo era um dos principais aliados de Olavo no governo e chegou a escrever também no Facebook, que teria sido alvo de um rebaixamento de cargo por pressão dos militares, e acusou o presidente Bolsonaro a preferir se alinhar a “generais positivistas” do que se “alicerçar em ativistas e intelectuais”.

O ex-assessor especial também disse que era decorrência dessa pressão dos militares a demissão do diplomata Paulo Roberto de Almeida, do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, exonerado depois de ter divulgado textos críticos ao próprio ministro do Itamaraty, Ernesto Araújo.

“Com o tempo, a influência do coronel sobre Vélez aumentou, e ele acabou abandonando qualquer pretensão de ter uma função específica (…) Perambulava pelo gabinete como a eminência parda do ministro, dando ordens, tomando decisões, indicando amigos para os cargos que vagavam”, disse Grimaldo no Facebook.

Em resposta, após ter sido anunciado na sexta passada que também seria afastado do cargo, Grimaldo escreveu nas redes sociais que o “expurgo de alunos do Olavo de Carvalho do MEC é a maior traição dentro do governo Bolsonaro que se viu até agora”.

Da ala de militares, também foi afastado o tenente-coronel Claudio Titerics, o secretário adjunto da Secretaria Executiva, Eduardo Melo, e o diretador da Fundação Joaquim Nabuco, Tiago Diniz.

Em meio à crise na pasta, Vélez chegou a cancelar uma viagem que faria de 14 dias a Israel, Alemanha e Dubai.

2 comentários

  1. Eu vi um olavista na esquina agorinha mesmo aqui em Union. Ele estava segurando uma placa onde estava escrito “Militares, beijem minha bunda!”
    Ouvi dizer que os militares obedeceram…

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