A burrice nacional fotografada, por Rui Daher

Fixado na foto, saio por uns minutos das margens do rio Hudson, e dramatizo: Deuses vários, de todos, e um pouco meus, “eles são assim”?

A burrice nacional fotografada

por Rui Daher

Por desconhecer a repercussão da série “A Burrice Nacional”, no BRD, Blog do Rui Daher, pretendia interromper a trilha, e aproveitar para finalizar a leitura de “Sombras sobre o rio Hudson”, do prêmio Nobel, Isaac Bashevis Singer (Companhia das Letras, 1999, na versão em português). Neste recolhimento doméstico e domesticado tenho apenas me dedicado a releituras.

O autor polonês (1904-1991) retrata com ferocidade o clima pesado de Nova York com a chegada na cidade das famílias que vinham do Holocausto. Trata-se de um livro tão fascinante quanto o “Dominó de Botequim”. Uai, por que estão rindo?

Mas eis que quando, senão, enquanto e tampouco a equipe me traz a foto tirada do Intercept Brasil que não cita a fonte. Imagino o motivo: o fotógrafo pegou uma certa “gripezinha”.

Fixado na foto, saio por uns minutos das margens do rio Hudson, e dramatizo: Deuses vários, de todos, e um pouco meus, “eles são assim”?

Posso estar pedindo muito aos meus leitores, mas percam alguns minutos interessantes de suas vidas, que tenho certeza longas. Fixem-se nessas faces. Indicariam a eles Isaac, Philip Roth, Machado, Chico, Caetano, Gil ou Milton, Tarsila, os Guarnieri, Boal?

O que? Pela minha idade, sou um saudosista? Tá! Tentem Emicida, Mano Brown, Hatoum, Kobra, o grafiteiro, a meninada do humor, Zeca Baleiro e Chico César, respectivamente:

“Escória, escória, nem fodendo vocês vão conseguir entrar pra História/Vou lhes dizer o que é política/O vagão do lixo passa/E o trem da História fica”.

“Cães danados do fascismo/Babam e arreganham os dentes/Sai do ovo da serpente/Fruto podre do cinismo/Para oprimir as gentes/Nos manter no escravismo/Pra nos empurrar no abismo/E nos triturar com os dentes”.

Bem, não preciso dizer que a foto me fez continuar com a série. Mas digo e peço, novamente, que olhem as expressões faciais e corporais dos que se encontram na foto. Dá pena, né?

Nossa! Prato cheio, não fosse o temor de mais processos, inclusive prejudicando o GGN. Gostaria de descrever perfil e índole de cada um na foto. Não o farei, mas creio todos podem intuir.

Mas é aí que quero chegar. Lembram-se de Jesualdo, Geromel e Heinrich, meus três amigos tornados bolsonaristas por antipetismo, né?

Pois é, apenas generalizei e não é que todos vestiram a carapuça e caíram na isca? Burros mesmos! Se confessos bolsonaristas, melhor.

Um me diz, “como autor [Zeca Baleiro] de letras [sic] tão lindas pode compor algo como isso? Tenho nojo”. Outra, médica doutora no interior paulistano diz “Ia começar a ler seu texto, mas quando vi que que era sobre o emburrecimento do Brasil, parei”. Com certeza, é inteligentíssima.

Mais um: “aonde você quer chegar, apenas petistas são inteligentes?”

Não, estimado bolsominion, para a prefeitura de São Paulo sou Boulos e Erundina (PSOL). E você, querido, vai de Russomano ou Datena. Seja feliz, provável delegado de polícia.

Para a pandemia do novo coronavírus tenho certeza, mais do que esperança, logo haverá vacina. Assim é a concorrência capitalista que irá nos imunizar. Depois, não sei se poderemos contar sempre com a vitória das ciências e tecnologias.

Depois, é com vocês, jovens pensantes. Já terei ido. O falecido e excepcional Sérgio Ricardo, cantava “Esse mundo é meu”. Não mais. É de vocês. Inté e boa sorte! Que assim mal dividido esse mundo anda errado.

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