Saída estratégica, por Arnaldo César

Desde o tempo em que presidiu a UNE, Serra “sempre foi uma pessoa ardilosa. Costuma se posicionar dois ou três lances na frente dos adversários”.

do blog de Marcelo Auler

Saída estratégica

por Arnaldo César

Quem conhece o ex-ministro José Serra desde os tempos da militância estudantil na UNE ou do exílio no Chile, nos anos 70, sabe que ele sempre foi uma pessoa ardilosa. Costuma se posicionar dois ou três lances na frente dos adversários. Seu pedido de demissão do governo golpista de Michel Temer tem a ver com o cenário político que ele está vislumbrando para 2018.

O ex-chanceler que disse padecer de dores terríveis na coluna já percebeu que a canoa furada do golpe está indo a pique. Se alguém conseguir permanecer dentro dela nos próximos 22 meses será inapelavelmente triturado no embate eleitoral esperado para 2018.

Nada do que os golpistas prometeram conseguiram entregar. O desemprego atinge patamares perigosos. Apesar de todo o esforço retórico do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, os empresários não estão acreditando nos seus números e previsões. Ninguém se sente animado a meter a mão do bolso para fazer qualquer investimento, enquanto não se resolver o intrincado imbróglio político institucional em que a País está metido.

Independente do caos que tomou conta do Brasil, Serra debate-se com suas crises particulares. E, que não são poucas. Constantemente, é espezinhado pelos seus pares do PSDB. Seu estilo “rolo compressor” não funcionou no Itamaraty, onde a palavra de ordem costuma ser: “entendimento”.

Leia também:  Após privatização da companhia de energia, setor produtivo vive pesadelo em Goiás

“Ministro das Relações Exteriores, Serra já não era consultado pelo usurpador Temer para dar pitacos na economia como gostava de fazer”.

Consumado o golpe e indicado para Ministério das Relações Exteriores já não era consultado pelo usurpador Temer para dar pitacos na economia como gostava de fazer desde o governo FHC. Como a efervescente questão interna toma todo o tempo possível dos governantes de plantão, ninguém estava muito interessado nas articulações do tucano paulista para a política externa.

Ministro de segunda linha num governo capenga, Serra foi para vala comum dos políticos brasileiros enlameados pela propinagem da Lava Jato.  Especialmente, nesta fase, em que se fala em “delações do fim do mundo”.

As denúncias premiadas da Odebrecht nem bem vieram a público e já começam a deixar “vítimas” pelo meio do caminho. Serra já é uma delas. No final do ano passado, ele tentou se livrar das acusações de que teria embolsado R$ 23 milhões na sua campanha eleitoral de 2010.

Pediu ajuda ao seu operador financeiro, o banqueiro Ronaldo Cezar Coelho que foi para as páginas dos jornais explicar a delação dos R$ 23 milhões. Tentou justificar, dizendo que tudo não passou de uma “troca de chumbo”. Ou seja, Coelho teria emprestado do seu próprio bolso tal quantia à campanha de Serra. A empreiteira baiana, por sua vez, devolveu o montante depositando-o numa conta na Suíça mantida pelo banqueiro.

A dinheirama, de acordo com Coelho, já teria inclusive retornado ao Brasil e pago todos os impostos direitinho. Tudo graças à recém-concedida anistia a políticos que guardavam dinheiro em paraísos fiscais. A história da “troca de chumbo” não convenceu. Volta e meia esse espinho da propina paga pela Odebrecht insiste em apoquentar o ex-governador de São Paulo, José Serra.

Leia também:  A situação dramática dos Direitos Humanos no Brasil, por Arnobio Rocha

Continue lendo clicando aqui.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

16 comentários

  1. Do Conversa Afiada

    A bolinha de papel do Serra

    Wadih Damous

    Faz parte do consenso civilizatório o respeito ao sofrimento alheio. Ainda que a turba raivosa, que tomou conta das ruas, vomitou indignação e exigiu a deposição da Presidenta Dilma Rousseff, não tenha seguido essa regra e as redes sociais tenham virado parques de diversões de ensandecidos a desancarem sobre o luto de Lula, devemos nos compadecer da suposta indisposição de José Serra, que, pelo que contam as colunas entendidas da imprensa comercial, fartou-se de ser chanceler.

    Nos últimos tempos, o semblante desolado de Serra evocou o clima de fim de campanha eleitoral com perspectiva de derrota. Não há como não associá-lo ao episódio da bolinha de papel jogada em sua testa na caminhada em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, no segundo turno das eleições presidenciais de 2010. Depois de receber instruções pelo celular, simulou ter sido atingido por uma pedra e tentou inflar o episódio para posar de vítima de um atentado. Até um neurologista entrou em cena, para atestar a gravidade da lesão. E, ao final, peritos deram o veredicto: fora só uma bolinha de papel! A montanha parira um camundongo.

    Pois é, lembram-se da advertência dos pais aos filhos, para deixarem de mentir ou de pedir socorro quando dele não carecem? Se faltarem uma vez com a verdade, perderão credibilidade e talvez não sejam socorridos em apuros.

    É o caso de José Serra. Pode até estar doente, coitado. Não devemos brincar com isso. Afora desumana, nada se ganha com essa atitude. Mas, que fica uma pulga, melhor, uma cigarra atrás da orelha, ah, isso não tem como evitar.

    José Serra é o típico ator desse “coiso” que costumam chamar de governo. Um governo só de fato, porque, além de seu chefete não ter sido eleito para ser presidente, age em desacordo com o programa da chapa vitoriosa da qual participou e, em sádica afronta aos eleitores, faz de tudo que lhes possa causar repugnância.

    José Serra é um puxa-saco do Tio Sam e não consegue nem um pouquinho de atenção da equipe de Trump. Se esmerou tanto para receber sua atenção (depois de apostar suas fichas na candidata adversária, Hillary Clinton), que deu de graça um pedaço do território nacional, a base de lançamento espacial de Alcântara, onde os ianques terão uma alternativa para Guantánamo, caso queiram prender supostos terroristas fora do território americano. Em tempos de suruba nas instituições públicas, talvez imaginasse que Alcântara funcionasse como uma espécie de unguento KY, para facilitar as coisas…

    Em nove meses à frente da Secretaria de Estado, sua política para a América Latina foi um desastre. Não sobrou pedra sobre pedra da liderança regional do Brasil. O condutor da diplomacia brasileira preferiu portar-se como um “rowdy”, um menino brigão, hostilizando vizinhos por conta de suas opções políticas.

    Desfazendo alianças estratégicas tão custosamente montadas nos treze anos de governos democráticos, fez do Brasil um anão na política global. Não teve planos para os BRICS e calou um projeto promissor de aliança sustentável e contra-hegemônica.

    Nada soube fazer com o comércio exterior, nova área temática da sua pasta. À cata de mercados para escoar seu trigo, a Rússia oferece menos da metade do preço praticado pelos americanos, nosso maior fornecedor. Em contrapartida, dispõe-se a importar lotes enormes de carne brasileira. O MRE de Serra deixou as autoridades russas a ver navios. Nessa semana, elas fecharam negócio com o México.

    Em regiões conflituadas como o Oriente Médio, o Brasil da “política externa ativa e altiva” (Celso Amorim) faz hoje o papel de espectador desinteressado, apesar de ostentar na sua composição demográfica a maior diáspora árabe do mundo. Vários países da região estão dispostos a aumentar seu volume de negócios com o Brasil. Necessitam urgentemente de acordos de bitributação, para facilitar o fluxo de capitais. Mas o MRE de Serra não deu um passo.

    Serra preferiu falar grosso com os amigos tradicionais. Perdeu os ativos conquistados nos anos anteriores sem agregar nada de novo. É um triste balanço. Dessa vez, a farsa da bolinha de papel esconde a profunda incompetência e inoperância de José Serra, travestidas de inapetência. Nesse cenário, é bom que se vá. Seria bom que levasse o “coiso” junto! O Brasil só tem a ganhar ou, melhor, a perder menos do que já perdeu.

  2. O ator Jose de Abreu costuma

    O ator Jose de Abreu costuma lembrar que ele foi o unico dirigente da UNE  que fugiu, ele simplesmente pegou todo o dinheiro d o  ciaixa e despareceu souberam muito tempo depois que ele estava no chile !

  3. Ardiloso? É uma mula covarde

    Ardiloso? É uma mula covarde apátrida dedo duro traíra telecomandado por norte americanos e aliados. Em 2010 seus cabos eleitorais foram schwarzenegger, madonna, cnbb, malafaia, papa alemão etc etc etc…

    • Não seja por isso

      Serra, personalista, tentou a vida toda ter autoridade. Nunca conseguiu porque autoridade implica responsabilidade, coisa de que Serra foge como o diabo da cruz. Tentou um simulacro da autoridade, o autoritarismo. Mas como ninguém é bobo, todo mundo sabe diferenciar uma coisa da outra, viveu perdendo sustentabilidade e acabou chutado dos lugarem em que tentou mandar. Cego pela soberba, esquizofrenicamente sempre atribuiu suas saídas à vontade própria.

      D.E.P.

      ***

      Canção para Serra, “americana” como ele tanto admira:

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=UYFTbzREY7M%5D

      The hell of it
      (Paul Williams in Phantom of the paradise)

      Roll on thunder shine on lightnin’ the days are long and the nights are frightnin’
      Nothing matters anyway and that’s the hell of it
      Winter comes and the winds blow colder well some grew wiser you just grew older
      And you never listened anyway and that’s the hell of it

      Good for nothin’ bad in bed nobody likes you and you’re better off dead goodbye
      We’ve all come to say goodbye goodbye
      Born defeated died in vain
      Super destruction you were hooked on pain and tho’ your music lingers on
      All of us are glad you’re gone
      If I could live my life half as worthlessly as you
      I’m convinced that I’d wind up burning too

      Love yourself as you love no other be no man’s fool be no man’s brother
      We’re all born to die alone y’know that’s the hell of it
      Life’s a game where they’re bound to beat you and time’s a trick they can turn to cheat you
      And we only waste it anyway and that’s the hell of it

      Good for nothin’ bad in bed nobody likes you and you’re better off dead goodbye
      We’ve all come to say goodbye
      Born defeated died in vain
      Super destruction you were hooked on pain and tho’ your music lingers on
      All of us are glad you’re gone
       

    • não….

      Presidente da UNE, perseguido politico do regime militar e não é de esquerda? É berm a cara da esquerda, quando faz merda e sempre faz nunca assume, nunca é dos seus quadros. O Brasil se explica. Quanto a saída deste medíocre do Itamaraty, deveria ter pedido as contas, quando informou o novo rumo da diplomacia brasileira do governo golpista, Os zumbis tucanos voltando das covas. Tentar se inserir na ALCA, participar do NAFTA. voltar a subordinação dos EUA e Europa, baixando as calças. Então vem Le Pen, Trump, o fim de acordos de blocos que eles mesmos defenestram e afirmam que não estão interessados nem neste tipo de subserviência. Serra propondo ser lacaio e sendo rejeitado, antes mesmo de conseguir?! Olha o Chanceler que este país tinha? Foi tarde, mas o Brasil teve uma grande noticia: Foi.

  4. Como foi que o desagregador Serra chegou a presidente da UNE?

    Valeria a pena entrevistar os companheiros de Serra na UNE para entender como foi que ele conseguiu chegar a presidente da entidade. Pelo histórico dele, imagina-se facilmente quantos ele enganou para conseguir ter a visibilidade que o cargo garantia naquele momento.

    • Pela JUC/AP

         Quando das eleições de 1966, a resistência ao golpe de 64 foi através de uma “frente”, composta pelo PCB, PCdoB, junto a “esquerda católica” ( na real um agrupamento de tendencia mais social-democrata ), muito disseminada no Brasil aquela época, e portanto Zé Serra sendo um dos lideres da JUC foi guindado ao posto.

          Serra nunca foi de “esquerda” .

  5. José Serra

    Roberto Freire e um bando de meliantes que estão nesse governo golpista de merda eram todos informantes da Ditadura Militar. Que tal esses “estoriadores”  uspianos pesquisarem a respeito, em? Não vão porque não tem culhões e são antes de tudo uspianos.

  6. Ex-ministro só se for do

    Ex-ministro só se for do tempo do FHC. Ele foi nomeado pela Presidenta da República, excelentíssima senhora Dilma Vana Rousseff? Até onde me consta, ela ainda é a presidente. Não importa que criminosos de várias instituições brasileiras se uniram para dar o golpe, isso não torna a farsa deles algo real. Os atos do golpista Michel Temer são todos nulos de direito e todos ilegais, pois não podem valer como atos de um presidente, coisa que, pela nossa Constituição Federal, ele não é. 

  7. Não me parece ….

    Não me parece que  os golpistas não tenham entregado o que prometeram.  Parente continua na Petrobrás entregando tudo. A industria petrolífera agradece.  A Pec do orçamento já passou, a PEC do ensino já passou e agora querem a todo custo  a PEC da  Previdência  e a PEC trabalhista.Já compraram e entregaram uma “base parlamentar”. Montaram um STF favorável, aumentando o tempo  e mais recentemente cooptando ou indicando juízes. O MP já havia sido cooptado na figura de Janot.  Jogaram o país num buraco, impedindo qualquer reação e tornando-o mais vulnerável ao capital financeiro e especulativo. Destruiram em nome da luta da corrupção uma parte significativa do capital industrial, e de nossas empreiteiras e preparam a venda das terras agricultáveis para o capital estrangeiro. Em cada uma destas coisas se tem as digitais de Serra. E agora  Temer esta perdendo a validade, e os golpistas não se importam de sacrificar um ou outro, como fizeram com Cunha. Embora no novo acordo, Serraglio esteja ai para garantir a parte de Cunha, quem sabe uma anistia. Ou o processo será tão mal montado que Moraes ou Fachin terão desculpas legais para  absolvê-lo. 

    Não podemos  esquecer que  muita coisa já documentada contra Serra e outros não foi sequer tocada pelo MP. E agora estão na mão de Janot. Caso a Lava Jato fosse de fato uma luta contra a corrupção já teria investigado tudo que  foi apresentado no   livro da Privataria Tucana, ou a riqueza da família de Serra.  Portanto não creio que Serra  tenha receio da Lava jato, mas acredito que está saindo do governo , pois a preocupação dos golpistas é  a preparação para o que virá. Sabem que sem o poder não poderão manter as reformas. O foco  continua sendo como se manter no poder. Com tudo que ocorre no país não podem contar com o voto,  se associados a Temer. Temer sairá mais rico mas sem chances eleitorais. Mas o grupo de Serra também tem problemas e só quando resolverem poderão defenestrar Temer. Me parece que querem mesmo é uma  eleição indireta. Mas isto só quando resolverem a divisão do botim.

  8. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome