A pior pandemia não é a Covid-19, por Izaías Almada

Será que a inteligência artificial conseguirá vencer a natural estupidez humana? Tenho cá minhas dúvidas. Sérias dúvidas, aliás...

A pior pandemia não é a Covid-19

por Izaías Almada

O novo capitalismo, marotamente apelidado de neoliberalismo econômico, é cada vez mais dono das conquistas cibernéticas e aliado ao estamento mais ignorante do fundamentalismo religioso. Nessa condição de “propagador dos ideais clássicos do liberalismo econômico”, tenta criar um novo mundo onde a ciência e a religião, tantas vezes em confronto, deixem de lado suas diferenças e procurem forças para um fraternal abraço entre Jesus Cristo e Albert Einstein.

Essa comparação, esdrúxula em princípio, bota o dedo na ferida do mundo atual e expõe as vísceras de um modelo econômico que de tudo fará para não perder as rédeas do poder não só econômico, mas também o político mundo afora, mesmo correndo o risco de um desfecho apocalíptico.

Tudo é possível ou tudo vale a pena quando a alma não é pequena, já dizia o poeta. Mas e se a alma for pequena?

Quando a humanidade passou da Idade Média para a Idade Moderna, com grandes descobertas e invenções entre os séculos XV e XVII, como a imprensa, o telescópio, o barco a vapor, o heliocentrismo de Galileu, as grandes descobertas marítimas, a reforma protestante, é perfeitamente imaginável a grande confusão que se deu em muitas cabeças ao se debaterem entre o avanço de novas ideias e o conservadorismo tão caro a quinze séculos de cristianismo.

Penso que o mesmo se dá hoje quando o homem contemporâneo se vê diante da perspectiva de adorar a dois senhores: ao Deus tradicional ou o deus dinheiro. Pois é disso que se trata agora, quando um vírus coloca a humanidade contra a parede.

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“Só Deus pode nos salvar da pandemia”, dizem uns. “A tecnologia de ponta na área da cibernética reduzirá tempos e distâncias no conhecimento humano capaz de nos salvar de processos desconhecidos”, imaginam outros.

Contudo, salvo prova em contrário, o dia continua a ter 24 horas; as quatro estações continuam as mesmas, apesar de algumas surpresas climáticas; os rios continuam a desaguar nos mares; sem o óvulo e o esperma, o ser humano deixa de existir, sem oxigênio não sobrevivemos.

Será que a inteligência artificial conseguirá vencer a natural estupidez humana? Tenho cá minhas dúvidas. Sérias dúvidas, aliás… O chamado progresso da humanidade nos últimos 400 anos tem aumentado o número de miseráveis em todo planeta com o crescimento descontrolado da população mundial.

Entre outras obrigações, há que alimentar, vestir, educar, empregar e cuidar da saúde de uma população que caminha para dez bilhões de pessoas para um futuro próximo.

Enquanto isso, algumas publicações insistem em dar números aos bois e de vez em quando apresentam as estatísticas dos possuidores da maior riqueza individual nos dias que correm, deixando a classe média mundial babando de inveja e aumentando consideravelmente a procura de psicólogos, psicanalistas e psiquiatras.

Nesse balaio de gatos, nesse salve-se quem puder, a justiça e as leis de convivência social começam cada vez mais a bater cabeças. Se o amigo leitor puder, assista na Netflix ao filme “Os 7 de Chicago” (trailer abaixo) e veja como a justiça se faz no “paraíso democrático” norte americano.

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A pior pandemia não vem da natureza.

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