Vale sabia que rompimento de barragem inundaria restaurante, sede e pousada

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – A Folha de S. Paulo desta sexta (1º) revela que a Vale tinha em mãos um plano de emergência em caso de hipotético rompimento de barragem que mostrava a inundação do restaurante, da sede administrativa da empresa e também da pousada que ficava a alguns quilômetros da mina Córrego do Feijão.
 
“Antes da tragédia de Brumadinho (MG), a Vale já sabia que um eventual rompimento de barragem no local destruiria as áreas industriais da mina de Córrego do Feijão, incluindo o restaurante e a sede da unidade, onde estava parte dos mortos e desaparecidos”, afirmou o jornal.
 
A reportagem indica que uma as principais medidas que deveriam ser adotadas imediatamente em caso de emergência era o aviso às autoridades competentes e o alerta à população por meio de uma sirene. As autoridades só foram avisadas com atraso e a sirene nunca tocou. Dirigente da Vale disse que o rompimento da barreira foi tão rápido que “engolfou” as sirenes.
 
Folha firma que a suspeita é de que os funcionários responsáveis por fazer os avisos necessários foram os primeiros a serem atingidos pela lama.
 
Há também crítica à rota de fuga estudada pela Vale para casos de emergência. “Quem correu para onde a Vale mandou morreu, e quem não seguiu o treinamento está vivo”, disse Jhonatan Júnior, 22, que perdeu o irmão no acidente que ocorreu na manhã do dia 25.
 
Segundo o jornal, o plano – que foi protocolado na prefeitura e Defesa Civil – prevê 3 situações: “galgamento (‘vazamento’ sobre a crista da barragem), piping (rompimento a partir de uma fratura na barragem) e instabilização.”
 
“Em todas elas há danos previstos nos cursos d’água de área de preservação permanente, problemas de abastecimento e fornecimento de energia, inundações de áreas urbanas, assoreamento de cursos d’água e danos à fauna e flora da região”, anotou.

7 comentários

  1. Planos de emergência

    Ha uns 10 atrás, trabalhei como terceirizado na Petrobrás, na Tijuca, Rio de Janeiro. Descendo no elevador, pra almoçar, o elevador parou entre as garagens, a porta abriu em uma laje de concreto.

    Eram umas 10 pessoas, incluindo uma grávida. Confusão geral, alguns gritos, chamam o pessoal da CIPA-Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. Havia um plano de emergência caso os elevadores parassem, mas dependem da chave para acionar um motor reserva ou sei lá o que no último andar.

    Mas como era horário do almoço, o zelador tinha saído pra almoçar e levara a chave junto. Foi localizado depois de meia hora jogando sinuca num boteco. Voltou esbaforido, pra liberar o elevador, no último andar. Alguém já tinha chamado os bombeiros, que chegaram junto com o zeloso zelador, mas não puderam entrar por que isso provocaria uma “não conformidade” no Plano de Segurança.

    Os caras tem uma empresa americana pra elaborar plano de segurança, gastam uma boa grana nisso, intermináveis reuniões, comissões, etc, e tudo dará certo se o zelador não for jogar sinuca com a chave no bolso.

    Ficamos 45 min no elevador. Se o prédio tivesse incendiado teríamos morrido. E eu perdi o horário de almoço.

     

  2. Plano de emergência II

    Uma vez li sobre um acidente numa nave Soyuz. No início da reentrada os 3 cosmonautas estavam bem. Quando abriram a cápsula estavam mortos. A investigação apontou que houve uma falha no suprimento de oxigênio na reentrada, durante a fase sem comunicação por rádio (ionosfera). Ué, mas eles tinham equipamento reserva, porque não acionaram?

    Ao refazer os procedimentos, descobriram que para acionar o equipamento reserva, eles gastavam quase 5 min, ou seja tinham que ficar com a respiração trancada todo o tempo.

     

  3. “Os caras tem uma empresa

    “Os caras tem uma empresa americana pra elaborar plano de segurança, gastam uma boa grana nisso, intermináveis reuniões, comissões, etc, e tudo dará certo se o zelador não for jogar sinuca com a chave no bolso.”

    A tal “empresa americana” errou, seus analistas se esqueceram de que o zelador poderia se ausentar (jogar sinuca ou fazer o que bem entender com sua hora de almoço ou ainda ser atropelado nai ida ou na volta, tanto faz) e não colocaram um claviculário de reserva.

    • Erros básicos

      Esse é o meu ponto. Alguns erro são primários. Pelo que li até agora, a Vale colocou as sirenes logo abaixo da barragem. Foi tudo levado junto.

      Numa outra empresa que trabalhei, numa reunião sobre emergência, uma mente brilhante queria que colocassem uma explicação nos extintores, do porque usar o de pó em instalações elétricas e o de espuma em outros tipos de material.

      Porra, basta colocar um aviso no extintor, como já é feito. Na hora do incêndio ninguém vai ler manual de como usar o extintor. Eu saí da sala.

  4. Plano de segurança do trabalho em empresas

    Eu já tive experiência como membro de CIPA. E vou te dizer. O treinamento é bastante precário, o “presidente” da CIPA sempre é uma pessoa indicada pela empresa (nessa hora, dá pra confiar?) e é bastante difícil fazer uma denúncia ou, por menos, chamar a atenção a detalhes que fazem a diferença. Fora aqueles que, paus-mandados que são, chegam a sabotar internamente os trabalhos da Comissão.

    Sobre o desastre de Brumadinho, na foto aérea da barragem rompida, soa óbvio, estúpido e cruel. Seria necessário que o local seguro fosse do lado oposto ao da barrragem e em ponto superior.

    Mas não. Tem gente que estuda engenharia ou direito “apenas” para ser um completo FDP. 

     

  5. A Vale obtém lucro matando

    A Vale obtém lucro matando centenas de pessoas?

    Nenhuma novidade.

    Há séculos os capitalistas erguem seus castelos sobre as montanhas de cadáveres.

    No Brasil eles tem feito isso “com o STF com tudo” (Ministério da Justiça incluído).

  6. O presidente da Boeing sabe

    O presidente da Boeing sabe que a quda de um A380 de 30000 pés provoca a morte dos ocupantes…

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