The Guardian: Bolsonaro sob fogo cerrado após afrontar repórter com fake news

A matéria do The Guardian, assinada por Dom Phillips, diz que Bolsonaro provocou uma ‘tempestade de protestos’ depois de espalhar notícias falsas para atacar jornalista que cobriu escândalo envolvendo um ex-assessor de seu filho Flávio

Photograph: Evaristo Sa/AFP/Getty Images

Jornal GGN – O jornal inglês, The Guardian, traz extensa matéria sobre os ataques de Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, contra uma repórter do Estadão usando notícias falsas para insuflar seus seguidores contra ela. O jornal aponta que a hashtag #BolsonaroÉNotíciaFalsa foi uma das principais do Brasil depois do compartilhamento das informações falsas.

A matéria do The Guardian, assinada por Dom Phillips, diz que Bolsonaro provocou uma ‘tempestade de protestos’ depois de espalhar notícias falsas para atacar jornalista que cobriu escândalo envolvendo um ex-assessor de seu filho Flávio, que também está sendo investigado por lavagem de dinheiro.

É apontado ainda que os principais jornais, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e a Ordem dos Advogados do Brasil, criticaram o presidente de extrema direita por compartilhar uma ‘deturpação’ e ‘informações falsas’.

O ataque de Bolsonaro foi feito no domingo em um tweet com trechos curtos de áudio de uma conversa entre Constança Rezende, repórter do Estadão, e um homem não identificado. Bolsonaro a acusou de buscar seu impeachment e querer ‘arruinar’ a vida de seu filho Flávio.

Mas, aponta o jornal, nos trechos compartilhados pelo presidente do Brasil, a jornalista não fez tal coisa. Nos trechos, ela pode ser ouvida dizendo que o caso contra o filho do presidente estava ‘arruinando’ Bolsonaro – que se fez presidente em plataforma anticorrupção e dura no crime. Constança também diz que o caso pode levar ao impeachment do presidente e expressou seu mede de que as investigações não avancem.

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No mesmo tweet, Bolsonaro também mencionou o pai de Constança Rezende, Chico Otávio, jornalista investigativo do jornal O Globo, que investiga gangues criminosas que também estão ligadas a Flávio Bolsonaro.

Bolsonaro acusou Constança e Otávio de quererem ‘derrotar o governo com chantagem, desinformação e vazamentos’. Porta-voz do presidente disse que ele se recusou a comentar na segunda-feira; Constança e Otávio também não comentaram.

Depois do tweet de Bolsonaro no domingo, a hashtag #EstadãoMente se tornou o principal tópico no Twitter. Mas, na segunda-feira, #BolsonaroÉNotíciaFalsa a substituiu entre as principais hashtags do Brasil.

O The Guardian pontua que o Estadão é um jornal conservador, fundado em 1875, que publicou editoriais fortemente críticos das recentes controvérsias de Bolsonaro, como o tweet de um vídeo pornográfico de um ato sexual durante o carnaval.

‘O presidente compartilhou e endossou informações incorretas, o que é sério’, disse João Caminoto, diretor de jornalismo do Estadão. ‘É um ataque ao jornalismo e, consequentemente, um ataque à democracia’.

O diretor do Estadão informou que Constança Rezende deu uma entrevista por telefone a uma pessoa que alegava ser estudante chamado Alex MacAllister, que disse estar fazendo um estudo comparativo entre Donald Trump e Jair Bolsonaro.

A entrevista apareceu pela primeira vez em um post de blog de um cineasta francês e foi republicado no domingo por um site pró-Bolsonaro chamado Terça Livre, em um artigo escrito pela assessora de imprensa de um deputado estadual do PSL de Bolsonaro.

O jornal relata que, antes de ser eleito no ano passado, Flávio Bolsonaro era deputado estadual no Rio de Janeiro. Constança Rezende relatou, anteriormente, uma investigação sobre movimentos financeiros ‘atípicos’ envolvendo funcionários de deputados estaduais e ex-deputados, incluindo o assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. Os dois negaram qualquer irregularidade.

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Flávio Bolsonaro, em entrevista na TV, em janeiro, afirmou que ‘não há nada de ilegal’. Já Queiroz havia dito anteriormente que ganhava dinheiro fazendo negócios.

Além disso, Flávio Bolsonaro também está sendo investigado por lavagem de dinheiro em outro caso. ‘Ele é vítima de perseguição política’, disse seu porta-voz ao site Antagonista, e ‘repudia a tentativa de imputar irregularidades e crimes onde não há nenhum’.

O pai de Constança Rezende, Otávio, relatou, por seu turno, uma ‘milícia’ criminosa. Um dos líderes do grupo era um ex-policial Adriano da Nóbrega, cuja esposa e mãe eram membros da equipe de Flávio Bolsonaro até o ano passado.

O jornal evidencia também a ligação de Nóbrega com o assassinato de Marielle Franco, no ano passado. E aponta que, enquanto deputado estadual, Flávio Bolsonaro concedeu uma ‘moção de louvor’ oficial para Nóbrega e outro membro da gangue.

Aponta ainda que, o site francês Mediapart, que originalmente hospedou a entrevista, se eximiu da postagem no blog. ‘A informação publicada no ‘Mediapart club’, que serviu de base para o tweet de @jairbolsonaro é falsa. O artigo é de responsabilidade do autor e o blog é independente da redação do jornal’, dizia em um tweet em português.

Para o The Guardian, o diretor de redação do Estadão disse que a principal preocupação do jornal é a segurança de seus repórteres. Contou ao jornalista que ela teve que suspender suas contas de mídia social. Disse ainda que o número do celular foi divulgado e ela recebeu ameaças veladas. ‘Nós respondemos com jornalismo’, disse Caminoto.

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2 comentários

  1. Nassif: parecemos uma Nação “fike”. O presidente parece “fike”. Seus dissipulos são “fake”. O Templo de Salomão é “fike”. O ProfetaMaldito é “fike”. A grande mídia é “fike”. Os VerdeSauvas, que criaram e sustentam os atuais dirigentes, são “fike”. O Congresso é, em todos os sentidos, “fike”. O Judiciário é o “fike” que mais parece um caso para o polícia. Assim, de “fike” em “fike” a realidade se desnuda no Brasil.

    Só não é “fike” a corrupção (nos 3 Poderes e na maioria dos empresários). Só não é “fike” a IV Armada, na boquinha do présal… Só não é “fike” o desrespeito àqueles 91 milhões de eleitores que ousaram dizer não ao que aí está.

    • ERRATA: onde se lê “fike” entenda-se “fake”. Do resto, como dizem os bicheiros do Tanque, gora com ponto no Planalto, “vale o escrito”.

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