Amigos distantes pelo vírus e pelo verme, por Rui Daher

A todos culpo pela falta de vacinas contra a Covod-19, assassinos de 400 mil vidas. Vistam as carapuças.

Amigos distantes pelo vírus e pelo verme, por Rui Daher

Dos primeiros, vivo com saudade. Gostaria de reencontrá-los o mais breve possível. Sei que também querem retornar ao convívio, mesmo os que divergiram de minha opção política nas eleições de 2018, votaram no mito, mas que reformularam, tenho certeza. Souberam se arrepender de escolhas, como arrependi de algumas minhas.

Muitos me ajudaram nos períodos difíceis. Creio, também tê-los ajudado, (“Eu avisei”) mesmo sem poder, tampouco peço gratidão ou sinto prazer. Vitualmente, destes, pouco nos distanciamos.

Aos renitentes, parceiros até hoje do verme, sugiro anti-helmínticos e que sumam de mim, em borbulhante champanhe, que inclua boa dose de ivermectina e esgotem o estoque de cloroquina, desejando *boa malária a todos”.

A todos culpo pela falta de vacinas contra a Covod-19, assassinos de 400 mil vidas. Vistam as carapuças.

Sinto pelos esforçados mímicos de surdos-mudos, que ajudam a “Pátria Amada Brasil” a ser ainda mais corrupto e imbecil. Intrigo-me. O que pensarão eles além de suas profissões?

Escrevo na sexta-feira, 30 de abril, que de forma curiosa antecipa o 1º de Maio, Dia do Trabalhador, no Brasil e em outras partes do mundo.

Lembro de um Primo Maggio, em Nápoles, 1970, anos de chumbo no Brasil, eu e Cléo, decidindo voltar ou não ao Brasil, presos na Questura (delegacia).

Simpáticos, “I Carabinieri”, nos perguntam:

– Cosa hanno fatto nel mezzo della manifestazione?

– Per favore, dottore, siamo turisti. Andiamo in albergo a piedi.

– E questa bandeira rossa com te?

– Dottore, non so perché. Tifo la Roma.

– Bene, vai diretamente in albergo. Lascia la bandiera. Sono la Fiorentina.

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Nesta São Paulo, pouco vacinada, são três horas da madrugada e sei que só a mim poderei incomodar. Não conseguia dormir.

Este herói chegou da fábrica, em Piedade (SP), onde almoçou em Sorocaba, bar e restaurante de amigo argentino, cronista, reproduzido na rádio USP, há poucas semanas, fazendo loas, que comungo, a Dom Diego Armando Maradona, o insuperável, pois honrou jogo de bola, posições políticas, e deu um beijo na testa de Pelé.

Sempre que chego ao estabelecimento, o ínclito governador, que faz sofrer os comerciantes, sem saber a proteção que lá recebemos, permite me permite encontrar Claudio Alejandro, há 18 anos no Brasil.

Invariável praticarmos a senha: Eu, da porta: “Sin perder la ternura!”. Cláudio, da mesa onde almoça com sua esposa, devolve: “Jamás!”

Assim nos entendemos, e lá vamos, atendidos pelo garçom Dr. Guilherme, às empanadas, parrilhas, bons tintos.

Impossível saber as cores das paredes, tantos são os ícones portenhos já incrustrados. Times e futebolistas, Gardel, Evita e Juan Péron, Quino, cartazes das cervejas Quilmes (soube ter sido vendida) e Imperial, do Independiente, preferência de Cláudio, enquanto o San Lorenzo é do Papa Francisco. Torço pelos dois. Em ambos reconheço ideais sociais. Como Dom Diego, Cláudio e Francisco entenderam o bloqueio de Cuba. 

No deseo la muerte a nadie, solo a los que quieren destruir un país.

https://www.facebook.com/CartaCapital/posts/4287821141239267

No link acima, encontram o que escrevi para o site de CartaCapital nesta semana. Como tudo, e em qualquer espaço digital não remunerado, seu tempo de exposição é escasso. Para repassar o link a vocês tive que recorrer ao Google. Penso lá, meus editores, terem considerado desimportante.

Lá, prometera vir ao GGN, para complementar a infâmia que é a permanência de Ricardo Salles, como ministro do Meio Ambiente. Por sinal, capa da edição desta semana na impressa.

Da morte:

https://www.cnnbrasil.com.br/politica/2021/04/26/ex-ministro-eduardo-pazuello-e-flagrado-sem-mascara-em-shopping-de-manaus

“Onde vou comprar uma máscara dessas, mesmo”? Estivesse no shopping responderia: “na puta que o pariu”. Duas senhoras o acudiram. Aquele negócio de que Deus nos fez bonzinhos.

O outro, Ricardo Salles, também estúpido, bacana dos guetos dos jardins paulistanos, insiste em fazer “passar a boiada?” Para o quê? Pisotear o estrume que ele é?

Cito matéria da excelente Daniela Chuaretti, Valor (07/04/2021), que mostra o Brasil aproveitar apenas 0,2% dos produtos da Amazônia, estimado um mercado de US$ 200 bilhões.

Apenas 64 produtos mensurados. Há muito mais. Governo competente houvesse. Imazon, PUC/RJ, Climate Policy Iniciative, trabalham para quantificar potencial e qualificar necessidade dos produtos da floresta junto ao mundo.

Muito provável, as grandes hegemonias econômicas já o saberem. E “Passa a Boiada” quer vende-la sem nem mesmo saber o que está vendendo.

https://www.facebook.com/CartaCapital/posts/4287821141239267

Inté! Aqui voltarei com as mesmas mágoas. Ou não.

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