Boneco de ventríloquo, por Janderson Lacerda

E quando ele diz “e daí?” ou “não sou coveiro”, ao referir-se à pandemia, é possível ouvir, ao fundo, as vozes de “Skafs” e “Lemanns” e de outros ventríloquos do capital.

Boneco de ventríloquo

por Janderson Lacerda

Acho bastante curioso o fetiche que a burguesia e a classe média brasileira têm por bonecos. Fossem, ainda, bonecas e bonecos infláveis comercializados por “sex shop”, tudo bem! Mas, não se trata disso! A propósito, tanto as elites, como a classe média são muita moralistas para adquirir produtos eróticos, ao menos à luz do dia – Nelson Rodrigues explica! Mas, fato é que os bonecos são utilizados com frequência pelos detentores do poder econômico brasileiro, e por aqueles que sonham em desfrutar o gozo da dominação como a classe média… Isso ficou evidente, por exemplo, com o Pixuleco, boneco criado para retratar o ex-presidente Lula em manifestações contra “corrupção”. A presidenta Dilma Rousseff também foi alvo com um boneco chamado “Bandilma”. Já os patos de borrachas da FIESP não podem ser enquadrados na categoria bonecos por motivos óbvios, mas não dá para dizer que não foram inspirados nos mesmos. Afinal, o “quá-quá” de Paulo Skaf (presidente da FIESP) tinha o mesmo propósito: a luta contra a “injustiça e corrupção” dos outros, claro! E por falar em justiça é óbvio que precisamos lembrar-nos do boneco Super-Moro, criado em homenagem ao ex-juiz e ministro Sérgio Moro. Com perdão do trocadilho: o boneco foi esvaziado rapidamente pela vaza jato e desapareceu. Triste fim do herói inflado pela República de Curitiba.

Agora, ao que me parece, vivemos na era do boneco de ventríloquo e, particularmente, eu adorava as apresentações com esses bonecos quando era criança. Podia jurar que o boneco é quem realmente falava. Mas, na verdade, não era! Trata-se de uma técnica chamada ventriloquia que é a arte de projetar a voz, sem que se abra a boca ou se mova os lábios, a fim de parecer que o som venha de outra fonte, diferente da pessoa que fala. Bolsonaro hoje é o boneco de ventríloquo da burguesia. Sei que muita gente deve acreditar que as ideias são do “excrementíssimo” presidente, mas na realidade o capitão que ocupa o Palácio da Alvorada, não é capaz e, tampouco, pode pensar sozinho. A elite econômica, satisfeita com seu governo, é quem pensa o “show”. Essa mesma burguesia emprestou a voz aos militares que governaram o país através da ditadura que se arrastou por duas décadas, depois para Sarney, que ofereceu o cargo de diretor das Loterias da Caixa Econômica Federal para Aécio Neves, na época com 25 anos, e é assim até hoje!

Bolsonaro nada mais é do que um boneco nas mãos das elites. E quando ele diz “e daí?” ou “não sou coveiro”, ao referir-se à pandemia, é possível ouvir, ao fundo, as vozes de “Skafs” e “Lemanns” e de outros ventríloquos do capital.

“O agro é pop, tá ok”!?

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