Bolsa de mulher, por Janderson Lacerda

No primeiro encontro surpreendi-me quando ela retirou de sua bolsa um hacker que conseguiu explicar-me como obteve acesso às mensagens ilícitas de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol.

Bolsa de mulher, por Janderson Lacerda

Ao contrário da música cantada por Martinho da Vila, mulheres, eu nunca tive tantos relacionamentos. Entretanto, algo que sempre observei nas mulheres que passaram por minha vida é que todas – sem exceções – utilizavam bolsas. Bolsas de couro, crochê, tecido, plástico, jeans; bolsas de grife e sem grife. Nada surpreendente até o momento é verdade! A questão não é possuir bolsas, mas sim o que essas mulheres guardavam nestes acessórios.

Lembro-me de uma ocasião em que estava em uma festa com Antônia e ela sacou de sua bolsa uma caixa de ferramentas e ofereceu “a minha ajuda” para que fossem realizados alguns reparos na decoração.

No cinema, certa vez, Ângela tirou da bolsa uma mamadeira com leite morno e ofereceu a uma criança que chorava ao nosso lado – detalhe, ela não tinha filhos. Nas manifestações de junho de 2013, Roberta tirou um pixuleco de três metros de altura de sua bolsa Louis Vuitton. Indignado, decidi terminar o curto relacionamento. Robertinha, como gostava de ser chamada, não aceitou o término da relação e sacou da mesma bolsa uma panela de Aço Inox Tramontina de cabo curto e golpeou minha cabeça. Ensanguentado, fui atendido por uma doce médica e após pontos e prosas marcamos um encontro. No restaurante, antes de iniciarmos uma troca de olhares apaixonados, seu celular tocou e ela tirou de sua bolsa um estetoscópio, um jaleco branco, uma maca dobrável, dois técnicos de enfermagem e partiu sem despedir-se.

Leia também:  Recife, Frevo nº 1. Antídoto à desesperança. #ForaMedo, por Rui Daher

Desiludido, conheci dias depois Joana: mulher forte e de esquerda. No primeiro encontro surpreendi-me quando ela retirou de sua bolsa um hacker que conseguiu explicar-me como obteve acesso às mensagens ilícitas de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol. Apaixonei-me à primeira vista, mas, infelizmente, Joana desapareceu sem deixar uma pista sequer.

Por último, encontrei Sueli que aparentava ser uma pessoa interessante, além de belíssima, claro! Envolvemo-nos e em nossa primeira noite de amor, notei que sua bolsa tremia de acordo com os movimentos mais bruscos que fazíamos. Afoito, levantei-me e berrei: “há um rato na sua bolsa, Sueli”!

Irritada, a mulher levantou-se e retirou de dentro da bolsa alaranjada vintage, Fabrício Queiroz. Horrorizado, abandonei o quarto sob protestos de Sueli e Queiroz.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora