A fantasia sendo apenas o disfarce perfeito para cada manchete de jornal, por Maíra Vasconcelos

Talvez, ficção e realidade não se separem e dividam o mesmo tempo exatamente com igual necessidade de estar presente.

Ilustração MinibiblioteCaldas

A fantasia sendo apenas o disfarce perfeito para cada manchete de jornal

por Maíra Vasconcelos

*para escutar leitura da a-crónica:

Hoje, ao ler os jornais, percebi a necessidade humana pela fantasia. Como se ler ficção fosse tão fundamental como ter uma casa. A fantasia sendo esse lugar onde se aloja a esperança pela beleza. E os jornais onde jamais moraria. Ouvi dizer que não se deve adentrar em cheio às realidades. Estar tão próximo aos fatos cotidianos, notem, é a todos insuportável. Porque fora da fantasia talvez esteja tudo um pouco arruinado demais, como nas notícias de jornal. Como as notícias de amanhã. Lembram? E a fantasia sendo apenas o disfarce perfeito para cada manchete, todos os dias.

Talvez, ficção e realidade não se separem e dividam o mesmo tempo exatamente com igual necessidade de estar presente. Qual tempo? Ouvi dizer que não se deve adentrar em cheio às realidades. Estar, mas não como se a realidade fosse a única presença dos dias. Não é. Além do mais, isso seria um horror: viver carregada de notícias de jornal. E até seria possível, se não necessitássemos tanto a fantasia. Se a literatura não existisse e ninguém nunca tivesse recorrido a uma novela, a um romance ou a um poema: a esses pedaços da vida contada com beleza. Afinal, o que importa, realmente, é o desvio constante do cotidiano transformado em potência de vida.

 

Ah. Ninguém ama os fatos, simplesmente os tolera ou os ignora. Mas, cuidado, ignorar sempre pode gerar ignorância. Por exemplo, o país que vive esquecido de si mesmo e dos seus mortos, virou até manchete de jornal. E hoje, ao ler nos jornais o desfalecimento ético de um país, entendi soberanamente a necessidade humana pela fantasia. Ouvi dizer que isso é uma questão de beleza.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Leia também:  Que fazer? Parte 3, por Rui Daher