“A terceira viagem”, por Rui Daher

“A terceira viagem”, por Rui Daher

“Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga e a avenida São João.
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas”.

Havia algum tempo em que o Conselho Consultivo Celestial do Dominó de Botequim não baixava aqui na Redação do BRD. Mas 31 de março, né, o Cão logo nos enviou seus emissários.

Deixei passar o 1º de abril para dar espaço a Messias e Braga Netto, mentiras de 57 anos atrás, anos de chumbo, inocente elemento químico da tabela periódica, menos letal do que o governo (?) atual.

Fatal! Como antecipados têm sido os feriados, este um dia após o que se tornou o primeiro de abril, Dia da Mentira, evidente em nossas deslavadas caras pelas palavras do General Braga, neto-sobrinho, antes fosse, do genial compositor Braguinha (1907-2006).

Não o é, por mérito do compositor, conhecido pelas mais de 400 músicas gravadas, como Chiquita Banana, Touradas em Madri, Turma do Funil (eu?), muitas outras.

Não, o Braga de hoje em dia, louva como democrático foi o golpe civil-militar de 1964, apesar de afrontar Constituição e Estado Democrático de Direito.

Por defesa própria, fui obrigado a chamar a equipe da Redação para cá.   

Não invoquei o Conselho diante de tal azaração aqui na Terra. Como eu, duvido que saibam se vírus e verme não comprometerão sanidade de nossos ilustres membros, Darcy Ribeiro, Ariano Suassuna, Dr. Walther, Luiz Melodia, Alfredinho Bip-Bip, Beth Carvalho e Diego Maradona, ainda que protegidos na Estação Céu.

Protejo-os, embora desnecessário por lembrar-me das “ações evangélicas atuais”, medidas em dízimos. Até porque todos me garantiram, em breve, eu estar aos seus lados e não nas estações Purgatório ou Inferno, o que acho justo.

Semana complicada no Brasil. A massificação televisa nos informa. Seguindo recomendações da esperta autoridade que me processa, por texto opinativo e político, optei por permanecer entre minha casa e, no limite, até a Redação, próxima. Bate-voltas à fábrica e ao campo plantador me foram proibidas. Merda!

Em nome da cultura cabocla, campesina, sertaneja e ruralista, protesto. Querem comer ou não?  

Diante de meu pedido, Nestor, Pestana e Keveraldo (NPK, exclusivos no Facebook) compareceram hoje pedalando à Redação, por saudade ou saber a adega ainda bem estocada.

– O Conselho me chama. O que faço eu?

– Não podes arrepiar, diz Keveraldo, o MACISTE segurança, agora promovido a redator.

Respondo:

– Estou mal, deprimido, sem paciência, não quero cobranças políticas. Fiz tudo o que precisava ser feito. Desisto. Temo não corresponder aos anseios do Brasil. Parecem não entender porra nenhuma.

– Bichona!

– Nestor, TNC! Assuma você a Redação, então. Não vê os movimentos estratégicos do Regente Insano Primeiro (RIP)? Militares concubinas nas FFAA, já substituídos, e logo mais o mesmo acontecerá com os mais dignos ministros do STF.

Concessões ao Centrão, certa Arruda ministra “experiente” (primeiro mandato na Câmara), filha de José Roberto Arruda, quem fez merda em Brasília. Não temes?

– Cago! Nosso país já passou por vários imbecis e sobreviveu. Cuidemos do vírus, o verme acabará antes dele. Ninguém no planeta pesquisa uma vacina ou remédio contra terraplanistas e negacionistas. São nada! Pare de se deprimir com um merda forjado por ignorância dos 30%, que você nem sabe quem são ou conhece seus argumentos.

– Acha, então, Nestor, com a aquiescência de Pestana e Keveraldo (NPK, by Mark Zuckerberg), que devo ouvir o que me diz o Conselho?

– Imediatamente. É sobre o vice-presidente, General Hamilton Mourão. São sábios os membros de nosso Conselho Consultivo Celestial.

– Tá, mas antes consultarei o português Serafim, nosso fundador.

Inté! Podemos pedir bandeira branca ou entramos no Centrão do insano? Pode dar algum dinheiro. Sempre bem-vindo.

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