Washington Post: O novo presidente do Brasil fracassa em sua estreia no exterior

 
Jornal GGN – Jair Bolsonaro e sua atuação em Davos foi objeto de análise do The Washington Post de autoria de Ishaan Tharoor. A análise do repórter especialista em geopolítica não é muito leve para o presidente eleito do Brasil. Intitulada ‘O novo presidente do Brasil fracassa em sua estreia no exterior’, Tharoor afirma que o que parecia ter potencial para excitação, dada a ausência de Trump e outros proeminentes líderes ocidentais, o brasileiro de extrema direita, conhecido por sua retórica ardente e muitas vezes ofensiva, parecia uma das principais atrações.
 
Mas o jornalista avisa que o discurso de Bolsonaro decepcionou, falou pouco mais de 10 minutos, naquilo que os observadores acharam como ‘sem vida’. Como tantos outros que foram a Davos, Bolsonaro disse que seu país está ‘aberto’ para negócios, mas ofereceu pouca informação sobre as reformas, simplesmente invocando a inteligência do ministro da Fazenda, Paulo Guedes, formado na Universidade de Chicago, e elogiou o zelo de sua administração em reduzir o ‘aparato estatal’ e reduzir os impostos.
 
“O discurso bizarro, morno e sem foco de Bolsonaro é um sinal muito preocupante”, disse Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas em São Paulo. “Por que o ministro das finanças, todo-poderoso, não escreveu uma apresentação mais longa, detalhada e adequada? Por que desperdiçar uma oportunidade tão única?”, pontuou o jornalista em sua análise.
 
Bolsonaro sugeriu, diz Tharoor, as partes não ideológias em Davos. Conhecido cético do clima, ele jogou bem com os ambientalistas, insistindo que seu governo iria ‘harmonizar a preservação ambiental com o desenvolvimento econômico muito necessário’. Só que ele não fez segredo de seu desejo de expandir a agroindústria de seu país, expandindo as terras cultiváveis.
 
Lembrou que Jennifer Morgan, diretora do Greenpeace Internacional, declarou ao Guardian que os planos de Bolsonaro – incluindo dar maior controle ao Ministério da Agricultura sobre a floresta tropical do país – são ‘profundamente preocupantes’, dado que a vasta bacia do rio Amazonas abriga ‘os pulmões da terra’.
 
Tharoor diz que Bolsonaro se declarou a favor dos ‘verdadeiros direitos humanos’, o que, nas palavras do presidente brasileiro, significa defender os ‘princípios familiares’ e apor-se ao aborto, tema familiar para ele que é bem conhecido por sua hostilidade a minorias e gêneres. 
 
Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores do Brasil, também ganhou menção no discurso, aponta Tharoor. Lembra que Bolsonaro elogiou-o como uma figura livre de ‘preconceito ideológico’. O jornalista considerou uma frase curiosa para um diplomata mergulhado no pensamento da direita internacional, alguém que prometeu rejeitar o globalismo e uma vez declarou que a mudança climática era uma conspiração marxista.
 
Na análise, Tharoor lembra observação de Brian Winter, da America’s Quartely, que disse que nada deveria surpreender. Winter falou que Bolsonaro sempre este ansioso para travar uma guerra contra a esquerda e muito menos confortável em esbravejar as superficialidades do laissez-faire. ‘Bolsonaro há muito mostra o maior entusiasmo pessoal pela luta contra os ‘comunistas’ (ou seja, esquerdistas) e os criminosos’, explicou Winter, ‘sua conversão à economia ortodoxa é muito mais recente’.
 
Para Tharoor, a conclusão do discurso de Bolsonaro traz sua declaração mais aguda. Ele saudou uma sucessão de recentes vitórias políticas direitistas ou de centro-direita na América Latina e argumentou que essa era a chave para um continente ‘grande e vibrante’. ‘essa era a chave para um continente “grande e vibrante”. ‘A esquerda não prevalecerá nesta região, o que é bom, penso eu, não só para a América do Sul, mas também para o mundo’, disse Bolsonaro, colocando seus oponentes domésticos na mesma linha do regime desastroso na Venezuela.
 
O jornalista disse que especialistas em DAvos alertaram contra essa bravata partidária. “A história da América Latina mostra que essas são declarações muito ousadas”, disse Moîses Naîm, um membro ilustre do Carnegie Endowment for International Peace, sugerindo que um renascimento de esquerda sempre estará próximo. “A América Latina é conhecida por sua política altamente pendular”.
 
Quando confrontado com essa retórica do Today’s WorldView, o presidente da Costa Rica, Carlos Alvarado Quesada, ofereceu uma resposta diplomática. “Precisamos avançar sem consenso compartilhado”, disse o líder de centro-esquerda durante um painel que também contou com os presidentes do Equador e do Paraguai. “Eu também acredito que qualquer extremo não vai beneficiar o mundo”.
 
O pêndulo ainda está na direção de Bolsonaro, pois os investidores estão empolgados com sua administração e a opinião pública no Brasil ainda está firmemente a seu favor, acredita Tharoor. Segundo ele, a popularidade pode ser sentida nas ruas cheias de neve de Davos, quando dezenas de partidários de Bolsonaro fizeram a jornada aos Alpes suíços na esperaça de obter vislumbres de seu novo líder na confusão de seguranças e postos de controle. 
 
Um dos apoiadores, segundo Tharoor, que mora em Lausanne, disse que apoia a ‘onda de mudança’ que Bolsonaro traria e aplaudiu suas promessas de ser duro com a violência das gangues e a corrupção. Mas, mesmo o apoiador ofereceu uma nota de cautela já que um dos filhos de Bolsonaro, Flávio, senador eleito, é agora alvo de uma série de denúncias prejudiciais sobre pagamentos suspeitos feitos por seu motorista, além de ligações com um esquadrão de morte do Rio de Janeiro. ‘Se Bolsonaro não faz seu filho pagar, faça-o sair da po´litica, ele pode perder a credibilidade’, disse o apoiador. 
 
E em outro lugar de Davos, essa é uma commodity que Bolsonaro ainda não conquistou, finalizou Thadoor sobre o quesito credibilidade.
 
 

 

4 comentários

  1. “O novo presidente do Brasil fracassa”

    Resta saber:

    Para qual plimplim canal Mourão dará a primeira entrevista?

    Quanto tempo para Moro jurar amor eterno para o Mourão?

    Dará tempo para entregar a EMBRAER, o que resta do présal, o Banco do Brasil e a Caixa?

    ……………………Declaração à praça: – Não. Não reclame comigo. Eu votei no outro. E não. Não diga que eu não avisei!

     

  2. Discurso tem que ser bonito….vale até lorota

    Há um certo exagero na apreciação desse discurso do Bolsonaro. Claro, há uma má vontade instalada e principalmente por conta das estripulias do filho Flavio que feriu de morte o seu governo mal iniciado. Lula esteve lá em Davos por 3 vezes onde até fez uma das suas famosas metáforas de futebol, falou da fome mundial, etc e não resolveu nada. Dilma esteve lá 1 vez e tambem falou platitudes (lendo, porque de improviso nos exporia ao ridículo). FHC esteve lá em 1998 e mesmo sendo bom de discurso não falou nada além do rame-rame diplomatico. Ninguem mudou o mundo e nem nos resgatou do atraso econômico. Bolsonaro falou generalidades num discurso chocho que não empolgou ninguem. Se Davos servisse para alguma coisa os EUA estariam lá, a França, etc. Ora bola, discurso de político é sempre enganação. Queriam o quê? Um Bolsonaro erudito?

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