Ainda não está proibido sonhar, por Izaías Almada

Para não ficarmos num diálogo de surdos ou mesmo paranoicos, elejamos os dois principais e óbvios suportes no momento para sabermos sobre o que estamos falando: a economia e o coronavírus.

Ainda não está proibido sonhar

por Izaías Almada

Comecemos por enunciar um lugar comum: 

A partir do ano de 2020 o mundo não será mais o mesmo.

Em seguida façamos cada um de nós uma pergunta para orientar nossas próprias reflexões e para a reflexão de nossos amigos ou mesmo para aqueles a quem desconhecemos: 

Como será o mundo, então, daqui para frente?

Para não ficarmos num diálogo de surdos ou mesmo paranoicos, elejamos os dois principais e óbvios suportes no momento para sabermos sobre o que estamos falando: a economia e o coronavírus.

Em outras palavras: até onde irá a pandemia virótica e como reagirá a economia capitalista diante do quadro de investimentos necessários para conter a pandemia e a própria crise econômica anunciada. 

E, se tudo correr nos conformes minimamente otimistas de conter os efeitos negativos do Covid-19 no prazo de seis meses a um ano, o que esperar da “nova” economia?

Arrisco dizer: o pior cenário possível. 

Sobretudo agora quando as notícias dizem aumentar os números de pessoas infectadas nos Estados Unidos e mesmo aqui no Brasil. Teria o tiro saído pela culatra na preparação de uma eventual guerra química?

O leitor poderá conferir o que diz um dos maiores economistas da atualidade que previu a crise de 2008, quando muitos não acreditavam nela. Seu nome é Nouriel Roubini, professor de economia na Stern School of Business da Universidade de Nova York: 

A menos que a pandemia seja interrompida, as economias e os mercados ao redor do mundo continuarão em queda livre. Mas, mesmo que a pandemia esteja mais ou menos contida, o crescimento geral ainda não retornará até o final de 2020. Afinal, até então, é provável que outra temporada de vírus comece com novas mutações; intervenções terapêuticas com as quais muitos estão contando podem se mostrar menos eficazes do que se esperava. Assim, as economias se contrairão novamente e os mercados cairão novamente”.

O professor Roubini aponta a possibilidade de manipulações em relação às próximas eleições presidenciais norte americanas provocadas por eventuais ataques cibernéticos partindo da Rússia, da China, Irã e Coreia do Norte. O que já aconteceu na eleição de Trump em 2016. E acrescenta: 

“Da mesma forma, como argumentei anteriormente, os mercados estão subestimando enormemente o risco de uma guerra entre os EUA e o Irã este ano; a deterioração das relações sino-americanas está se acelerando, pois cada lado culpa o outro pela escala da pandemia do COVID-19. É provável que a atual crise acelere a balcanização e o desenrolar da economia global nos próximos meses e anos (…) Após o crash de 2008, uma resposta forte (embora atrasada) afastou a economia global do abismo. Podemos não ter tanta sorte desta vez”.

Se o que está acontecendo ao redor do mundo já não é pouco, imaginem se ainda por cima não tivermos sorte na resolução rápida dos principais problemas.

Tomemos agora o caso brasileiro.

Com aquele que já se pode considerar, com certeza, o pior governo republicano da nossa história, formado em sua maioria por mentecaptos e incompetentes, o Brasil está à beira de uma crise de nervos e até, o que seria uma surpresa na nossa história política, uma convulsão social de proporções desconhecidas.

Mas porque desconhecidas? Porque o Brasil republicano só conseguiu sair de algumas situações políticas mais delicadas com inflexões à direita: O Estado Novo, o Golpe Civil/Militar de 1964 e o AI-5 como seu corolário e mais recentemente o golpe de 2016.

Uma revolta popular de grandes proporções, vincada em sentimentos de verdadeira independência, em solidariedade e justiça social? 

Não, não… Isso ainda não aconteceu por aqui, como se deu em outros países. Medo? Alienação? Desconhecimento da História? O chamado Complexo de Vira-Lata? Um pouquinho de cada coisa?

Nesses dias de isolamento e quarentena, acompanhando o noticiário pela internet, sinto – por vezes – um cheirinho de Revolução Francesa no ar. Daquela mesma, do ano de 1789, como nos conta a História.

Não custa sonhar, enquanto aguardamos o final da pandemia e a possibilidade do povo sair às ruas com determinação e coragem. Desta vez para mudar de inflexão, de mudar para valer.

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3 comentários

  1. Nunca páre de sonhar
    (Gonzaguinha)

    Ontem um menino que brincava me falou
    Hoje é semente do amanhã
    Para não ter medo que este tempo vai passar
    Não se desespere e nem pare de sonhar
    Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
    Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
    Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
    Nós podemos tudo, nós podemos mais
    Vamos lá fazer o que será

  2. Perto do fogo
    (Cazuza)

    Perto do fogo
    Como faziam os hippies
    Perto do fogo
    Como na idade média
    Eu quero queimar minha erva
    Eu quero estar perto do fogo,
    fogo, fogo, fogo, fogo

    Perto do fogo
    Quando tudo explodir
    É, mas não vai explodir nada
    Os homens vão ficar se olhando
    E dizendo: ‘O momento está chegando’

    Perto do fogo, Meu Amor’, ai, ai,
    Meu Amor, ai, ai, Meu Amor
    Tava aqui pensando… pensando…
    No ano dois mil e vinte eu vou ter o quê?
    Setenta e dois, setenta e três anos?

    Vai ser tudo IGUAL, tudo IGUAL
    Perto do fogo, eu queria ficar
    Perto do fogo
    No umbigo do furação
    E no peito um gavião

    No coração da cidade
    Defendendo a liberdade
    Eu quero ser uma flor
    Nos teus cabelos de fogo
    Quero estar no poder
    Eu quero estar perto do fogo,
    Fogo, fogo, fogo, fogo

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