Vale não cumpriu medidas compensatórias em Mariana, diz prefeito

‘Mariana tinha por obrigação ser referência no Brasil, para que isso não voltasse a acontecer’, disse o prefeito da cidade

Tragédia em Mariana - Foto Agência Brasil

Jornal GGN – O prefeito de Mariana-MG, Duarte Eustáquio Junior, palco de outro crime ambiental e tragédia humana perpetrada pela Samarco, subsidiária da Vale, deu depoimento na comissão geral que discute as circunstância e responsabilidades do rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijó, em Brumadinho-MG. Ele afirmou à comissão que as medidas compensatórias exigidas da Vale, no caso do rompimento da Barragem do Fundão, não foram integralmente cumpridas. Este depoimento foi dado na quarta, dia 13.

Duarte afirmou que as tragédias de Brumadinho e Mariana têm algo muito parecido, que vem a ser a destruição em massa de vidas e também do meio ambiente. ‘Mariana tinha por obrigação ser referência no Brasil, para que isso não voltasse a acontecer’, disse ele. 

Ele também relatou a dificuldade do município de Mariana de receber indenizações e royalties pela atividade mineradora, como a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem). ‘É importante que se entenda que os atingidos não são somente as pessoas que perderam as suas vidas e os seus familiares, é toda a cidade. A cidade de Brumadinho está totalmente atingida’, disse ele, informando que Mariana perdeu, em três anos após a tragédia, R$ 210 milhões em receitas.

Antonio Sergio Toné, procurador de Justiça do Estado de Minas Gerais, disse que o órgão está assumindo uma postura diferente do caso de Mariana, em Brumadinho. A atuação está se dando conjuntamente com outros órgãos, informou. Disse que existem duas ações que pedem, cada uma, o bloqueio de R$ 5 bilhões para socorrer as vítimas e por reparações de danos socioambientais. Além disso, o Ministério do Trabalho já pediu o bloqueio de R$ 1,6 bilhão também para o socorro às vítimas.

Toné entende que não há dúvidas quanto à responsabilidade da Vale pelo crime e danos às vítimas, mas que na área criminal é preciso investigar para identificar as pessoas culpadas. ‘O Ministério Público está atuando em conjunto com a Polícia Federal e com a Polícia Civil. Já obtivemos diversas cautelares de busca e apreensão de documentos e algumas prisões. O trabalho continua avançando muito’, disse ele.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

2 comentários

  1. Não tem jeito.
    Enquanto o presidente da Vale não for preso e começar a responder pelos danos com seu patrimônio pessoal os assassinatos em massa continuarão.

  2. Para o presidente da Vale e sua diretoria até sua prisão falta muito.

    O poder público do país: de Corpo de Bombeiros, a Promotoria pública, até chegar as defamadas Agências Reguladoras criadas com a Lei de privatização, é uma sequência escabrosa de descaso.

    Ninguém quer praticar sua atribuição pública, ninguém quer fazer valer seu dever, sua obrigação. NADA FUNCIONA, NADA VAI, NADA VEM, NADA SE CONCLUI. E quando acontece uma tragédia é um corre-corre de um colocar a culpa no outro, espera-se (a tática), espera o esfriamento da comoção e o esquecimento do sofrimento diário, mensal, anual… lentamente o povo se resigna. Mas o pior de tudo é que a imprensa ajuda a manter essa espécie de coisas, a RESIGNAÇÃO de milhões de brasileiros em viver em um país de gente esculhambada que é o Brasil.

    Todos falam, aqui é o Brasil. É assim mesmo. Fazer o quê, abaixam a cabeça e volta a lutar, a trabalhar para sobreviver e colocar um prato de comida. Volta-se ao normal, militares recebem medalhas de honra ao mérito, políticos recebem títulos de cidadania, poder judiciário tira férias e se confraternizam-se entre si, e o povo é a manada de animais idiotizados.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome