Temer conspirou com Aécio sobre governo de transição, diz colunista

O fator perda de credibilidade de Eduardo Cunha para encabeçar o impeachment atrapalhou a negociação, diz Dora Kramer

Jornal GGN – Considerado o fiel escudeiro de Dilma Rousseff (PT) em meio à crise política e econômica que, volta e meia, põe a cabeça da petista em xeque, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) teria conspirado, sim, com o senador Aécio Neves (PSDB) sobre um eventual governo de transição. A informação consta na coluna da Dora Kramer, no Estadão desta quinta (5).

Segundo a jornalista, há cerca de 40 dias, Temer e Aécio “tiveram uma conversa” na “casa do senador Romero Jucá [PMDB], em condomínio nos arredores de Brasília. O assunto não prosperou, inclusive porque nesse meio tempo entrou em cena o fator Eduardo Cunha. O vice-presidente quase foi pego de calças curtas em pleno exercício da ‘conspirata’ por um dos agentes de sua equipe de segurança que, preocupado com o sumiço, conseguiu falar com ele por telefone, mas não obteve a localização exata do chefe.”

Pela coluna, Cunha teria perdido credibilidade e ficado sem condições de encabeçar um processo de impeachment de Dilma com tantas denúncias contra si na Lava Jato. Nessa lógica, caberia ao PSDB e ao grupo do PMDB ligado a Temer afastar Cunha da presidência da Câmara, aproveitando a onda de denúncias e o processo contra ele no Conselho de Ética da Casa. Porém, não é isso o que a própria jornalista informa no mesmo texto.

Kramer escreveu sobre a situação delicada em que se encontra Cunha desde que a Procuradoria Geral da República confirmou a existência de contas na Suíça beneficiando o deputado e seus familiares com recursos supeitos de terem sido desviados da Petrobras.

Para a colunista, Cunha conseguirá, a despeito de todos os ataques à sua imagem, se manter no cargo o tempo que julgar preciso. Isso porque oposição e situação têm seus próprios interesses, e eles convergem na necessidade de manter Cunha na presidência da Câmara. Uma ala do PSDB acha que sem Cunha, não tem impeachment. E uma ala do PT acha que tentando derrubar Cunha da Mesa Diretora, o governo dará um tiro no pé.

Outro fator mantenedor de Cunha na presidência da Câmara seria que 2016 é um ano eleitoral e todos, inclusive o PSDB, estarão voltados para as campanhas – muitas custeadas pelo próprio Cunha, como ocorreu em 2014, inclusive com candidatos do PSDB.

Logo, o processo de cassação de mandato que corre no Conselho de Ética tende a terminar em pizza. “O Congresso entra em recesso no dia 17 de dezembro, daqui a um mês e poucos dias. Portanto, antes de março ou abril de 2016 nada se resolve no âmbito do Parlamento.”

“Quero dizer o quê? Que os fatos conspiram contra o andamento do processo de cassação. Cunha provavelmente vai se safar. Com a ajuda de deputados de oposição que a direção do PSDB não consegue controlar. E por quê? Porque fala mais alto o dinheiro das respectivas campanhas.”

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