A Grande Mentira, por Rui Daher

Resumo: um ricaço atropela uma moça pobre e por ela se apaixona. Enfrenta todos os preconceitos da época, até hoje prevalentes no Brasil. Não disse que poderia ser eterna?

A Grande Mentira

por Rui Daher

“A Grande Mentira” foi a mais longa novela apresentada pela TV Globo em sua história ((341 capítulos, período 1968/69). Nela representavam Cláudio Marzo, Myriam Pérsia, Neuza Amaral, Ednei Giovanazzi, outros.

Na verdade, no Brasil econômico, social e político ela nunca acabou e “será eterna enquanto dure”. La grande bugia. Se em espanhol, talvez, o mesmo texto com andar em bolero ou tango.

Resumo: um ricaço atropela uma moça pobre e por ela se apaixona. Enfrenta todos os preconceitos da época, até hoje prevalentes no Brasil. Não disse que poderia ser eterna?

Se pouco me interesso por telenovelas, imaginem em 1968, quando o pau ditador comia o rabo da democracia brasileira. As ilações sociais e cruéis da riqueza nacional já me eram conhecidas e combatidas.

O título da novela, no entanto, não deixa de ser verdadeiro para aquela época e sugestivo para a atual.

A do passado é contada em milhares de confissões e admissões dos seus atores, e em relatos, documentos, livros, músicas, peças teatrais, filmes, e depoimentos testemunhais.

Visões reais acontecidas próximas de nós. De mortes, prisões, torturas, sumiços de amigos, amigas e crianças, lembro. Dos massacres a inocentes opositores, que optaram pela luta armada e, mais tarde, como eu, fomos ser “Odara”, em consonância com o mundo, visionário de que poderíamos viver sem tanta desigualdade.

Em 1968, seria Cohn-Bendit o Piketty de hoje?

É deslavada mentira que, além, de nada terem feito para impedir o genocídio que a Covid-19 traria ao Brasil, país pobre e sanitariamente desestruturado, sem aparelhos de saúde prontos para emergências, o governo inatual, pois surgido de estruturação política que se aproveitou do analfabetismo e truques digitais, hoje em dia, não está ajudando pessoas pobres e pequenas e médias empresas.

Antes de, tardiamente, trocarem gripezinha por calamidade pública, o que fizeram para reajustar o salário mínimo, apoiar os programas sociais, garantir os direitos trabalhistas, executar políticas de meio ambiente e relações exteriores ou, não resisto a galhofa, o aparvalhado astronauta no ministério de Ciência e Tecnologia?

Sei de ter muito mais. Deixo a vocês. Não quero exclusividade em minhas gargalhadas. O governo de RIP, o Regente Insano Primeiro, é simulacro de Malafaia ou construção exclusiva, exemplo para as futuras gerações, que se masturbam em lutas marciais e estandes de tiros?

Puta bobões! Ainda não desconfiaram na primeira refrega, diante do pequenino, Zé Vicente Souza, 12, que deu um jeito de ouvir e entender Emicida ou Mano Brown, tomou-lhe a arma e o aniquilou com dois tiros na testa?

Bem-feito? Não sei. Depois, provável, Zé Vicente será justiçado pelas milícias brancas. Restará às suas famílias ouvirem Chico, João Bosco, Aldir Blanc. Então, terá sua história bem contada.

Devo voltar às ajudas de governo, BNDES, bancos públicos e privados?

Tudo começou assim, depois que viram que a gripezinha era pandemia pra mais de cem mil óbitos:

O Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (PRONAMPE) é um programa de governo federal destinado ao desenvolvimento das microempresas e empresas de pequeno porte, instituído pela Lei nº 13.999, de 18 de maio de 2020. Veja quais as principais características do Programa:

  • O Programa é destinado às microempresas, empresas de Pequeno Porte, que trata a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.
  • As operações de crédito poderão ser utilizadas para investimentos e capital de giro isolado ou associado ao investimento. Isso significa que as micro e pequenas empresas poderão usar os recursos obtidos para realizar investimentos (adquirir máquinas e equipamentos, realizar reformas) e/ou para despesas operacionais (salário dos funcionários, pagamento de contas como água, luz, aluguel, compra de matérias primas, mercadorias, entre outras).
  • O prazo máximo de pagamento das operações contratadas no âmbito do PRONAMPE é de 36 meses.
  • As instituições financeiras que aderirem ao PRONAMPE poderão requerer a garantia do Fundo Garantidor de Operação – FGO, regido pela lei 12.087 de 2009 e administrado pelo Banco do Brasil, em até 100% (cem por cento) do valor da operação.

Há três meses o Capitão assinou isso. Desde então, folhas e telas cotidianas dividem-se. Governo e bancos dizem ter cedido bilhões ao programa. De outro lado, infelizes empreendedores dizem não ter recebido nada.

Empresas que assessoro e indico a boa estrutura da ajuda, peleiam, como bem dizem os sulinos, e dizem não conseguir nem a raspa de seus espetos. Gerentes de agência não têm mais o que nos dizer.

No indômito jornal “Valor” de hoje, sucursal de “O Globo”, em São Paulo, a manchete de capa ‘vista assim do alto’ é: “Bancos públicos se retraem e setor privado financia a crise”. E lá vêm os bilhões de Bradesco, Itaú-Unibanco, Santander, em prorrogações. Renegociações de contratos a juros mais altos. Dinheiro novo, muito, mas cedido às grandes corporações, já que o rabo aperta quando não há garantias.

Porra nenhuma. Conversem com os gerentes de agência desses bancos e constatem o que é verdade e mentira.

Continuarei no mesmo tema, mas sobre agronegócio, em CartaCapital. Só quem me aguenta. Inté!

 

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