Tabuleiro do impeachment: a corrida por voto a voto de deputados

 
Jornal GGN – A cada minuto, partidos que não haviam se posicionado a favor ou contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff vão assumindo as decisões. Tanto do lado do governo, como dos encabeçadores do processo, as negociações deixaram de ser entre bases aliadas e não aliadas, e passaram a disputar nome por nome dos 513 deputados federais da Câmara, para a votação que ocorrerá às 14h deste domingo (17).
 
Na contagem regressiva, em quatro dias, o Planalto precisa angariar 172 votos para barrar o impeachment. Por outro lado, os opositores necessitam de 342 deputados para o processo de afastamento da presidente chegar ao Senado Federal.
 
Os últimos anúncios de partidos foram contra a expectativa do governo: O PP, partido que reúne a quarta maior bancada da Câmara, com 47 deputados, declarou que é a favor do impeachment. A notícia caiu de surpresa. Após longa reunião de portas fechadas, a sigla voltou atrás em seu apoio à presidente, engrossando a defesa de sua saída. 
 
Por outro lado, o partido que, pelo menos até a tarde desta quarta-feira (13), somava 13 de seus filiados contra o afastamento e dois indecisos, não fechou questão e, apesar da orientação, liberou seus deputados a votarem por critérios individuais. Entre os deputados que devem manter o voto favorável à Dilma estão Aguinaldo Ribeiro (PB) e Roberto Britto (BA), que integraram a Comissão Especial.
 
Nessa mesma linha defendeu o partido de Marina Silva, a Rede. A líder apoia a admissibilidade do impeachment, mas não necessariamente é uma orientação para os seus parlamentares, uma vez que dois dos deputados já se declararam contra o que chamaram de “golpe” – Alessandro Molon (RJ) e Aliel Machado (PR).
 
Não foi igual a decisão do PRB. O partido se declarou a favor do impedimento de Dilma, mas, neste caso, fechou questão – o que significa que seus membros devem obedecer ao posicionamento. Além da mais nova bancada pró-impeachment, também fecharam questão o partido líder da oposição, o DEM, que tem 28 deputados, e o PPS, que somou 9 na votação.
 
Com isso, o PRB colocou ponto final nos 9 deputados indecisos da sigla, que eram disputados, um a um, pelos governistas. “Estava esperando a decisão do partido. Eles leram todo o parecer da comissão (especial de impeachment) e recomendaram o afastamento”, disse o deputado Lindomar Garçon, que até ontem (12), apresentava-se como indefinido.
 
O ato de “fechar questão” é definido em Estatuto pelos partidos. Pressupõe que se um filiado não obedecer a postura decidida pela Executiva Nacional é considerado infidelidade ou indisciplina partidária, suscetível de punições, também definidas pelo regimento interno da sigla.
 
Em termos gerais, quando um partido “fecha questão” e um de seus membros não segue o estabelecido, se assim estiver no Estatuto, pode sofrer expulsão da legenda, o que acarreta, automaticamente, a perda de função ou cargo parlamentar, devido à proporção partidária, segundo a Lei dos Partidos Políticos. Em outras palavras, trata-se de uma ameaça legal.
 
Entenda mais sobre o regimento dos partidos políticos:
 
 
Mas ao passo que o Planalto perdeu o voto de bancadas inteiras, também obteve o apoio total do PDT. Nesta quarta-feira (13), a legenda que levará o ex-ministro Ciro Gomes à eleição presidencial de 2018 anunciou que é contra o impeachment. O partido já havia decidido o posicionamento em reunião do presidente nacional, Carlos Lupi, em janeiro, e trará seus 20 deputados contra o processo, a que chamam de “golpe” e “ofensa à democracia brasileira”.
 
“Que fique público e notório que todos aqueles que não obedecerem a decisão do Diretório Nacional do PDT estarão sujeitos as sanções previstas no Estatuto”, enfatizou o presidente da sigla, Carlos Lupi. “Não vamos sair do barco como se fôssemos ratos”, disse hoje o líder na Câmara, Weverton Rocha (MA). “Quem faz parte da agremiação partidária e não acompanha a decisão é submetido a sanção. A bancada do PDT não apoiará o golpe e estará ao lado da democracia e da Constituição”, completou.
 
Entre as punições previstas em seu Estatuto, o PDT pode emitir uma advertência, para casos de infrações primárias; uma intervenção, nos casos de divergências graves; e a dissolução do filiado, quando ocorrem violações do regimento do partido e o desrepeito à deliberação de órgão superior – o Diretório Nacional.
 
Na batalha dos partidos, o PMDB de Eduardo Cunha e Michel Temer – apontados pela presidente Dilma como o “chefe” e o “vice-chefe” conspiradores “do golpe, da farsa e da traição” – analisa se fechará ou não questão em favor do impeachment. Se a pressão, de um lado, vem do próprio presidente da Câmara, o líder Leonardo Picciani (RJ) integra a minoria de 7 deputados que são declaradamente contra.
 
Em disputa clara do voto a voto, por outro lado, a sigla é a segunda que mais deu votos em favor do impeachment, na Comissão Especial, perdendo apenas para o majoritário PSDB. Na votação desta segunda (11), Picciani liberou a bancada. Se a Executiva decidir fechar questão, afetará não apenas os deputados decididos, como também os ministros da presidente Dilma Rousseff, que decidiram nesta terça (12) votar contra o impedimento.
 
Seriam três votos em favor do governo: o ministro da Ciência e Tecnologia, Celso Pansera, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, e o ministro da Aviação Civil, Mauro Lopes. “Decidimos que nós três que somos deputados vamos voltar para fazer a luta contra o impeachment na Câmara. E vamos encerrar o terceiro turno das eleições neste domingo. E vamos ganhar de novo, e só espero que respeitem o resultado”, disse Pansera.
 
O resultado de pressões, negociações, incentivos e trocas de todos os tipos no jogo do impeachment é que o tabuleiro está desfavorável para a presidente Dilma: faltam 30* do total de 342 deputados para o processo seguir ao Senado Federal. Os dados, contudo, têm margens de erros. São 38 os indecisos e 38 os parlamentares que não responderam. Pela manutenção da democracia e da legitimidade do voto, são apenas 125 deputados da Câmara que decidirá as próximas partidas do país.
 
 
* O GGN analisou os dados do Mapa da Democracia, do Mapa do Impeachment do MBL e do Placar do Impeachment do Estadão. O levantamento mais atualizado e menos passível de erros foi o do Estadão, usado aqui como fonte de dados
 
 

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20 comentários

  1. A ultima vez que ouvi falar,

    A ultima vez que ouvi falar, nao ha “corrida para votos”, ha compra de votos a favor do impeachment…

  2. Ausência de deputado no plenário

    Acredito que partidos que fecharão questão (seja pelo sim, seja pelo não) não poderiam punir os deputados que no domingo se ausentarem do plenário… Ou poderiam?

  3. Um dos arenistas mais agudos

    Um dos arenistas mais agudos em ódio já determinou que quem faltar terá que apresentar atestado médico. O negócio é sério mesmo. Tudo na base do recado vom viés ameaçador: ou vota, ou vai se danar. Imagine só como ficarão os parlamentares que bateram o pé e votarão em favor de Dilma, caso vençam os conspiradores. 

    • Isso é fácil de fazer, só

      Isso é fácil de fazer, só eles todos irem ao oftalmo!!! É, sabe aquela consultinha simples em que vc dilata as pupilas? Aquilo te impossibilita de trabalhar no dia!!!! Só deixar 1 barão na mão de qq oftalmo que ele até deixa de ir na micareta da paulista e abre o consultório só pra vc! Ah e é dilatar as pupilas no oftalmo, não pode dilatar q nem o FHC gooooooooooostcha! huahauah

      Em tempo, alguém me desenha como assim que o congresso vai funcionar num DOMINGO???!?!?!?!?!?!?!? Eles só “trabalham” de terça a quinta desde que o mundo existe e agora, do nada, vão abrir num DOMINGO????????????? Se eles podem ir num domingo, pq não trabalhar de domingo a domingo SEMPRE????? O tanto de projetos de lei parados iriam zerar em 6 meses!

  4. Ratos e Vermes sempre abandonam o navio

     

    É  chatoéser repetitivo mas as vezes as circunstâncias obrigam.

    Caso se confirme a vitória dos golpistas passarei a me sentir com plenos direitos a conspirar contra e pedir o impeachment de qualquer governo eleito do qual discorde e inclusive ofender autoridades ou seus adeptos com palavras de baixo calão como as produzidas por essa burguesia burra, ególatra, mal educada, ignorante, violenta, a mais cruel e estúpida do planeta, contra a senhora que nos governa.

    Espero que da próxima vez que a esquerda, mesmo que seja uma meia boca como essa, assuma o poder, ainda que daqui a 100 anos, tenha aprendido a lição, e jamais confunda novamente aliados oportunistas de ocasião, salafrários de aluguel, com companheiros, nem trate inimigos do povo e traidores como adversários fidedignos.

    O acelerado desembarque de “aliados”, as vésperas da votação revela o que de fato são, vermes e ratos sem caráter, a maior parte deles incriminados em processos estagnados na justiça  sob o olhar complacente e golpista de um cartel de imprensa venal e sob a leniência de um judiciário podre, ambos a serviço de interesses escusos e comandados do exterior.

    Os integrantes do que se chama oposição são do mesmo quilate, defendem os mesmos interesses, tem os mesmos propósitos, e o mesmo caráter, manter a exploração de classe, a casagrande, os privilégios, o aparte da maioria pobre, a colônia submissa.

    A vitória destes na CPI espúria com o placar de 35 processados entre seus (deles) 38 votos golpistas obtidos é no mínimo sintomática.

    Nem sei mais o que dizer….

    Vou sair para vomitar.

    Novamente.

     

     

     

  5. Na boa, não dá para levar fé

    Na boa, não dá para levar fé no mapa do MBL e do Estadão.

    Nem todos declaram o verdadeiro voto.

    Acho que do lado da oposição vai haver muita traição.

    Pela tranquilidade aparente do governo, acredito que tenham mais ou menos o controle da situação, e que  tenham os votos para barrar o impeachment

    Agora, acreditar em mapa do MBL e estadão, é o mesmo que acreditar que o Cunha não é golpista.

  6. Sobre o conteúdo deste post, veja o que disse o Damous

    Damous: não há debandada nenhuma

    E denuncia: Cunha e Temer chantageiam deputados

    Do Blog do Esmael Morais:

    Damous denuncia: “Cunha e Temer chantageiam deputados”; assista

     O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional fluminense, em vídeo distribuído à militância, acusou nesta quarta-feira (13) o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o vice Michel Temer, estão chantageando os parlamentares para angariar apoio ao golpe.

    “O cabo Anselmo da atualidade, o vice-presidente Michel Temer, e Eduardo Cunha, foi chantagear o deputado Aliel Machado (Rede-PR), que reagiu com muita firmeza e altivez”, denunciou Damous, comparando o vice ao agente infiltrado nos movimentos de esquerda pela ditadura militar.

    Para Wadih Damous, a mídia é golpista e quer criar um “clima de já ganhou” para consumar a derrubada do governo. Segundo o parlamentar, os deputados têm medo de aparecer com antecipação, mas, assegura, estarão juntos em favor da democracia no próximo domingo (17).

    Portanto, existem dois quadros sobre essa guerra de números: um falso, que é cantado pela Globo e pela mídia golpista, e outro verdadeiro, que é esse da resistência democrática.

    A oposição precisará arregimentar 342 votos — ou dois terços de 513 deputados — para depor Dilma. A missão é praticamente impossível, segundo todos os institutos de pesquisas sérios do país. 

     

  7. Mapa e projeção furada.
    Qual será a abstenção? Rsrsrsrs…quem se abstem nao pode ser detonado nos eztatutos dos partidos…projeção furadaça. Bola fora Nassif.

  8. o que seria melhor?

    o melhor será a ruptura institucional que esse golpe causará, dando ensejo a um contra-golpe popular que não poupará nababos ou corruptos golpistas.

    é o que falta ao brasil: uma faxina que expurgue e liquide sua quinta-coluna apátrida e entreguista.

  9. Sobre a contagem

    Estou acompanhando pelo Estadão, e apesar do PDT ter fechado a questão até agora, 20:46 da noite de quarta-feira, o Estadão ainda contabiliza 10 votos apenas pró governo do PDT, seriam 20. Creio que devam alterar isso.

  10. Lula

    Alguem pode me responder o que o Lula está fazendo. As midias calam sobre o trabalho de bastidores, dão a entender que ele perdeu o encanto e não presta para mais nada.

    Deve ser por isso que o governo está tão tranquilo.

     

  11. O governo garante que tem os

    O governo garante que tem os 200 votos para barrar o impeachment, está no portal G1.

    A oposição e o PIG estão fazendo jogo de cena, estão colocando pressão nos indecisos.

    Não posso esquecer quem em 2014 teve um instituto de pesquisa do Paraná, que dava como certa a vitória do Aécio.

    Depois do resultado, tem aquela imagem do Aécio com cara de fiofó, não acreditando no que tinha acontecido.

    Aliás, até hoje ele acha que não perdeu.

     

  12. esse tabuleio está uma

    esse tabuleio está uma loucura, pressão de todos os lados,

    os golpistas  à toda com suas  mentiras e invenções…

    mas  quem  decidirá será o senado…

  13. Contando os votos

    Blog do Planalto——Quarta-feira, 13 de abril de 2016 às 20:15

    Dilma recebe manifestação de apoio de parlamentares do PMDB, PR, PSD e PEN

    Dilma Rousseff recebeu manifestações de apoio contra o processo de impeachment em andamento na Câmara dos Deputados. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

    A presidenta Dilma Rousseff recebeu, na tarde desta quarta-feira (13), mais uma manifestação de apoio de deputados da base aliada. Entre os parlamentares presentes ao encontro, estava o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani. O partido de Picciani também se fez representar pelos ministros Mauro Lopes (Aviação Civil), Celso Pansera (Ciência, Tecnologia e Inovação) e Marcelo Castro (Saúde). Todos irão se licenciar do cargo para poderem votar domingo (17) contra a abertura do processo. O deputado baiano José Rocha, do PR, e Paulo Magalhães, do PSD, e Junior Marreca, do PEN, também estiveram presentes.

    O encontro aconteceu pouco antes da assinatura do contrato de renovação antecipada de concessão do Terminal de Contêineres de Paranaguá, no Palácio do Planalto. Os deputados estavam em reunião com o ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, Ricardo Berzoini, e decidiram descer para posar ao lado da presidenta, em solidariedade ao processo de impeachment sem base legal que ela está sofrendo na Câmara dos Deputados.

    URL:

    http://blog.planalto.gov.br/dilma-recebe-manifestacao-de-apoio-de-parlamentares-do-pmdb-pr-psd-e-pen/

     

  14. Brizola, herança trabalhista, Globo, Legalidade e o atual golpe

    Prezado Nassif,

    Meu nome é Rafael Machado Madeira, sou cientista político e professor do PPG em Ciências Sociais da PUC/RS. Tomo a liberdade de lhe enviar pequena reflexão acerca da incompatibilidade do posicionamento de alguns deputados do PDT com a história deste partido e do seu fundador e grande lider.

    Grande abraço,

    Rafael Machado Madeira

     

    Caro deputado, lhe envio texto por mim escrito e publicado em minha página no facebook. O link é:

    https://www.facebook.com/rafael.m.madeira.7

    Há 55 anos, o Rio Grande do Sul se levantava contra uma clara tentativa de golpe institucional.

    Capitaneado pelo então Governador Leonel de Moura Brizola, que aliou coragem, habilidade política e senso histórico ao conquistar o apoio do comandante do Terceiro Exército e mobilizar a Brigada Militar e os setores democráticos da sociedade civil sul-rio-grandense em defesa da democracia e da manutenção do Estado Democrático de Direito.

    Nunca fui e não sou brizolista, mas reconheço naquele ato uma das mais belas páginas da nossa história.

    Na morte do ex-governador, fui ao Palácio Piratini prestar homenagem e me marcaram muito as diversas fotos do Brizola coordenando a campanha da legalidade.

    Fico pensando o que Brizola diria se visse que deputados federais que “se criaram” e se elegeram sob a legenda que ele fundou votando a favor de um processo de impeachment que não possui argumentação jurídica consistente (para dizer o mínimo), capitaneado por figuras como Eduardo Cunha, sustentado pelos grandes veículos da mídia e atendendo aos interesses das organizações Globo, que tanto perseguiram Brizola ao longo da sua vida.
    Prezados deputados do PDT, é o seu lugar no legado do trabalhismo que está em jogo.

     

  15. Precisamos confirmar, segue o vídeo

    Waldir Maranhão confirma que parte do PP votará contra o Impeachment

    O vice-presidente da Câmara, deputado Waldir Maranhão confirmou que parte do PP votará contra o Impeachment, a favor da democracia e da constituição. “O Maranhão não merece retrocesso”

    divulgado pelo Deputado Weverton Rocha  (PDT-MA)

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=-la0aGm328g%5D

    URL:

    https://www.youtube.com/watch?v=-la0aGm328g

  16. Reuters Brasil—Por Lisandra Paraguassu

    —-A maior virada teria vindo do PP, que decidiu nesta semana abandonar o governo e interromper as negociações para ocupar espaços que pertenciam antes ao PMDB. O vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (MA), afirmou à presidente que votaria com o governo e traria com ele outros 11 deputados do partido.
    De acordo com um parlamentar que participou dos encontros com a presidente, a “onda favorável” está sim crescendo. O PSD, por exemplo, que também declarou que sairia do governo e encaminharia pelo impeachment, entregaria cerca de 12 votos ao Planalto.—

    Após negociações, governo confia em novo fôlego contra impeachment
    sexta-feira, 15 de abril de 2016 21:03 BRT—Reuters Brasil—Por Lisandra Paraguassu

    BRASÍLIA (Reuters) – O Palácio do Planalto se transformou em um centro de romaria de deputados e governadores nesta sexta-feira, em um movimento de última hora que pode ter dado ao governo fôlego extra para barrar a aprovação do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff pela Câmara dos Deputados.

    O clima fúnebre da noite de quinta-feira, quando o governo reconheceu que não alcançaria mais votos suficientes na Câmara, foi substituído no final desta sexta por um otimismo cauteloso. Dilma passou o dia em contato com deputados, pessoalmente e por telefone, e aliados do governo afirmam que foi possível virar quase duas dezenas de votos, aproximando de novo o Planalto de 190 a 200 votos.

    “Ultrapassamos os 172 votos que precisamos e temos ainda uma coluna a trabalhar de 36. Estamos bem acima da margem de erro”, afirmou o vice-líder do governo, Sílvio Costa (PTdoB-CE), que afirma ter mostrado à presidente Estado por Estado quantos votos estão garantidos. “Ela ficou hiper feliz”, garantiu.

    Durante o dia, a presidente recebeu seis governadores – Maranhão, Ceará, Bahia, Amapá, Paraíba e Piauí  – e parte das bancadas da Bahia e Ceará, além de diversos grupos de deputados. Entre eles, o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani, e os ministros peemedebistas Kátia Abreu, da Agricultura, Celso Pansera, da Ciência e Tecnologia, e Marcelo Castro, da Saúde.

    A maior virada teria vindo do PP, que decidiu nesta semana abandonar o governo e interromper as negociações para ocupar espaços que pertenciam antes ao PMDB. O vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (MA), afirmou à presidente que votaria com o governo e traria com ele outros 11 deputados do partido.
    De acordo com um parlamentar que participou dos encontros com a presidente, a “onda favorável” está sim crescendo. O PSD, por exemplo, que também declarou que sairia do governo e encaminharia pelo impeachment, entregaria cerca de 12 votos ao Planalto.

    O ministro das Cidades, Gilberto Kassab – representante do partido no ministério – chegou a ir ao Palácio do Alvorada, na quinta-feira, entregar a carta de demissão a Dilma Rousseff “por uma questão de elegância”, disse à Reuters o parlamentar, sob condição de anonimato, mas a presidente recusou. Pediu a Kassab que esperasse o resultado da votação de domingo para então decidir se ficaria ou não no governo.

    A presidente passou o dia em reuniões, mas também falou com parlamentares por telefone. De acordo com uma fonte palaciana, há um convencimento político de que não haveria uma pacificação com sua saída do governo. “Mas claro, não vamos negar, que existe sim a negociação de cargos”, diz a fonte.

    “O clima melhorou muito. Há um entendimento claro que a suposta avalanche (a favor do impeachment) não se verificou. Houve uma reversão de expectativas”, disse o governador do Maranhão, Flávio Dino, um dos que vieram a Brasília para tentar ajudar o governo a reverter votos.

    Parlamentares citam, ainda, a ação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que passou os últimos dias recebendo dezenas de deputados. Lula, que voltaria a São Paulo na noite de quinta-feira, ficou em Brasília para continuar negociando voto a voto. “O ex-presidente é sem dúvida o fiador de todos os acordos que estão sendo feitos”, disse à Reuters a fonte parlamentar.  

    URL:
    http://br.reuters.com/article/domesticNews/idBRKCN0XC2V0

  17. John
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