‘Bora’: esperar não é saber, por Izaías Almada

O que fazer? Como aproveitar o confinamento social para melhor refletirmos sobre os problemas atuais e os futuros?

‘Bora’: esperar não é saber

por Izaías Almada

Tudo parece indicar que o Brasil chegou ao fundo do poço. Do acobertamento ao crime organizado ao estelionato religioso. Da falta de decoro à covardia institucional. Da quebra da soberania à submissão cultural. Da esperança secular em nos tornarmos uma grande nação ao estupro de consciências e à destruição cotidiana das nossas riquezas.

O que fazer? Como aproveitar o confinamento social para melhor refletirmos sobre os problemas atuais e os futuros? Não tenhamos dúvidas. São momentos iguais a esse que estamos vivendo que a bandidagem aproveita para aumentar sua rapina.

E quando falo da bandidagem não é sobre aquela que lota os nossos presídios, muitos até sem culpa formada.

Refiro-me à bandidagem sofisticada, aquela capaz de dilapidar o patrimônio público e enviar a bufunfa para a Suíça e nem sequer são presos. São os que têm seus representantes no parlamento e seus amiguinhos na polícia e no Judiciário. Os que acumulam malas cheias de reais em seus apartamentos e apontam o dedo da acusação corruptora para seus adversários políticos. E por aí vamos…

Mas afinal, quem vai ser o primeiro a deixar o Brasil em paz? O Jair ou o Covid-19?

Essa é uma questão difícil de responder e difícil de encarar, pois um depende do outro para estabelecer a paz… Dos cemitérios.

Os dias passam e o noticiário dos telejornais, das emissoras de rádio, dos jornais e revistas, dos blogs, consciente ou inconscientemente, vai deixando de lado a discussão mais abrangente e rigorosa dos fatos para se dedicarem, de modo geral, às fofocas palacianas e ao mórbido campeonato mundial de mortes Covid-19 entre os países do nosso mundinho.

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Uma reunião palaciana em Brasília no passado mês de abril transformou-se, no dizer de um ministro do STF, numa reunião de insanos, onde – segundo os que já tiveram acesso ao vídeo de tal reunião – o linguajar usado não era lá muito apropriado para um colégio de freiras.

Pode-se levar a sério um país onde um pastor evangélico, com a Bíblia na mão, coloca à venda sementes ao preço de mil reais cada uma para a cura do coronavírus? Ou que outro bispo, também evangélico, dedicou-se a construir um templo na cidade de São Paulo que custou ao redor de 500 a 600 milhões de reais extorquidos da maioria de seus miseráveis fiéis com o dízimo obrigatório?

Não está longe o dia em que passarão a vender ações de suas igrejas na Bolsa de Valores. Em nome de Deus e de Jesus Cristo? No Brasil o cinismo e a patifaria não têm limites.

Simpatizantes dessas religiões oram pelo presidente levantando os braços a lembrar-nos das saudações nazistas na Alemanha de Hitler. Sendo cristãos, não poderiam procurar um gesto mais condizente com os ensinamentos do próprio Cristo? O simples gesto feito fala mais do que mil explicações e desculpas. Nada é por acaso, perguntem aos grandes psicanalistas.

Admitamos que a pandemia que se espalhou pelo mundo, triste e devastadora, tenha sido um aviso da natureza para que o homem pense em cuidar melhor dela, essa amiga nossa hospedeira para os bons e maus momentos.

Penso que todos os países estão em busca de soluções para resolver essa tragédia e suas consequências.

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Todos os países… Hum… E o Brasil?

Os atuais dirigentes do país estão capacitados para tanto? Ou mesmo interessados?

Tenho sérias dúvidas.

Já dizia o poeta: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

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