16 de novembro em Havana, por Rui Daher

16 de novembro em Havana

por Rui Daher

Entre as maiores frustrações de minha vida está ainda não ter visitado Cuba. Sim, queria ver as ruínas, os carros velhos, negros desdentados morando em cortiços, os enormes cartazes daqueles guerrilheiros, ontem libertadores, hoje ditadores e, entre aquilo e isso, um povo que resiste, há quase seis décadas, uma vida difícil, pertinho das praias da Flórida, a ponto de pegarem um jacaré e chegar a Key West e, mais adiante, caçar outro no Everglades.

É claro que, no final dos anos 1950, aos 14 anos, já sabia dos fatos políticos e revolucionários que lá aconteciam. Assim, por cima. Intelectualmente, aí já no movimento estudantil, só fui iniciado na Revolução Cubana, dez anos depois, por dois livros que me indicou inigualável professor da GV (salve, Birão!), Maurício Tragtenberg (1929-1998).

Os autores: dois norte-americanos, vejam vocês. Paul Sweezy (1910-2004) e Leo Huberman (1903-1968). Os livros: “Cuba, Anatomia de uma Revolução (1960) e “Socialismo em Cuba” (1969), ambos editados pela New York Monthly Review Press, por eles fundada. Lembrete: o grande livro de Huberman é “História da Riqueza do Homem”, já na 21ª edição.

Depois desses dois livros, outros se seguiram, inclusive com as histórias de Fidel e Raul Castro, Che Guevara, Camilo Cienfuegos, a ideia de que se lá não nascesse um rincão de justiça e distribuição social do trabalho, as Américas do Sul e Central, em meio a um capitalismo que nos países hegemônicos caminhava em ciclos cada vez mais perversos, seriam expostas à escravidão por uns poucos privilegiados.

Leia também:  Dia dos pais e os pais do genocídio, por Francisco Celso Calmon

E hoje? Talvez um cabeçudo, o monólito de “2001, uma odisseia no espaço”, do Kubrick”, reencarnação de Trotsky, confesso continuar o mesmo.

Daí este 16 de novembro de 2017, ser um dia de grande felicidade. É aniversário de minha primeira filha, a Mariana. E mais do que isso, sabem aonde ela está? Sim, em Cuba, hoje exatamente em Havana, fazendo turismo e estudando a história da Revolução. O mesmo que fiz, há meio século através dos livros citados.

Não espero grandes e boas notícias. Acompanhamos como é a vida lá e também a de seus inimigos. Conhecidos voltam de lá produzindo bílis ao roçarem suas coxas. Incrível a capacidade de quem, primeiro, aprende a bater em panelas.

Ouço, gargalho, viro de costas, e faço minha bunda requebrar a salsa-rumba, “El Desprecio”.

Parabéns, minha filha, te amo, continue como é, e não se esqueça dos Cohibas, “Los Puros”, do papai. Beijos

https://www.youtube.com/watch?v=ptrX5xXOXzg]

[video:https://www.youtube.com/watch?v=go4sgb_ihu4

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13 comentários

  1. Pois eu estive em Cuba e

    Pois eu estive em Cuba e saindo do Aeroporto me decepcionei. Cadê os Cadilacs 1950? Nada. Só carros modernos. Em Havana velha tem prédios em pessimas condições? Tem. Mas em Ouro Preto também tem e na Italia também. Sem internet? Não. No hotel onde me hospedei a internet funcionava normal. E surpresa? Em Varadero uma gigantesca rede hoteleira e resorts da Espanha, Alemanha e França. Na estrada impecável para Varadero tinha um pedágio.  E o cubano que nos acompanhava nos disse que é a unica estrada cubana que tem pedágio porque é muito usada por estrangeiros então é justo que se cobre uma taxa para passar por ela.

    E os turistas? Encontrei familias do México, Argentina e muitos, muitos europeus. E chineses também. No hotel, fiquei no Meliá, tinha até uma familia americana e isso foi antes da abertura.

    Uma delicia sair a noite em Cuba e dos paises que visitei foi um dos mais interessantes: historicamente encontramos em Cuba a época dos piratas, dos corsários, dos bucaneiros. Depois a época dos hotéis frequentados pelos artistas de Hollywwod e pelos mafiosos e a presença de Hemigway. Por fim a Revolução Cubana. Tão interessante como conhecer a Itália dos romanos, da Igreja Católica e do renascimento.

    Ah! Eu fui acompanhando uma das minhas filhas que foi dar treinamento na indústria química. Na época ela trabalhava numa industria de ponta de fabricação de equipamentos quimicos do Japão. E como os Estados Unidos impuseram o embargo contra Cuba e nem a seccional brasileira nem a americana podiam vender equipamentos e reagentes os japoneses instalaram um escritório em Cuba para furar o bloqueio. Minha filha se mostrou espantada com o complexo químico instalado. Segundo ela vinte vezes maior do que o departamento de química da Unicamp. 

    No jantar de encerramento do treinamento participou o Fidelito, filho mais velho de Fidel e que era ministro da Ciencia e Tecnologia. De antigo só o vestuário dos engenheiros e quimícos.  Mas a presença de muitas mulheres e muitos negros cientistas no jantar modernizaram tudo. 

    De negativo a presença visivel de prostituição, inclusive masculina. E muito malandragem prar tirar dinheiro de turista, mas nada diferente do que se vê em Salvador, em Natal etc. Ah! Eu perguntei para um motorista de táxi se o gays eram perseguidos em Cuba e ele disse: Não, não. Isso aconteceu mas a ministra da saúde que é filha do Raul Castro foi na tv pedir desculpas pela perseguição.

  2. 16….

    Cuba é uma aula de História. Uma ilhota a poucos Kms. dos EUA conhecida no Mundo inteiro. O rato com a força de um elefante. Pena que exista Elefante com o cérebro de um rato. “Tamanho não é documento”, já dizia a sabedoria popular. Não nos iludamos. Cuba não seria Miami. Era mais fácil ser o Haiti. Mas fez parte de uma era, que já é passado. O importante é que os Cubanos já estão projetando e construindo seu futuro. O nosso vai a reboque. Paramos nos anos de 1960. Esta geração no Poder é a geração de Academicismos e Ilusões. Cuba assim como a China ou a Russia está olhando para o ano 3000. Nós pensamos nosso futuro olhando para 1964. E o pior, amarrados a este passado. E o pior ainda, nos comparando a uma ilhota. Pobre país-elefantre, olha o rato e na sua cabeça o rato tem o mesmo tamanho dele, Se for a sãopaulina, parabéns a ela. Se não for, parabéns da mesma forma. Mas lembre-se que ela pode se impressionar com Cuba. E ter a liberdade de sair de lá. Os Cubanaos, não. O quintal dos outros sempre nos parece mais bonito.abs. 

    • Zé Sérgio, meu caro

      Júlia, a filha do meio, é sim, são paulina. A Mariana, como o pai, é Peixe. A primeira teve a sorte de tirar o técnico do Santos, que salvou o tricolor. Quanto a Cuba, concordo com quase todas as suas posições. Logo os cubanos poderão sair de lá. E tenha certeza a maioria voltará. Grande abraço 

      • Zé….

        Caro sr. Rui, desculpe-me corrigí-lo, mas o sr. teve alguns erros graves. NUNCA precisamos ser salvos de nada. Apenas brincamos um campeonato que já não tem concorrentes à nossa altura. A Taça da CEF, conhecida  Taça das Bolinhas deveria se chamar “Hors Concours”. É o que nós somos.  E depois, se o sr. não sabe, pela Academia Mundial da Excepcionalidade, Supremacia  e Soberania no Futebol,  nunca se deve escrever Tricolor com letra minúscula. É um erro imperdoável. abs.

  3. Aqui tiram dinheiro no porrete, não na malandragem

    Usar malandragem para tirar dinheiro de turista iguala os Cubanos aos Brasileiros?

    Por aqui, a malandragem para tirar dinheiro de turista é o porrete.

    Quanto à travessia Cuba-Flórida no dorso de jacarés e mais adiante caçar outro no Everglades, tem que ficar velhaco é prá não ser caçado por uma piton faminta.

    Viva Cuba!

  4. Amo minha Cuba libre

    Ainda ha tempo, Rui ! Se fosse você cancelava todos os comprimissos, pegava um avião e ia fazer uma bela surpresa à filhota. Sei que falar é facil, mas o que é vida, senão nossos sonhos de noites de verão… Felicidades a Mariana.

    • Obrigado por ela, Maria Luisa,

      ainda não voltou, mas transmitirei. Quanto a mim, agora não deu. Quem sabe em 2018, para voltar mais estimulado à batalha que aqui teremos. Se for, prometo muitos relatos para discutirmos.

      Abraços 

  5. cuba
    Vou a cuba com frequencia após fazer amigos através do mais médicos.

    Em termos seu povo e sua gente, a Ilha é o lugar mais parecido com o Brasil que já visitei, tanto do ponto de vista positivo quanto negativo. Vê-se gente de todas as cores; gente alegre com um sorriso no rosto e sempre disposto a trocar uma ideia.
    Por outro lado, fique atento aos preços por que eles sobem quando percebem que vc nao fala espanhol ou fala com sotaque.
    Minha dica: arranje um amigo cubano (não vai ser difícil) para te ajudar a escapar destas armadilhas.

    A vida é difícil sim e falta de tudo, mas vai-se levando. Isto te lembra algum país? Cuba não é definitivamente para amadores. Minha sugestão é não ir visitá-la com turistão, querendo ficar em hoteis 4-5 estrelas, comer em talher de prata, anadar de taxi novo, etc.
    Varadero é legal, mas resort tem em todo lugar. Aproveite e mergulhe na vida ilha, nas músicas, nas danças, nos moritos; veja como as pessoas se viram para sobrever; ande de máquinas (taxis velhos) ou encare os ônibus lotadíssimos, as filas, os mercados, a falta das coisas.

    Perto da embaixada da Antiga União Soviética, no bairro de Praia, tem um pedaço pequeno da costa, onde é possível nadar. Água limpa, não poluída (eu acho) e tranparente. Um alívio paro o calor infernal. Leve equipamento para ver os peixes e cuidados com os ouriços!

    Vá e divirta-se antes que tudo seja comprado por canadenses e europeus e transformado em um simples país do caribe cheio ressorts. Leve-se seu papel higiênico, nao espere usar cartáo de crédito (leve euros) e para agradar, café brasileiro. Os Cubanos adoram!

    • Caro Pedro brasil

      Obrigado pelo seu relato simples, equilibrado e objetivo. Segundo a Mariana me conta (ainda não voltou), suas impressões são muito oarecidas com as delas. Quando eu conseguir ir, seguirei seus conselhos. Abraços

  6. + comentários

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